<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985</id><updated>2012-02-01T20:36:14.714-02:00</updated><title type='text'>ENCONTRO DAS PALAVRAS</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>89</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-1030641886716343599</id><published>2012-01-31T01:47:00.002-02:00</published><updated>2012-01-31T01:54:44.455-02:00</updated><title type='text'>Enquanto o amor não vem</title><content type='html'>Enquanto o amor não vem, escancare as janelas da sua casa todos os dias, mesmo nos de chuva. Se molhar o chão, enxugue. Se molhar o tapete, estenda no varal. Se for um dia de sol, contemple, respire fundo e agradeça. Enquanto o amor não vem, troque a cor do seu esmalte toda semana, mude o corte de cabelo, gaste uma grana em um creme novo porque gostou do cheiro ou simplesmente porque quis. Enquanto o amor não vem, teste novas receitas, compre um bom vinho toda semana, seja para tomar sozinha ou acompanhada, faça novas amizades, chame os velhos amigos para um café ou mesmo para uma cerveja. Enquanto o amor não vem, jogue fora coisas velhas que guardou e nem se lembra o motivo, limpe suas gavetas, tire tudo do armário, limpe, doe algumas roupas e sapatos que não te servem mais. Enquanto o amor não vem, tente começar a meditação, vá saltar de paraquedas, vá em um boteco que nunca foi antes, vá naquele restaurante que achava caro, mas morria de vontade (nem que gaste além da conta, pelo menos uma vez), compre aquele vestido que ficou namorando na vitrine e que vai combinar com o par de sapatos que ganhou no último Natal. Enquanto o amor não vem, foque no seu trabalho, pense em um negócio que poderia virar empreendimento (nem que seja só sonho), invista em habilidades que você tem, mas que nunca desenvolveu. Enquanto o amor não vem, reúna os amigos em um final de semana na casa da sua família, cante no karaokê (ou no chuveiro), faça um bate e volta na praia, faça uma viagem mais longa e barata, se aventure em uma trilha, quem sabe sozinho. Enquanto o amor não vem, olhe para dentro de si, fique chocado, fique decepcionado, reconheça suas fraquezas, mas veja o quão maravilhoso é ter o poder de reescrever, de refazer, de realinhar, de se recolocar, de recomeçar, basta um pequena dose de querer (e é bem pequena mesmo, o resto flui!). E enquanto, tolo, espera fazendo coisas maravilhosas para você mesmo a chegada do amor, vai notar que ele chegou e você nem percebeu... Porque não tem que esperar, porque não tem hora certa. O momento é todo dia. Todos os dias, quando faz algo para si mesmo, você fortalece o amor mais genuíno e importante, que as pessoas - e livros de auto-ajuda - chamam de amor-próprio, mas eu prefiro chamar de "auto-amor". Não é por acaso que o poeta disse: "Para ser grande, sê inteiro". Quem acha que está no outro a possibilidade de amar (ou a razão disso) é um mutilado! Porque não é inteiro, é metade. Porque o amor não vem, o amor está em todas as coisas que fazemos. Porque o amor não está no outro, está em você. O outro é que chega, nunca para completar, mas para somar o amor dele ao seu e juntos caminharem. Lado a lado e adiante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-1030641886716343599?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/1030641886716343599/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=1030641886716343599' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/1030641886716343599'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/1030641886716343599'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2012/01/enquanto-o-amor-nao-vem.html' title='Enquanto o amor não vem'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-4624782052422961393</id><published>2011-11-21T01:37:00.001-02:00</published><updated>2011-12-15T20:00:55.125-02:00</updated><title type='text'>O instante</title><content type='html'>Esse espaço é para ficções, mas hoje estou com vontade de escrever sobre um filme que pude assistir na Mostra Internacional de Cinema esse ano por um acaso: "O futuro", de Miranda July. Na verdade, ele renderia muitos posts, mas quero falar de um aspecto específico que o filme aborda com muita clareza: o instante. Mas não é qualquer instante. É o instante que antecede um momento irreversível. No filme, o personagem "congela" um segundo antes de quando sua mulher ia dizer que estava apaixonada por outra pessoa e que ia deixá-lo. Comecei a pensar nos instantes que antecedem uma má notícia, uma virada na história (um &lt;i&gt;turning point&lt;/i&gt;, diriam os roteiristas) ou mesmo uma tragédia. Parece que, por um segundo, ou menos que isso, tudo se congela. Fica paralisado. E o mais maluco é que não há como mudar. Esse segundo é como um respiro, mas a coisa vai acontecer de qualquer maneira. Não há como evitar, reverter. Não há.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Quando um prédio vai ser implodido. Observe: depois de acionado o dispositivo, ele fica intacto, durante alguns milionésimos de segundos, para depois despencar sem dó, de uma só vez.&lt;br /&gt;Nas histórias em quadrinhos isso também acontece. Em Frank Miller e seus quadros cheios de sexo, sangue e escuridão também mostram claquetes desse instante que antecede a destruição.&lt;br /&gt;Nos desenhos animados, o coiote sempre fica suspenso no ar antes de cair de um precipício.&lt;br /&gt;Quando algo muito drástico aparece diante de nós, repare, o acontecimento pode se concretizar ou ser interrompido, nos dois casos é lugar comum falar ou ouvir: por um triz. Por um triz que fulano escapou. Ou por um triz que não conseguimos evitar o pior.&lt;br /&gt;Nos dois casos, ficamos com o quase.&lt;br /&gt;Às vezes pensamos que por um segundo a coisa x aconteceu, a y deixou de acontecer, você se desencontrou, você se desencantou...enfim. E essa sensação de que por muito pouco poderíamos ter mudado o rumo das coisas é tão ilusória quanto infantil, na medida em que você nega que não é possível ter controle sobre tudo. Há escolhas e há fatos. Temos que procurar fazer as escolhas na medida em que os fatos acontecem. Não dá para prever os resultados. Há como escolher e viver.&lt;br /&gt;No filme, é isso que o personagem tenta, em vão, fazer. Ele sente o silêncio que antecede o fim e, para evitar esse fim que não aceita, ele para tudo.&lt;br /&gt;Mesmo que hipoteticamente isso fosse possível, não é algo inteligente a se fazer. Porque o fato está ali, pronto para acontecer e vai acontecer e, mais que isso, tem que acontecer. A partir do acontecimento, você precisa fazer suas escolhas. A vida é movimento, já diria um amigo meu e a Pina Bausch. Sempre que fizer com que esse movimento te leve para frente, vai conseguir perceber que realmente fez escolhas. Certas ou erradas? Não sei. Não dá para saber, não dá para prever. Não importa como as coisas vão se ajeitar. Não importa se, como no filme, o passado vai voltar e você vai resolver que, na verdade, sempre foi o que você quis ontem, hoje e amanhã. O que importa é que já não é mais a mesma coisa. Porque a vida é movimento, porque as pessoas mudaram, as estações mudaram. E mesmo que você sinta que algo voltou, isso é ilusório. Ele se destruiu em um instante para ser construído do zero. Ainda que sejam os mesmos tijolos, eles estarão configurados e serão dispostos de maneira diferente. Isso é vida! E por isso, pensando no instante, no momento, e no filósofo dos tempos modernos, o professor e tio torto Vitti tem muita razão em sua frase lapidar: "A vida é momentos!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-4624782052422961393?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/4624782052422961393/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=4624782052422961393' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/4624782052422961393'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/4624782052422961393'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2011/11/o-instante.html' title='O instante'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-5055036609339492010</id><published>2011-09-23T01:05:00.003-03:00</published><updated>2011-09-23T01:17:19.165-03:00</updated><title type='text'>Desvio</title><content type='html'>Todos os dias, ele dizia "Bom dia!". Ela, sempre muito sorridente, respondia prontamente. Pelo tom de voz, ele conseguia saber se ela estava triste, aborrecida ou feliz da vida. Ele a amava em segredo. Sabia quem eram seus amigos, seus gostos, seus horários e até mesmo a última compra parcelada que ela havia feito.&lt;div&gt;Ela era uma mulher sozinha, mas não solitária. Sempre estava cercada de gente. Tinha uma vida noturna agitada, sempre recebia amigos em jantares no seu apartamento. Todos os dias saía logo cedo e passava apressada por todo lugar, como que perdendo hora para um compromisso que nem havia marcado ainda.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ela tinha urgência em viver. Ele, em contemplar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mas ela sentia falta de ter alguém que cuidasse dela, que a amasse, que dividisse momentos de delicada intimidade. Ele era o candidato. Mas isso era uma coisa só dele. Ela nunca saberia, por uma opção dele.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O brilho contemplativo se apagaria em um minuto se aquela devoção se fizesse pública.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Às vezes, ela descia para fumar um cigarro. Ele então se deleitava em companhia silenciosa. Cada tragada era tamanha fonte de prazer, que, por vezes, ele emitia algum grunhido. E ela, simpática, dizia: "que foi?" - e ria. E ele: "nada..." - num sussurro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Um dia, chegou uma carta. Cheirava à perfume importado. Masculino. O remetente confirmava a suspeita: era um potencial adversário. Reconheceu o nome do rapaz, que já havia ido visitar a garota um ou duas vezes.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Não teve dúvidas: picou em mil pedaços e jogou fora.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Alguns dias depois, chegaram flores. E ele procedeu da mesma forma: jogou fora.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Mais alguns dias e o rapaz foi até o prédio. Perguntou pela jovem. Era ele quem estava na portaria aquele dia. Que sorte! E foi seco:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ela não mora mais aqui. Mudou-se essa semana.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Sabe para onde ela foi?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não tenho a menor ideia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- O sr. chegou a ver se ela recebeu uma carta e flores minhas?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Sim. Eu é quem estava aqui. Ela não quis nem pegar. Jogou tudo fora.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Sério?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Sim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Vadia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;E o porteiro sussurrou:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Trouxa!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;E ela chegou, um pouco mais tarde e tudo estava ao normal. Afinal, nada demais tinha acontecido. A vida dela continuava assim, sem grandes acontecimentos. Ela estava decepcionada, mas não se deixava abater. Depois de uma semana sem notícias do rapaz, ela pensou: "Ah, laissez-aller, laissez-passer"&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;. No dia seguinte, ela saiu como todos os dias, respondeu ao bom dia, sorrindo. E esperando mais uma carta que nunca chegou, mais uma flor que nunca chegou, mais um amor que nunca chegou. O que restava era a adoração, fiel, mas que ela também nunca saberia existir.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-5055036609339492010?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/5055036609339492010/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=5055036609339492010' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/5055036609339492010'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/5055036609339492010'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2011/09/desvio.html' title='Desvio'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-3377901251586110705</id><published>2011-09-22T00:58:00.006-03:00</published><updated>2011-09-22T01:46:46.914-03:00</updated><title type='text'>Gases, menstruação e má digestão</title><content type='html'>&lt;div&gt;Aos 7 anos&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;- Mamãe, tá doendo aqui - aponta para um ponto entre o estômago e o coração&lt;div&gt;- Ah, filha, sei lá. O que você fez? - indagou&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Nada, mãe.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Devem ser gases...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não, mãe! Tá dando pontada aqui - apontou, insistente, para o peito&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ai, meu Deus! Então vamos ao médico.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Começou a chorar:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Tem médico de coração?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A mãe olhou, confusa:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Filha, o que você tem?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- É que o Pedrinho, o Pedrinho...eu fiz um desenho pro Pedrinho, mas ele riu, amassou e jogou no lixo - disse aos prantos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Comovida, a mãe abraçou a filha:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ah, minha filha! Os meninos são bobos mesmo. E o Pedrinho mais ainda, por não perceber a garota legal que você é. Vai passar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Aos 14 anos&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Oi, mãe - entrou na cozinha cabisbaixa - nem vou almoçar hoje.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- O que foi, minha filha?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Eu tô com muita dor aqui - e apontou a região entre o estômago e a barriga.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não vai ficar menstruada, filha?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não! - respondeu, colocando a mão no peito.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Mas ta doendo aí onde você colocou a mão?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Também...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ah, filha, mas aí são os seios...normal, estão crescendo, eles doem. Eu tive dores até os 16 - teorizou a mãe.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Não, mãe! É o ar que falta. E aí dói aqui, aqui mais embaixo, aqui do lado...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Acho melhor a gente procurar um médico.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A garota hesitou. Como a maior parte dos adolescentes, não gostava de ter essas intimidades com a mãe, mas acabou caindo no choro:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- É o Pedro, mãe. Acredita que a gente foi junto para aquela festa e ele nem olhou na minha cara hoje.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ah, filha, ele não deve ter visto - disse a mãe, tentando amenizar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ele viu sim, mãe. E sabe por que não me cumprimentou? Porque tava andando de mãos dadas com outra garota. Eu quero morrer.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Com compaixão, a mãe disse:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ai, filha...os garotos são assim mesmo. Eles demoram mais para amadurecer do que as meninas. Isso é normal. Ele é que é bobo por não estar com uma garota legal como você. Vai passar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Aos 28 anos&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Nossa, mãe. Tá difícil hoje...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- O que foi, minha filha?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Nossa, com o coração apertado. Tá difícil de respirar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Comeu alguma coisa que não caiu bem?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- É, pode ser mesmo. Estou um pouco enjoada...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Vixi, filha, quando eu fiquei grávida de você sentia isso... - disse a mãe, toda animada para ser avó.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A filha, com um tom de voz sério, cortou o barato da mãe:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Eu não estou grávida.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- É, filha, então não sei...Você está precisando de alguma coisa?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Eu queria o Pedrão de volta, mas isso ninguém pode fazer - e desabou no choro&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ai, filha. Ainda esse cara?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- É, mãe. Ele não quis nem falar comigo. Disse que não quer me ver e que é melhor assim.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pegou a cabeça da filha e colocou no colo, como quando era criança:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- Ah, minha filha! Os homens parecem meninos, às vezes. E o Pedrão mais ainda, por não perceber a mulher incrível que você é. Vai passar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Conclusão: Gases, menstruação, má digestão e coração partido provocam os mesmos sintomas. E essas dores e os conselhos (verdadeiros, mas sempre protocolares) não mudam em tempo algum.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-3377901251586110705?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/3377901251586110705/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=3377901251586110705' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/3377901251586110705'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/3377901251586110705'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2011/09/gases-menstruacao-e-ma-digestao.html' title='Gases, menstruação e má digestão'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-5111680690447451119</id><published>2011-08-25T03:41:00.003-03:00</published><updated>2011-08-25T14:49:03.399-03:00</updated><title type='text'>O caminho das borboletas</title><content type='html'>"O novo e o velho coexistem para que haja equilíbrio" - ela escreveu em seu pequeno caderno de viagens o que havia escutado em outro idioma no meio da multidão que visitava uma cidade em ruínas. Ficou pensando em seu avô, acamado após ser acometido por uma doença, que fez com que a família voltasse toda a atenção para aquela situação com a certeza de um término sem data marcada. Alguns, que há muito não se falavam, simplesmente porque a vida é assim, passaram a se encontrar quase diariamente, com o objetivo de prestar toda a assistência ao enfermo. A razão não era nada boa: doença. Mas alí havia sim a clara relação do velho com o novo. A doença motivou o resgate de uma referência que se perdeu na volatilidade do cotidiano. O velho dá suporte para o novo e o novo protege o velho, para que ele não esmoreça.&lt;div&gt;Absorta em seus pensamentos, se percebeu, em algum momento de consciência, que estava sozinha. Respirou fundo para recobrar a calma. Um pouco apreensiva, andou em círculos pela trilha. Gritou algumas palavras que não tiveram eco. Pensou na relação do novo e do velho. Pensou que, mais que o equilíbrio, essa relação seria um caminho.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A borboleta vive nessa relação do novo com o velho. Encapsulada no casulo está o corpo maduro que, na hora adequada, se livra da carapaça e, com asas novinhas, ganha o infinito das possibilidades.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;"Devo seguir o caminho das borboletas" -pensou. E em poucos instantes, lá estavam elas, batendo as asas e a conduzindo para uma saída. Pouco importava se era a ideal, a esperada, a única. Mas era a possível naquele momento. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-5111680690447451119?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/5111680690447451119/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=5111680690447451119' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/5111680690447451119'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/5111680690447451119'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2011/08/o-caminho-das-borboletas.html' title='O caminho das borboletas'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-4805099775230752657</id><published>2011-08-05T17:36:00.003-03:00</published><updated>2011-08-05T19:14:17.868-03:00</updated><title type='text'>Alô? É o passado</title><content type='html'>Ficaram alguns meses sem notícia um do outro. Até que ele ligou para pedir uma ajuda: queria mudar de emprego. Da relação tinha ficado uma amizade muito bonita:&lt;br /&gt;- Alô?&lt;br /&gt;- Oi. Sou eu, tudo bem?&lt;br /&gt;Na mesma hora, teve a sensação de ter o seguinte diálogo:&lt;br /&gt;- Alô?&lt;br /&gt;- Oi. Aqui é seu passado.&lt;br /&gt;Achou que estava ficando maluca. Respirou e retomou a conversa:&lt;br /&gt;- Oi. Tudo sim. Que surpresa essa ligação.&lt;br /&gt;Ela tinha saudade dele. Não daquela relação homem-mulher, mas da amizade. Ela queria muito que ele fosse feliz.&lt;br /&gt;- Estou precisando de uma força. Querendo procurar um trabalho melhor. Pensei que você podia me ajudar.&lt;br /&gt;- Mas é claro.&lt;br /&gt;E os dois conversaram. Riram e, no final, a pergunta:&lt;br /&gt;- Mas, afinal, como você está?&lt;br /&gt;- Ah, to feliz, mudei de casa, estou morando com uma garota legal...&lt;br /&gt;Ela ficou muda. Achou que aquele sentimento estava no passado. Sentiu-se mal, tateou a mesa para procurar algo inexistente e acabou puxando uma cadeira.&lt;br /&gt;- Que bacana! Parabéns. Se você está feliz é isso o que importa - disse muito sem graça.&lt;br /&gt;Se despediram. Desligaram. Ela chorou. Sentiu vergonha. Ela não chorava por ainda amá-lo. Isso tinha ficado no passado. Ela chorava pelas escolhas que tinha feito e, agora, se arrependia. Pensou num outro diálogo possível com o passado:&lt;br /&gt;- Alô?&lt;br /&gt;- Oi. É o passado.&lt;br /&gt;- Xô. Não quero mais falar com você, passou...&lt;br /&gt;Mas isso não lhe era possível. O sentimento tinha invadido sem que ela permitisse. Ficou pensando que novamente havia sido preterida para realizar um de seus sonhos. O desejo dela, o que eles tinham planejado, estava acontecendo, mas com outra pessoa. Não era do sentimento por ele que ela tinha saudade. Mas dos planos. Ficou mastigando aquele 15 de julho, quando ele a procurou:&lt;br /&gt;- Acho que poderíamos retomar, não sei...gosto de você. Ainda. Muito.&lt;br /&gt;Ela não o deixou terminar de falar. Estava encantanda por outro alguém e simplesmente desprezou a oportunidade, que diferente da maior parte das vezes, aparecia novamente diante dela.&lt;br /&gt;- É. Estou com outra pessoa. Na verdade, acho que a gente passou.&lt;br /&gt;E agora sofria em pensar que havia feito a escolha errada. Porque o alguém pelo qual ela havia trocado ele, tinha feito a mesma coisa. Ou pior. Ela continuava sonhando as coisas para que outras pessoas realizassem no seu lugar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-4805099775230752657?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/4805099775230752657/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=4805099775230752657' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/4805099775230752657'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/4805099775230752657'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2011/08/alo-e-o-passado.html' title='Alô? É o passado'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-3614987552099037168</id><published>2011-07-15T02:00:00.009-03:00</published><updated>2011-07-18T14:41:49.608-03:00</updated><title type='text'>Remédio para um coração despedaçado</title><content type='html'>Um coração despedaçado entrou numa loja onde se vendia tudo que se pode imaginar em busca de conserto. Pegou a senha. A fila estava enorme. Ao chegar no balcão, olhou no crachá do atendente e estava escrito "Bom Conselho". Achou engraçado, um tanto quanto presunçoso, mas seguiu:&lt;br /&gt;- Boa tarde, Seo Conselho, tem algo aí para um coração despedaçado?&lt;br /&gt;- É vejo que o senhor está bem arrebentado. O que foi? Amor platônico, não correspondido, traído...&lt;br /&gt;Interrompeu, pois o Conselho jamais adivinharia o problema daquele Coração:&lt;br /&gt;- Amor não assumido.&lt;br /&gt;- Uma fita crepe?&lt;br /&gt;- Já tentei. Ela cedeu.&lt;br /&gt;- Talvez algo mais forte, um superbonder?&lt;br /&gt;- Vixi, nem te conto...esse me machucou mesmo. Porque colei forte, mas eu não resisti. E quando quebrei de novo, até arrebentou um pedacinho aqui ó - apontei mostrando para o Conselho meu ombro esquerdo.&lt;br /&gt;- Uma muleta pode te ajudar ao menos a andar melhor...&lt;br /&gt;- Também não dá certo. É paliativo e não conserta de vez. E o pior, ficaria mal acostumado.&lt;br /&gt;- hum...cachaça?&lt;br /&gt;- Ai, já tentei também. Me dei mal. Tá vendo esse buraco aqui? - apontei para meu estômago - então, úlcera que não virou cirrose por um triz...&lt;br /&gt;- Entendo... - com certo ar de complacência, mas já sem paciência.&lt;br /&gt;- O senhor não pode vir comigo?&lt;br /&gt;- Eu?&lt;br /&gt;- Sim, o senhor, Seo Conselho? Poderia me dar boas dicas...&lt;br /&gt;- Conselho não se compra, nem se vende. Conselho apenas mostra possibilidades. Ao menos no meu caso, que sou o Bom Conselho.&lt;br /&gt;O coração ficou calado, fitando aquele bom conselho, que tinha um ar intrigado, mas foi certeiro.&lt;br /&gt;- O tempo. A solução para você é o tempo.&lt;br /&gt;Quando fui questionar que não daria para viver daquele jeito, ele me interrompeu:&lt;br /&gt;- Calma! Para seguir nessa jornada você vai precisar de algumas coisinhas.&lt;br /&gt;Virou-se e foi até uma prateleira.&lt;br /&gt;- Uma boa dose paciência para esperar; um potinho de lágrimas, porque uma hora ou outra você vai chorar; inúmeros sacos de risada, para compartilhar com seus amigos e perceber que a vida é boa demais; e um espelho.&lt;br /&gt;- Um espelho?&lt;br /&gt;- Sim, para você olhar sempre e perceber o quão lindo e especial você é. E dessa forma, recuperar o amor-próprio e aí então decidir se ainda quer que a espera te acompanhe ou se ela já pode seguir.&lt;br /&gt;- Mas isso demoraria quanto?&lt;br /&gt;- Depende do quanto vai levar para cicatrizar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pegou todas as coisas, passou no caixa e seguiu o caminho, ainda catando os pedaços, que vez ou outra se desprendem do corpo, mas ao menos um pouco mais fortalecido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-3614987552099037168?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/3614987552099037168/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=3614987552099037168' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/3614987552099037168'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/3614987552099037168'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2011/07/remedio-para-um-coracao-despedacado.html' title='Remédio para um coração despedaçado'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-1037001026685723212</id><published>2011-07-05T01:43:00.004-03:00</published><updated>2011-07-06T15:41:10.048-03:00</updated><title type='text'>O homem viciado em términos</title><content type='html'>Havia um homem que não gostava do início do relacionamento. Ele tinha uma fixação quase orgástica pelo término. E o mais curioso em sua obsessão: ele não tinha culhões para colocar um ponto final. Ele manipulava a coisa toda a tal ponto, que saía como coitadinho e abandonado. Mas tinha controle total da situação e não se envolvia. Tentava fazer as mulheres com quem se relacionava se sentirem culpadas pelo que sentiam. Um bem querer, por exemplo, virava algo maligno. Ciúmes e cobrança. Nada o fazia mudar de ideia. O término era a única certeza na vida dele. Como num ciclo vicioso, ele envolvia, se fazia apaixonável e depois, sem mais nem menos, pulava fora. Como ele dizia, cheio de empáfia: "Ah...aquela? Perdi o interesse".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso lhe dava certo ar de complacência diante do mundo. E até um conformismo que nos dá tranquilidade. Ele tinha total controle de todas as relações que estabelecia e sempre sabia o desfecho: o fim. Dessa forma, sofria menos. Ou melhor, não sofria nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sofre quem tem expectativa. A previsibilidade deixa tudo claro e abrevia dúvidas ou eventuais sofrimentos. Mas o outro lado, o que espera, o que aposta, sofria com a frieza com que ele, simplesmente, deixava de considerar. Porque o fim estava posto, antes mesmo de começar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todas as mulheres com quem ele se envolvia eram loucas, desequilibradas e, ao menor sinal de um deslize, pronto: ele jogava isso na cara delas, mas de um jeito tão habilidoso que elas não percebiam que estavam sendo apontadas. Elas teriam certeza de que elas mesmas estavam fadadas a serem abandonadas e encerradas dentro da própria loucura. Era muita habilidade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele ia levando a vida com fases sempre finitas. O começo, meio e fim era ininteligível para qualquer ser humano que tivesse metade de um coração. Não precisa nem mesmo ser inteiro... mas para ele era muito claro e definido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era mórbido como ele sentia prazer em ver as mulheres descabeladas, se perguntando: o que foi que eu fiz? Ele fazia cara de bom moço e dizia: "Você não fez nada. O problema sou eu". E ria muito. Por vezes calado, por vezes bem alto. Gargalhadas, quando a pobre moça já tinha saído da sua casa, levando debaixo do braço um livro ou camisa que deixara lá, despretensiosamente, num dia de semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passou a anotar, religiosamente, todos os seus términos. Dessa forma, foi elaborando melhor as cenas que criava na sua cabeça e as justificativas para o fim, que se tornavam cada vez mais convincentes. Fez isso com pelo menos 150 mulheres ao longo da vida. Casou-se com algumas, para quem jurou amor eterno diante do padre, mas desde a noite de núpcias sabia a data que terminaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como alguém viciado em términos, ele esperava, ansioso, o dia de sua morte. Sabia que era o fim, mas tinha excitação por saber o modo. Mas ela, implacável, lhe pregaria uma peça. No dia que seria o dia de sua morte, já bem doente, ela não veio. Foi a primeira vez que alguém dava em troca da espera dele, o desprezo. Desesperado, ele chamava pela morte, mas ela não dava a mínima. Ele queria saber onde estava a safada, mas ela não apareceu e condenou o homem viciado em términos a terminar sem fim. Ou como havia deixado terminar todas as histórias de sua vida: com indiferença.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-1037001026685723212?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/1037001026685723212/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=1037001026685723212' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/1037001026685723212'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/1037001026685723212'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2011/07/o-homem-viciado-em-terminos.html' title='O homem viciado em términos'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-1752531763603869920</id><published>2011-06-02T01:48:00.009-03:00</published><updated>2011-06-03T00:36:08.986-03:00</updated><title type='text'>O impulso</title><content type='html'>&lt;em&gt;Sexta-feira, 10 de abril de 2009, 13h&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Avenida Sumaré, no sentido de Pinheiros, estava impraticável. Como isso poderia acontecer em pleno feriado? Na rádio informavam que um acidente bloqueava duas faixas da avenida. Um atropelamento. Eu seguia de bicicleta no sentido oposto e, movida por uma curiosidade quase mórbida, procurava a tal ocorrência. Quando cheguei, vi um corpo estendido no chão. Sirenes da polícia. Joguei a bicicleta no canteiro e fui mais perto. Os olhos estavam abertos, atônitos. Eles olhavam para mim. Os ossos, estraçalhados, faziam com que o tronco tivesse virado uma massa amorfa que abraçava o asfalto, entre duas faixas da avenida. Ele vestia camiseta branca. Acho que era Hering. A perna esquerda estava estirada, o joelho direiro levemente dobrado para fora. Ele vestia um jeans bem básico. Tipo Lee ou Levi's. Os peritos chegaram. Não tardou muito para o IML chegar também.&lt;br /&gt;- O que foi?&lt;br /&gt;- Suicídio. Aproximadamente 27 anos.&lt;br /&gt;- Qual o nome dele?&lt;br /&gt;- Não sei. Está sem documentos.&lt;br /&gt;Olhei de novo para aquele rapaz. Cabelos castanhos, na altura dos ombros. Barba por fazer.&lt;br /&gt;- Como ele pulou, o senhor sabe?&lt;br /&gt;- Pela forma com que caiu foi de costas.&lt;br /&gt;Olhei para o corpo no chão. Depois, olhei para cima. Muito alto era o viaduto da Avenida Dr. Arnaldo... Olhei novamente para o corpo. E o rosto. E enxerguei Jesus Cristo. Que loucura. Coloquei a mão na testa. E voltei a olhar. O que tanto afligia essa alma perturbada? Quem ele deixou para trás? Quem vai chorar por ele? Por que teria se matado justamente numa Sexta-feira Santa? E logo depois do almoço!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Domingo, 12 de abril de 2009, 9h&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Domingo de Páscoa. Eu queria estar com a minha família, mas eu estava trabalhando. Eu passava pela Avenida Prestes Maia, um pouco depois da passagem subterrânea Tom Jobim, e vi um ônibus, na via de acesso para a avenida, na diagonal. Na traseira do coletivo, um carro com a frente completamente destruída. Era o que sobrou de um Celta preto. Parei um pouco adiante. Desci. A faixa de isolamento já separava o local da curiosidade dos populares, mas eu consegui entrar. Fiquei parada por alguns segundos tentando entender como aquilo tinha acontecido. Como um carro poderia entrar com tamanha violência. As portas estavam abertas e no chão alguns sinais de que o socorro havia passado por ali um pouco antes. Pensei: "Não há mais ninguém no carro e todos devem estar recebendo atendimento". Me aproximei e o que vi me causou primeiro estranheza, depois asco e, por fim, horror. O banco do passageiro foi violentamente invadido pela quina traseira do ônibus e, nesse cenário, era possível ver o que sobrou da frente de um carro misturado com o que sobrou de uma pessoa. Ou melhor, do que um dia foi uma pessoa. Custei acreditar. Tive que contemplar aquela cena terrível para que eu pudesse acreditar. Eu podia ver metade do rosto. O olho estava aberto. Assustado. O braço esquerdo largado com a palma da mão para cima. Era moreno. E tinha barba. Tive vontade de chorar, mas fiquei tão chocada com a revelação que as lágrimas não saíram.&lt;br /&gt;- Onde estão os outros, policial?&lt;br /&gt;- Foram levados ao pronto socorro. Eram cinco. Suspeita de embriaguez...&lt;br /&gt;- Tá certo. Você vai encontrar sua família?&lt;br /&gt;- Por que?&lt;br /&gt;- Porque hoje é Páscoa. Se for encontrá-los, diga que mandei votos de um bom renascimento.&lt;br /&gt;- Obrigada. Para sua família também.&lt;br /&gt;Fiquei pensando que queria estar com a minha família. E isso, é claro, inclui os meus amigos que formam a família que a gente escolhe. Mas estava só. Pensei que era Páscoa e que isso significava a ressurreição. Será que ele ia renascer em outro plano? De onde estaria voltando? De uma festa que durou toda a madrugada? Será que ele quis estar ali, no banco do passageiro, ou simplesmente aconteceu? E os que ficaram, será que iriam renascer para o que a vida tem de bom?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;----------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas mortes. Ambas movidas pelo impulso. Mas um de vida e outro de morte. O rapaz que pulou do viaduto queria fugir da vida, porque, por uma ou diversas razões que não interessam a mim nem a você, caro leitor, ela tinha ficado pesada demais para ele. E o contrário da vida é a morte. Simples assim. O rapaz que morreu no acidente de carro buscava a vida. Queria viver tudo, cada instante, com o máximo de gozo momentâneo que pudesse suportar. E na ânsia de buscar mais vida, acabou prepotente, e em um vacilo, encontrou a morte. Mas era vida que ele buscava. Me arrisco a dizer que essa é a única diferença. Porque nas duas histórias, invariavelmente, falamos de dois suicidas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-1752531763603869920?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/1752531763603869920/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=1752531763603869920' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/1752531763603869920'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/1752531763603869920'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2011/06/o-impulso.html' title='O impulso'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-9148219002895132279</id><published>2011-06-01T01:44:00.009-03:00</published><updated>2011-06-02T01:29:06.860-03:00</updated><title type='text'>Gênesis</title><content type='html'>A Bíblia diz: "No princípio era o verbo, e o verbo se fez carne e habitou no meio de nós". Foi mais ou menos assim que aconteceu. Ele precisava ser criado de novo, porque havia se tornado uma pessoa digna de pena. E Deus, em sua criação, só criou a pena para as aves. Essa outra pena era criação dos homens...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Deus disse: "Faça-se a luz!" Deus viu que a luz era boa e separou a luz das trevas. Deus chamou a luz de dia. E as trevas de noite: foi o primeiro dia.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele estava péssimo porque tinha levado um baita pé na bunda da mulher por quem tinha brigado com todas as pessoas que o admiravam. E o agravante: na escadaria da igreja. Quanta humilhação. Tudo que ele queria era esquecer. Saiu com várias garotas. Algumas interessantes, outras nem tanto. Foi quando ele viu a perfeita sobreposição do preto sobre o vermelho na pista de dança. Era o vestido preto e os cabelos vermelhos que balançavam ao som de qualquer coisa que nem importava tanto assim. Tudo ficou escuro. Ele nunca tinha visto nada igual e não titubeou em ir ao encontro da luz, que emanava do rosto doce daquela mulher. Era a pedra fundamental para o recomeço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Deus fez o firmamento e separou as águas que estavam debaixo do firmamento daquelas que estavam por cima. E chamou o firmamento céu. Deus disse: "Que as águas que estão debaixo dos céus se juntem em um mesmo lugar e apareça então o elemento árido". Deus chamou o árido de terra e o ajutamento das águas de mar: foi o segundo dia.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Ele se sentia especial ao lado dela. E a fazia se sentir da mesma forma. Mas ele para ela, ao menos naquele momento, era uma estrela. E ser uma estrela não é tão especial assim. Afinal, há tantas no céu. Para ele, a mulher dos cabelos vermelhos, que permanecia tão enigmática, seria a lua, não fosse pela alegria, que a deixava mais parecida com o sol. Mas isso pouco importava, porque em ela sendo o sol e a lua, ele teria 24 horas para ficar em sua companhia. A dissonância entre o desejo e a realidade começou a aparecer cada vez mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Deus disse: "Produza a terra plantas, ervas que contenham semente e árvores frutíferas que dêem fruto e o fruto contenha a sua semente": foi o terceiro dia.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um queria que aquele encontro do acaso rendesse frutos. O outro pensava ser uma semente que poderia ou não germinar. Mas seria necessário o tempo para frutificar e colher. Ela decidiu que, independentemente do que ia acontecer, ia semear. Passou a aceitar aquelas raízes se mostrando cada dia mais fortes, mais densas, mais enroladas. Ele tomava, devagar, as rédeas da situação. Se abriu, mostrou seus medos e aflições. E também seus anseios e sonhos. Como numa simbiose, ela se embriagou do que vinha das entranhas dele: primeiro a seiva bruta, depois a elaborada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Deus disse: "Façam-se luzeiros no firmamento para separar o dia e a noite, para que sirvam de sinais e marquem o tempo, os dias e os anos": foi o quarto dia.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele pensava nela dia e noite e se sentia fortalecido cada dia mais. Recebia mimos de uma mulher especial, que o tornava finalmente um ser amado. Estava se reconstruindo. Mas em só receber, esqueceu-se de dar. E ela foi ficando tão frágil quanto uma lua minguante. Restava ainda o sol. Mas a lua, que carrega certa dose de mistério e melancolia, ele não enxergava mais nela. Era tanta luz que ele ficou ofuscado. Sem mistério foi perdendo devagar o interesse. Mas o esforço dela para agradá-lo ainda surtiria efeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Deus disse: "Pululem as águas de uma multidão de seres vivos e voem aves sobre a terra, debaixo do firmamento dos céus. Futificai e multiplicai e enchei as águas do mar e a terra": quinto dia.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Na tentativa de resgatar o instante passado, ela passou a fazer as vontades dele. Todas elas. Mas em alguns momentos, extrapolava, perdia a linha. Ela não comprava uma garrafa do uísque preferido dele, por exemplo. Ela comprava pelo menos três. E 8 e 12 anos que nada. Era, no mínimo, maior de idade. A extravagância dela atraia ele. E ele achou que estava apaixonado de novo. E sentiu medo do que estava frutificando. Ficou aflito em ter seus galhos podados, seus frutos retirados e pisoteados por alguém sem coração. E começou se fechar àquilo que nascia de tão bonito entre os dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Deus disse: "Produza a terra seres vivos segundo a sua espécie: animais domésticos, répteis e animais selvagens. E façamos o homem a nossa imagem e semelhança. Que ele reine sobre todos os animais que habitam a terra. Deus criou o homem a sua imagem. Criou o homem e a mulher: sexto dia.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Não levou muito tempo para discernir as coisas ao seu modo. Era um novo homem. Ela tinha sido simplesmente a responsável pela criação desse homem seguro, amado e feliz. Mas as tentativas impulsivas de demonstrar seu apreço àquele novo e admirável homem acabaram um pouco atrapalhadas. O ego tão inflado dele acabou se tornando maior do que o que ela representava. Na verdade, ela passou a ser para ele o significado de uma mudança. E para mudar de vez, teria que deixar até a razão do seu renascimento para trás. Ele passou a ser para ela um objeto de desejo sobre o qual queria ter o controle que um dia tivera, mas não tinha mais. Ele agora caminhava pelas próprias pernas. Ela estava perdida em uma paixão que criou vida própria. E não era a nova vida dele. Nem dela. Era um sentimento que, de tão forte e não vivido até que se esgotasse, criou vida própria. E deveria ser degustado, vivido, contemplado. Mas não foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tendo Deus terminado a obra que tinha feito, descansou: sétimo dia.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O sentimento descansa em algum lugar dentro dos dois. Mas ele, com certa dose de egoismo, quer mesmo continuar olhando para o homem em que se transformou com a ajuda dela. Ela procura em toda pesssoa com quem se envolve uma lembrança que nem teve ao menos tempo de ter dele. Uma semana durou aquela paixão que para um significou libertação e para o outro prisão. Mas isso não foi criação de Deus. Isso é coisa dos homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Homenagem a uma história de paixão tão sincera quanto triste que ouvi um dia desses, por aí. Deixo apenas registrado que ela, embora ainda tendo a ferida exposta e aberta, vai cicatrizar. Ele evitou ficar ferido pelo medo de passar o que já havia passado. Mas devemos nos lembrar: nem as histórias, nem as pessoas são iguais.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-9148219002895132279?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/9148219002895132279/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=9148219002895132279' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/9148219002895132279'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/9148219002895132279'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2011/06/genesis.html' title='Gênesis'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-5848169186162611073</id><published>2011-05-22T23:05:00.004-03:00</published><updated>2011-05-23T12:32:26.464-03:00</updated><title type='text'>Quando o amor vira nojo</title><content type='html'>Quando o amor acaba (ou se transforma, como preferem dizer os mais otimistas)ele pode virar resignação, culpa ou nojo. A transformação do amor estava começando e, embora com forte resistência, se estabelecia como verdade irreversível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma fábula que expressa essa transformação. Uma raposa que queria pegar uvas em uma videira e não conseguia. Uvas suculentas. E simplesmente, quando desistiu, disse que elas estavam verdes. Arrumou uma desculpa para se conformar com o fato de não ter conseguido as tais uvas. Mas elas não estavam verdes. Elas estavam ótimas para o consumo. Foi a forma que ela conseguiu, não esquecer, mas aceitar, não sem os sentimentos que o fracasso provoca, que não tinha conseguido pegar as tais uvas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas havia outra raposa que queria pegar as uvas. E conseguiu pegar uma ou outra, mas o cacho todo ela nunca conseguiu e virou chacota de outras raposas que cobravam potência e sucesso no objetivo. Ficou a vida toda se martirizando por ser supostamente um fracasso na arte de surrupiar umas uvas. Não se perguntou uma única vez sequer se as uvas estavam realmente suculentas. Ou ainda, se elas se colocavam como inatingíveis, permanecendo nos locais mais altos das videiras, de propósito. Ou por fim, não de perguntou que raios as outras raposas ficavam metendo o bedelho nas vontades dela. Deveria ter mandado todas catarem uvas ou coquinhos. Mas não! Tomou para si o fracasso de toda uma plantação... A culpa era toda dela, a raposa "loser".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As uvas estavam verdes. Uma outra raposa esperou pacientemente o tempo necessário até que elas amadurecessem. Nesse tempo, estabeleceu uma relação até de intimidade com as uvas, que tinham a maturação muito desejada e acompanhada diariamente por aquela raposa, que, com o chegar do tempo certo, passou a observar - alertada por outras raposas - que aquele cacho de uva estava se disponibilizando para outras, embora tivesse feito um trato de que seria dela. A raposa não deu ouvidos e se esforçou para alcançar as uvas, que, olhadas de baixo, pareciam muito suculentas. Maduras. Ao pegá-las e, prestes a devorar com muito apetite uma a uma, viu que a parte de cima delas estava podre. De lá saíam bichos que ela nunca tinha visto, que a parte aparentemente saudável havia escondido. Teve nojo. Depois se sentiu enganada. E acabou por vomitar toda a espera nas uvas, que ficaram encobertas por aquela gosma ressentida. E viraram adubo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-5848169186162611073?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/5848169186162611073/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=5848169186162611073' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/5848169186162611073'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/5848169186162611073'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2011/05/quando-o-amor-vira-nojo.html' title='Quando o amor vira nojo'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-7882188086673690968</id><published>2011-05-06T01:13:00.006-03:00</published><updated>2011-05-08T17:46:54.836-03:00</updated><title type='text'>O expulso</title><content type='html'>Ele colecionava conquistas. Antes se sentia inválido e rejeitado. De repente, como num passe de mágica, passou a ser o conquistador. As mulheres caíam aos seus pés. Ele passou a se sentir desejado e amado. Mas eram relações superficiais. Não passavam de algumas saídas. Era o que alimentava a sua frágil e recém conquistada segurança. E que o tornava ainda mais covarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuava vazio. Sempre vivera daquela forma. O destino o levou até aquele momento. Ele não teve capacidade, em toda a sua vida, de fazer uma escolha sequer. Até as decisões mais importantes, que pareciam terem sido opções dele, eram circunstanciais, fruto de situações inevitáveis. Era justamente a falta de opção. Ele se deixava levar. E em se deixando levar, nunca havia vivido algo verdadeiro. E passara a vida inteira na tentativa de mostrar para os outros que estava conseguindo ser uma pessoa realizada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele momento de alta cotação no mercado de relacionamentos, passou a investir no sexo diversificado. Chegou a acreditar piamente que a rotatividade da cama dele iria resolver os problemas que carregava desde o final da adolescência. Quiçá, desde a infância, com uma mãe autoritária e superprotetora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, com o tempo, aquele vazio não passava. E o fato de, na verdade, ele nunca ter gostado nem dele mesmo, passou a ficar cada vez mais forte. A única verdade é que ele não se aceitava. Tentava, ao se deixar levar, se expulsar de si mesmo. Tendo o destino como o responsável pela sua vida, tirava das suas costas o peso de qualquer decisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi percebendo que não estava feliz. Não era e nem nunca tinha sido feliz, nem por um instante. A busca o acompanhou por toda a vida. Apenas no leito de morte teve sua revelação. Naquele lugar, decidiu morrer. A morte, ao que parece, não é algo que decidimos. Mas nesse caso aconteceu. E, já morto, percebeu que sua primeira e única opção em vida tinha sido mais uma vez motivada pelas mesmas razões de suas não escolhas: pelo desejo de se livrar de si mesmo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-7882188086673690968?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/7882188086673690968/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=7882188086673690968' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/7882188086673690968'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/7882188086673690968'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2011/05/o-expulso.html' title='O expulso'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-4444209755403601975</id><published>2011-04-21T16:40:00.005-03:00</published><updated>2011-04-21T17:38:48.688-03:00</updated><title type='text'>No tempo da delicadeza</title><content type='html'>Os dois se despediam. Era a última vez que se falavam, ao menos na condição de par. De namorados transformariam-se em meros desconhecidos. Tinha sido uma relação turbulenta, mas de reciprocidade singular. Juntos eles passaram por perrengues inimagináveis. Os dois sabiam os mais profundos segredos um do outro.&lt;br /&gt;- Tchau.&lt;br /&gt;- Talvez haja uma chance...&lt;br /&gt;- Pra gente?&lt;br /&gt;- É. Lembra? Do Chico Buarque...eu sempre citei. "Te encontro com certeza, no tempo da delicadeza..."&lt;br /&gt;Os dois riram. Mas era um riso frouxo. Ela tinha terminado tudo e deixado o rapaz sem chão.&lt;br /&gt;- Eu prefiro uma outra música que diz: Mire a fé, e reme.&lt;br /&gt;Mais risos. Desgastados.&lt;br /&gt;- Então quer dizer que pode remar de volta?&lt;br /&gt;- Não, querida. Não é isso. É remar para minha fé. Para o encontro comigo mesmo. Acho que a gente se conhece tanto, mas não conhecemos a gente mesmo...entende? Eu vivia bem com isso, mas você me fez enxergar e agora não dá pra voltar. Como no mito da caverna...&lt;br /&gt;- Eu não posso ficar com essa dúvida. Preciso de certeza.&lt;br /&gt;Ele sentia muita raiva das tais certezas que ela dizia querer ter, mas na verdade nunca teve e nunca foram importantes ou determinantes para a relação que estabeleceram. Muito mais que amantes, eram amigos. Mas um não excluía o outro. E o mais louco é que era ela quem queria terminar justamente por uma situação que, muito longe de atrapalhar, era o símbolo da cumplicidade dos dois.&lt;br /&gt;- Nossas noções de amor são muito diferentes. O seu amor romântico é o distanciado, é o devotado. O meu é o compartilhado.&lt;br /&gt;- Mas acredite, que no tempo da delicadeza, não teremos mais perguntas, apenas sensações...&lt;br /&gt;Ele deixou ela falando sozinha. Quando não há mais o que dizer, é melhor não dizer nada.&lt;br /&gt;Depois de dois anos eles se reencontraram. Refeitos. Referidos. Referenciais.&lt;br /&gt;Não era o tempo da delicadeza. No máximo, o do silêncio. Ou do toque. Se abraçaram, mas não conseguiram dizer mais nada. E continuaram o caminho, que tinha bifurcado fazia muito tempo, apontava para direções muito distintas desde aquela conversa do dia 17 de outubro de 2008.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O que é bonito a gente compartilha! Inspirado em uma conversa inspirada (rs) que tive em uma madrugada qualquer com um amigo jornalista-que-não-é-jornalista (rs) que me confidenciava uma desventura de amor. Não revelo o nome, porque seria uma indelicadeza. E o tempo é o da delicadeza...Minha homenagem ao D. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-4444209755403601975?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/4444209755403601975/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=4444209755403601975' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/4444209755403601975'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/4444209755403601975'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2011/04/no-tempo-da-delicadeza.html' title='No tempo da delicadeza'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-9070621436836880479</id><published>2011-04-14T10:55:00.009-03:00</published><updated>2011-04-17T17:50:03.063-03:00</updated><title type='text'>Sessão de terapia</title><content type='html'>Ela entra deseperada e senta no sofá, diante do psicólogo, para mais uma sessão: &lt;br /&gt;- Estou preocupada. Bastante. Aliás, muito! Como andei muito frágil nesses tempos, falando demais, acho que todos estão me traindo, todos falam pelas costas... &lt;br /&gt;- É uma forma muito 'persecutória' de ver a vida, não acha? &lt;br /&gt;- Mas não é possível. Eu tenho certeza que o meu amigo disse as coisas que confidenciei. Eu tenho certeza. E agora, possivelmente, o encanto se quebrou por ele não me achar mais digna de confiança. &lt;br /&gt;- Você nunca vai saber. &lt;br /&gt;- Como? Nunca? E se eu perguntar? &lt;br /&gt;- Vai continuar sem resposta. As pessoas falam o que elas querem e do jeito que elas querem, não necessariamente a verdade. O pensamento pode ser parcial, mas a partir do momento em que ele é verbalizado e processado, pressupostos e interesses ficam mais fortes do que qualquer outra coisa e a pessoa diz apenas o que ela quer que você saiba. &lt;br /&gt;- Eu tenho o péssimo hábito de acreditar nas pessoas... &lt;br /&gt;- Isso não é hábito. Isso é inerente a qualquer relação. Confiar é o que faz com que uma relação de amizade comece, por exemplo. &lt;br /&gt;- E desconfiar faz terminar... &lt;br /&gt;- Olhe com outros olhos. Todo mundo age assim. No fundo, todos temos nossos interesses e queremos nos dar bem. Cabe a quem ouve uma confidência ou uma fofoca ter certeza do que é e do que pensa, para não se deixar influenciar. &lt;br /&gt;- Mas e se ele estiver pensando coisas ruins a meu respeito? &lt;br /&gt;- E isso ter feito a relação de vocês dar errado? É um pensamento errado. &lt;br /&gt;- Acha que um amigo não tem influência sobre o outro? &lt;br /&gt;- Tem sim. Mas não tem influência sobre o amor. Essa é a diferença, que parece sutil, mas é drástica. &lt;br /&gt;- Não devia ter falado, não devia ter me aberto, não devia ter confiado... &lt;br /&gt;- Pare de se culpar com relação a isso. Se não deu certo, foi tão somente devido a uma incapacidade dele de amar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela respirou fundo. Fim da sessão. Saiu andando e pensou em tudo. A culpa por ser tão de verdade, tão inteira, tão intensa nas relações: "O bom disso tudo é que com a mesma intensidade com que me apaixono e me entrego, esqueço".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-9070621436836880479?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/9070621436836880479/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=9070621436836880479' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/9070621436836880479'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/9070621436836880479'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2011/04/sessao-de-terapia.html' title='Sessão de terapia'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-4860552933082292124</id><published>2011-03-30T18:02:00.005-03:00</published><updated>2011-03-30T18:37:59.604-03:00</updated><title type='text'>Não era bem o que se pensava</title><content type='html'>Havia um celular muito cobiçado. Ele era o que mais chamava atenção dos clientes na vitrine da loja. Ficava lá, todo bonitão, reluzente, dia após dia. Embora cobiçado, poucos compradores tinham o valor dele. Ele não era caro, ele era diferente. E ser diferente tem um alto preço na vida. Havia um jovem que todo dia ia namorar o celular pela vitrine da loja. Ficava lá horas, sem cansar, sem ver o tempo passar. Era o seu objeto de desejo. Depois de alguns meses, conseguiu comprá-lo. Pagou de uma só vez, com todas as garantias. Em três meses, começou a notar que o celular não eras tão bonito assim, que não era tão bom assim, que não era tão tecnológico assim, que nem queria tanto assim como um dia pensou. O senso comum irritante convencionou dizer que a paixão dura três meses e acaba. Asneira! O que desejam esconder é que as pessoas são tão egoístas que querem apenas sanar suas expectativas. E o celular teria que satisfazê-lo na mesma intensidade da primeira vez para sempre. Manter o encantamento seria responsabilidade única e exclusiva do celular. Mas o dono dele passou a compará-lo aos outros celulares que teve na vida. A expectativa se mostrou pequena depois de pouco tempo. Não foi a paixão que acabou. A paixão ainda nem tinha começado. Mas o dono não quis mais o aparelho por medo de aí fidelizar-se. Aí sim, entregar-se. O que pensaria o outro aparelho, por ele abandonado um tempo antes? Ingrato! Desculpa esfarrapada para a explicação mais simples: sem sentir e ser de verdade, não dá jeito, a expectativa será sempre maior do que a realidade. E aí, a inevitável comparação, fica injusta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-4860552933082292124?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/4860552933082292124/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=4860552933082292124' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/4860552933082292124'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/4860552933082292124'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2011/03/nao-era-bem-o-que-eu-pensava.html' title='Não era bem o que se pensava'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-8845056153880833467</id><published>2011-03-23T19:46:00.004-03:00</published><updated>2011-03-24T02:00:29.751-03:00</updated><title type='text'>Em vão</title><content type='html'>De repente, ele não via mais ela. Ela estava lá, mas ele não podia mais enxergar. Ou pensava que não podia. É sempre como se processa a mente de quem está num turbilhão de sentimentos. Confusão. Ele se via apaixonado. Mas pela primeira vez livre. As outras relações que havia acostumado e passado a considerar corretas, eram algo como dependência, repletas de egoísmo. Tudo que o pessoal costuma dizer que é paixão, mas não é. Paixão é intensa, intenção. Afeto, que no sentido radical quando falamos em paixão, pode ser algo como afetar, afetação. Nunca prisão. Se falarmos de amar, então...Doar, no sentido de partilhar. Não depender, não precisar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela, tão viva que era, estava vivendo em uma montanha russa emocional. Não podia mais suportar. Mas insistiu, porque era puro o que sentia. Era verdadeiro, era livre. E deixou para ele um bilhete: "eu tento me aproximar, mas você se afasta". Eram assim os últimos dias. Insuportáveis. Pesados. Cobrados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela cansou. E começou a encontrar o que estava quase morrendo dentro dela mesma: o amor próprio. E, apenas com isso e por isso, ela passou a não ser mais enxergada por ele, que insistia em procurar aquela que tanto desrespeitou. Ela entendeu que se ele fez tantos absurdos com ela, foi porque ela também permitiu. "Toma vergonha, menina!" - ela ouvia uma voz masculina, de um grande homem que passou pela vida dela. Quem sabe até mesmo o pai. E sentiu vergonha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele, de tão indeciso, acabou decidido por ela. Mas ela havia decidido sem exatamente escolher, mas agindo, que não seria mais ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vagava por todos os locais onde ela poderia estar. Onde certamente gostaria de estar. Mas, embora ela estivesse lá, ele não mais a reconhecia. Ficou desatinado e decidiu que ia busca-la até encontrar. A busca se mostrou, após alguns meses, angustiante e dolorida. Nunca mais poderia achar. Quando perguntavam para ele, completamente transformado pela dor da perda, se ainda doía, dizia ele, inconsolável e tão cafona&lt;em&gt; (embora lindas)&lt;/em&gt; quanto são as declarações de amor:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Só dói quando eu penso nela, e eu penso nela quando eu respiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;*livre inspiração no livro "Malu de Bicicleta", de Marcelo Rubens Paiva, e de andanças por aí...&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-8845056153880833467?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/8845056153880833467/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=8845056153880833467' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/8845056153880833467'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/8845056153880833467'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2011/03/em-vao.html' title='Em vão'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-211939903676628603</id><published>2011-03-17T02:48:00.003-03:00</published><updated>2011-04-17T17:43:50.602-03:00</updated><title type='text'>Despedida</title><content type='html'>Deitados juntos, mas não unidos. Abandonados após terem fatalmente sidos escolhidos pela melhor amiga dos amantes: a solidão. As únicas testemunhas eram os próprios desejos. Não havia nada naquele quarto. Não havia antes nem depois. Estavam despojados de todo e qualquer conceito do que convencionou-se chamar civilização. Não havia pensamento, só sensação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era como se o mundo tivesse acabado algumas horas antes e começasse a partir daquele instante. Seria um recomeço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As palavras calaram no coração dos dois, mas algumas, insistentes, ficavam martelando na cabeça. Não houve sufocamento da verdade, mas a censura, enxerida que só ela, dava as caras de vez em quando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando saía, tudo voltava a ser etéreo. E tão honesto quanto é, em última análise, o desejo de quem tem um objetivo. De quem sabe o que quer. E os dois sabiam muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Permitiram que, numa explosão dos cinco sentidos, travados em uma completa confusão dada a interferência de um sobre o outro, se abraçassem, beijassem, gozassem. Foi aflito, quente, fugaz, verdadeiro. Como aquela paixão, que durou um só verão e foi varrida junto com as folhas secas das árvores no outono.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-211939903676628603?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/211939903676628603/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=211939903676628603' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/211939903676628603'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/211939903676628603'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2011/03/despedida.html' title='Despedida'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-9209165701142188427</id><published>2011-02-14T10:17:00.004-02:00</published><updated>2011-02-14T10:25:26.467-02:00</updated><title type='text'>Discurso de Formatura</title><content type='html'>Faz tempo que queria postar esse discurso, mas sempre deixava para depois. Após três anos, percebo que ele ainda, e cada vez mais, faz muito sentido: é o meu discurso de oradora da turma de jornalismo Cásper Líbero 2007. E um detalhe importante, a poesia que eu declamei no dia, e que está no final do discurso, é a mesma que meu pai, Antonio de Padua Cruz declamou em 1978, quando se formou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-----------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Discursos diferem em pouca coisa. A essência é sempre a mesma: olhar para trás, fazer um breve balanço de tudo o que aconteceu, de como tudo começou e apresentar perspectivas de um futuro que virou presente. O meu não poderia ser diferente, mas não quero falar de passado. Antonio Candido escreveu certa vez que “registrar o passado é falar dos que participaram de uma certa ordem de interesses em um momento particular que se deseja evocar”. E poderia falar algumas coisas de muitos de vocês que estão sentados aí, com quem dividi alegrias e tristezas. Mas também penso que no passado estão as lembranças, que devem ser partes íntimas e intocadas daquilo que nos dá saudade. Se sentimos saudade é porque valeu a pena. E isso, sim, é muito particular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilustríssima Profa Tereza Cristina Vitali, em nome de quem saúdo todos os componentes da mesa, senhoras e senhores, caros colegas. Há quatro anos pensamos um projeto para nossas vidas. Prestamos vestibular e tínhamos uma vaga noção do que nos aconteceria. Queríamos mudar o mundo! Pensamento ingênuo, porém tão necessário naquele momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se eu perguntar o que foi e o que é a Cásper Líbero, cada um de nós terá uma resposta diferente. A única semelhança está no objetivo: ser jornalista. Mas ainda não o somos: começa agora a caminhada. De antemão, posso apenas nos parabenizar porque fazemos parte do seleto grupo de 9% de brasileiros a concluir curso superior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daqui pra frente, muitas pessoas vão se destacar, mas outras tantas vão desistir no meio do caminho e procurar outros nortes. E daí? A vida é assim, feita de encontros e desencontros, lembrando o poeta. Viemos de lugares diferentes e trouxemos na bagagem histórias que pudemos compartilhar durante esses anos. E mudamos muito não? Ainda bem. Eu costumo dividir os anos de faculdade mais ou menos assim: expectativas primeiro-anistas baseadas em teorias que na prática não funcionavam; filosofias de boteco (e a realidade dos estágios) passam a fazer mais sentido que a sala de aula; desencanto e choque de realidade, dúvidas, muitas dúvidas; esgotamento clássico causado pela tríade trabalho, aulas e o famigerado TCC. E vamos sentir falta de tudo, estou certa disso. Um ciclo se fecha. Uma nova etapa começa: agora, mais que nunca, teremos que enfrentar a concorrência, os êxitos e os dissabores do mercado de trabalho. Alguns sairão empregados, mas para a maioria, mais uma luta começa. Pode soar piegas, mas nunca podemos esquecer dá responsabilidade que assumimos quando escolhemos essa profissão. Não se trata de ter foco, escrever um bom lead ou pensar no leitor. É ter comprometimento com a verdade e com a informação. E por falar em verdade, me lembrei de um texto de Carlos Drummond de Andrade. Conta a história que foi encontrada a porta da verdade e que ela estava aberta. Mas para adentrá-la havia uma condição: de que apenas meia pessoa entrasse de cada vez. A confusão esperada mostrou-se real: cada meia pessoa que entrava saía com meia verdade, que não coincidia com a meia verdade da outra metade de cada pessoa. Quando todos se rebelaram e destruíram a porta, descobriram que não havia uma verdade inteira, absoluta e cada um passou a aceitar a verdade que mais lhe conviesse, baseado na sua ilusão, na sua própria miopia. Como não evocar as aulas de ética com intermináveis discussões aparentemente infrutíferas como instrumento fundamental de reflexão da nossa profissão, daquilo que faremos daqui pra frente? Vamos lidar com esses relativismos em todo momento e temos que estar convictos daquilo que acreditamos. Teremos que nos posicionar perante os dilemas que vão surgir e fazer escolhas. Vamos pautar essas escolhas na ética e na dignidade (quem perdeu a dignidade no JUCA é bom começar a procurar...). Um fim glorioso não pode ser justificado por meios indignos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns podem estar pensando quão quixotescas são minhas palavras. Mas se as ouvirem nas entrelinhas compreenderão que falo do real. Que falo de trabalho e dedicação e passo atestado contra a arrogância e a desonestidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se trata de mudar o mundo. Isso é uma grande bobagem. Idealismo puro. E mais do que nunca precisamos de mais idéias e ações e menos ideologias verborrágicas. Estou falando sim em promover uma mudança dentro de nós mesmos. Vou fazer um pacto com vocês: nunca tenhamos medo de mudar, parar, voltar, seguir, recomeçar. E como já me alonguei demais, termino, com a licença de todos os presentes, declamando uma poesia que não fala de jornalismo, mas de alma, de ser humano, daquilo que precisamos ter em mente para ir tocando em frente. O texto é do escritor parnasiano e jornalista, colega nosso, Olavo Bilac. Chama-se “Credo”. O credo é uma profissão de fé, que sela a escolha que fizemos e pela qual estamos aqui hoje.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Crê no dever e na virtude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um combate insano e rude&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida em que tu vais entrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, sede bom ! Com esse escudo,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Serás feliz, vencerás tudo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem nasce vem para lutar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E crê no bem,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;‘Inda que um dia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No desespero e na agonia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Te vejas pobre e injuriado,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por toda gente desprezado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdoa o mal e crê no bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E crê na pátria,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo que a vejas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheias de idéias mal fazejas,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em qualquer época infeliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não abandones.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque a glória&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hás de ver mudar numa vitória&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em cada cicatriz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E crê no amor !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se pode a guerra&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cobrir de sangue toda a terra&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levando tudo à assolação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, pode límpida e sublime&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cair sobre um grande crime&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma palavra de perdão&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-9209165701142188427?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/9209165701142188427/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=9209165701142188427' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/9209165701142188427'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/9209165701142188427'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2011/02/discurso-de-formatura.html' title='Discurso de Formatura'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-8964082659842871955</id><published>2011-01-23T04:28:00.006-02:00</published><updated>2011-01-23T16:36:45.779-02:00</updated><title type='text'>Carma</title><content type='html'>23 de janeiro de 2010&lt;br /&gt;Ele falou o que não devia. Ela respondeu o que não devia. Os dois choraram. Ela foi atrás. Ele fugiu. Foi um para cada lado. Acabou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23 de janeiro de 2011&lt;br /&gt;Ele falou o que não devia. Ela se excedeu. Insistiu como não devia. Os dois choraram. Ela foi atrás. Ele fugiu. Foi um para cada lado. Acabou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;23 de janeiro de 2012&lt;br /&gt;Ele falou o que não devia. Ela desacreditou. Pediu para ele repetir. Ele falou de novo. Ela desatinou. Os dois choraram. Ela foi atrás. Ele fugiu. Foi um para cada lado. Acabou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que ela nasceu para ser amarga ou amada?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-8964082659842871955?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/8964082659842871955/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=8964082659842871955' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/8964082659842871955'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/8964082659842871955'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2011/01/ciclo.html' title='Carma'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-666505173675761419</id><published>2011-01-14T16:31:00.005-02:00</published><updated>2011-01-17T18:16:58.419-02:00</updated><title type='text'>A história do homem que sentia uma coisa e falava outra</title><content type='html'>Ele tinha uma doença, muito rara e difícil de ser diagnosticada. Tudo que ele sentia, ele dizia o contrário. Se queria comer frango, dizia que queria comer peixe. Se queria ir ao cinema, dizia que queria ir ao parque. Ele vivia atormentado com essas confusões, principalmente porque tinha consciência. Mas não conseguia agir sobre isso. Era incontrolável.&lt;br /&gt;Foi tratado durante muito tempo como esquizofrênico. Mas não era. Tinha outra coisa. Que ninguém sabia o nome: ele sentia uma coisa, mas na hora de verbalizar, dizia outra. Por vezes ele ficou irritado, pois disse coisas que não queria. Mas aí, quando via, já tinha dito e era tarde demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cresceu assim. E, embora sociável e muito bem quisto no círculo de amizades, sempre viveu e foi sozinho. Solitário. Não namorou, não constituiu família, não teve filhos. Porque essas sempre foram suas vontades, mas ele sempre dizia o contrário. O que fazer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já passando dos 40 anos, os amigos decidiram presenteá-lo com um passarinho. Um canário do reino. Ele nunca havia falado em animais de estimação, mesmo porque possivelmente nunca tinha pensado nisso. Talvez, se tivesse falado, diria que preferia um cachorro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o canário do reino passou a ser a sua paixão. Mais que isso, sua razão de viver. Mas isso só ele sabia. E dizia o contrário. Como sempre fez. Cuidava do canário melhor do que dele mesmo. Mas falava coisas horríveis para ele, geralmente antes de dormir, quando o pássaro insistia em cantar uma de suas canções para que ele dormisse melhor. O pássaro era absolutamente devotado àquele homem rude. Ele sentia que, no fundo, era também amado por ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, como fazia sempre, o homem foi colocar o pássaro para dormir, mas esqueceu a portinhola da gaiola aberta. O canário, já cansado de tantos desaforos, saiu e nunca mais voltou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, o homem notou que o canário estava calado. Saiu e percebeu que ele o havia abandonado. Disse coisas horríveis e depois começou a chorar e, em um murmúrio sussurrou: "eu te amava". E percebeu que a "doença" que tinha era uma das tantas possíveis manifestações do medo. Medo de perder o controle de uma situação por ser invadido por sentimentos tão fortes quanto irracionais. Medo de revelar seu lado mais frágil, mais verdadeiro. Medo de ser rejeitado. E esse medo, que carregou por toda uma vida, se desmanchava agora, quando, tentando evitar, acabou abandonado. Seu único companheiro continuou sendo, o sempre e cada vez mais fiel: o medo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-666505173675761419?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/666505173675761419/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=666505173675761419' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/666505173675761419'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/666505173675761419'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2011/01/historia-do-homem-que-sentia-uma-coisa.html' title='A história do homem que sentia uma coisa e falava outra'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-1264226476085935802</id><published>2010-10-28T01:03:00.003-02:00</published><updated>2010-10-28T01:27:34.920-02:00</updated><title type='text'>A primavera que era inverno</title><content type='html'>Essa história de que as condições climáticas influenciavam as pessoas já era antiga. Crendice ou sabedoria popular. Depende do ponto de vista. Só que dessa vez ela percebeu que o contrário estava acontecendo: era ela quem estava modificando o tempo.&lt;br /&gt;Ela estava com ele, mas tinha o outro. E nem ele nem o outro sabiam o que se passava na cabeça dela. Acho que nem mesmo ela, só o tempo podia saber.&lt;br /&gt;Toda vez que ela decidia ficar com ele, o tempo fechava e ventava muito. Às vezes chovia. Mas não era para lavar a alma. Era aquela garoa fina, insistente, como um lamento. Toda vez que ela optava pelo outro, fazia sol.&lt;br /&gt;Quando chegou a primavera, ela decidiu ficar só com ele. E o tempo fechou. Ficou só cinza. Às vezes, chovia. Foram meses sem sol. Os dias eram cinzas, tristes, angustiantes. As pessoas não saíam mais de casa. Não se lavava mais a roupa e colocava no varal: a opção era a secadora ou a lavanderia. Do contrário, elas não secariam e começariam a cheirar mal. As plantas morreram, deixando as floreiras vazias.&lt;br /&gt;Ela foi ficando absorvida pelo clima. Pelo tempo. Também foi ficando vazia. Um dia encontrou, por um acaso, o outro e mudou a opção. O outro virou ele para ela. O dia amanheceu com um sol lindo, dotado de toda uma intensidade guardada durante o período sabático. E nunca mais anoiteceu. As noites eram brancas, por causa da lua, que vinha religiosamente visitar o sol. Os dias eram amarelos, cheios de energia. O sol era onipresente. Ele e ela eram os únicos ocupantes daquele tempo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-1264226476085935802?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/1264226476085935802/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=1264226476085935802' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/1264226476085935802'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/1264226476085935802'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2010/10/primavera-que-era-inverno.html' title='A primavera que era inverno'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-4258070840225752677</id><published>2010-06-17T17:40:00.002-03:00</published><updated>2010-07-19T19:35:20.811-03:00</updated><title type='text'>As (im)possibilidades da paixão</title><content type='html'>Todo dia ela procurava por ele. Nos mesmos lugares de sempre. Às vezes ele aparecia, mas era casual. Ela gostava de sol. Ele, de chuva.&lt;br /&gt;Fez uma semana de chuva. E, embora ela estivesse ficando embolorada, estava feliz, porque podia vê-lo sempre. Meio verdinha, por vezes um pouco amarelada, mas feliz. Ele não gostava dela assim. Achava meio esquisito tudo aquilo e não entendia porque ela não podia suportar a umidade que a chuva trazia. Eram incompatíveis!&lt;br /&gt;No domingo anoiteceu chovendo. Mas ao amanhecer, o sol veio com toda força. E ele desapareceu. Foram sete dias, terríveis. E, embora fizesse sol e ela estivesse recobrando a cor, por dentro ela continuava cada vez mais embolorada, tomada por completo por uma cor amarelada, feito icterícia. Era uma doença que dá em quem sente saudade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na semana seguinte, nem chuva nem sol. Foram sete dias de um indefinido clima, caracterizado por uma densa neblina. Eles ficaram brancos e sem mais desejos como os de aflição e angústia, gerados pela saudade insaciada. E conseguiam ser visíveis um para o outro, ainda que intocáveis. Às vezes, a neblina cobria uma parte ou outra do corpo, mas tão logo desnudava em um sempre prazer de ver e ser visto. De notar e ser notado. Experimentaram uma nova sensação: a de pertencimento. Não se tocavam, se viam por vezes em metades, mas eram inteiros e estavam ali, prontos, um para o outro. Apenas esperando que a neblina baixasse e nem sol nem chuva pairasse na Terra. Nem neblina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era outra coisa o que desejavam, mas isso ainda não existia. Quiçá um dia existiria. A neblina foi se tornando escassa no final do sexto dia. E os dois passaram a não ser mais tão nítidos um para o outro. Apareciam em pedaços, mas como condição e não casualidade. E entenderam o que era a neblina. Ela era a neblina dele; e ele, a dela. E decidiram para sempre ficar por lá, na atmosfera tão incerta, mas a única possível para aquela paixão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-4258070840225752677?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/4258070840225752677/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=4258070840225752677' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/4258070840225752677'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/4258070840225752677'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2010/06/as-impossibilidades-da-paixao.html' title='As (im)possibilidades da paixão'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-7409682000664849580</id><published>2010-04-09T19:46:00.003-03:00</published><updated>2010-04-09T19:51:35.586-03:00</updated><title type='text'>Não é irônico?</title><content type='html'>Maria amava João que amava Maria e cada um casou com aquele que não tinha nem entrado na história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria está nua por fora.&lt;br /&gt;Vestida por dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João está vestido por fora...&lt;br /&gt;Mas nu por dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria, Maria tem o palco.&lt;br /&gt;João tem a solidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;O texto acima foi escrito como comentário de um outro texto meu, por Daniela Dias, amiga, jornalista e poetisa. Com os devidos créditos e desculpas, peço-lhe licença para compartilhar. O irônico do título não é por causa da "quadrilha", utilizada como mote para o texto, mas como um texto escrito faz alguns meses, possa fazer tanto sentido agora. Tanto...É importante também salientar que, no momento em que o texto foi escrito, João e Maria eram meros personagens de uma fantasia. &lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-7409682000664849580?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/7409682000664849580/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=7409682000664849580' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/7409682000664849580'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/7409682000664849580'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2010/04/nao-e-ironico.html' title='Não é irônico?'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-2519391398316090390</id><published>2010-02-04T18:54:00.004-02:00</published><updated>2010-02-23T19:39:32.616-03:00</updated><title type='text'>Sobre a psicopatia nas relações amorosas</title><content type='html'>Uma pessoa de coração gelado pode amolecer quando se apaixona? Nesse caso, a pergunta seria outra: uma pessoa que não sente nada, pode gostar de si mesmo? E do outro? É interessante como tem gente covarde e dissimulada. Sao características psicopatas. A dissimulação é a mais latente. E a covardia, que é mãe da crueldade, como diria Montaigne, arrasa a vida de alguém. Como alguém pode dizer uma coisa em um dia e no seguinte mudar tudo? Não é honesto com ninguém. Será que uma pessoa dessas consegue ser feliz, de verdade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela havia escrito as palavras em um momento de ódio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um mês se passou e hoje ela encara de uma forma diferente o fato de ele tê-la deixando, simplesmente, falando sozinha. Uma louca! Socorro! Até parece...a sanidade está com ela. O equilíbrio nem tanto, mas quem precisa dele?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje ela entende que ele na verdade, e de verdade, não sabe o que aconteceu. É um garoto. E ela, uma mulher. Por mais que lute contra isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje ela entende que ele gostou dela e ofereceu o máximo do afeto que pode. Só que o máximo dele é muito pouco para ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje ela entende que ele ficou atordoado e não soube lidar com a mulher que sabia muito bem o queria. Ele, como todo garoto, gosta de iludir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje ela entende muita coisa. Ele continua não entendendo nada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-2519391398316090390?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/2519391398316090390/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=2519391398316090390' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/2519391398316090390'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/2519391398316090390'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2010/02/sobre-psicopatia-nas-relacoes-amorosas.html' title='Sobre a psicopatia nas relações amorosas'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-5374331789619023964</id><published>2009-12-07T17:09:00.007-02:00</published><updated>2009-12-07T17:40:33.963-02:00</updated><title type='text'>Hesitante</title><content type='html'>Hoje ela entendeu o que sente quem está prestes a dar cabo da vida. Ela seguia pelo viaduto Antonio Nakashima, no centro de São Paulo. Queria chegar a Marginal do Pinheiros, estava tão longe, estava tudo tão engarrafado, ela se perdeu nos pensamentos. O peito já doía na Vila Matilde, quando passava pela Radial em direção ao centro, há pelo menos 20 minutos. Imaginava que a dor era semelhante a de alguém em processo de infarto do miocárdio. Era angústia. Não conseguia compreender porque estava se sentindo tão só. Tudo bem que ele havia a deixado sem maiores explicações e já estava feliz em outro relacionamento. Faltavam peças àquele quebra-cabeça. Como alguém poderia ter o poder de arrasar a vida de alguém daquela maneira?&lt;br /&gt;Começou a transpirar. Ligou o ar-condicionado. Sentiu frio. Depois vieram os calafrios. O vidro meio aberto, depois meio fechado. Em seguida, fechado por completo. A música que tocava no rádio, "Bandeira", era uma de suas preferidas. Mas não conseguia ouvi-la. Tudo a incomodava. O sujeito que estava no carro ao lado estava dirigindo praticamente deitado. Como alguém conseguia tal proeza? O táxi que estava a sua frente não estava prestando atenção no trânsito. Quando o bloco de congestionamento se movia, o taxista demorava muito. Que irritante! No carrro de trás, repleto de jovens, ouvia-se música muito alta.&lt;br /&gt;Olhava o viaduto sobre o qual estava parada. Olhava distante o viaduto 25 de março. Tentava calcular a altura. Qual o melhor ponto para despencar. A queda teria que ser infalível, afinal de contas, não morrer e ficar inválida só atrapalharia mais ainda a vida dos outros. Era assim que pensava. Atestado de incompetência pular e não morrer. O fracasso não era apenas nos amores mal fadados, mas no intento de morrer. Isso não!&lt;br /&gt;Olhava a direção. Olhava o trânsito. Olhava o viaduto. Decidiu o ponto que pularia. Olhava para a porta. Pensava em sair e pular e acabar logo com tudo aquilo. Voltava para a realidade, respirava fundo. Olhava a direção, o relógio, o trânsito que não andava, sentia o o coração apertar, ânsia, muita dor de estômago. Colocou as mãos para a abrir a porta. Olhava para o céu nublado, a garoa típica de São Paulo. Olhava mais uma vez para os dois viadutos, fazia cálculos e comparação impossíveis de serem comprovadas. Respirou três vezes. Fechou os olhos. O coração doía muito. Pensou que, na verdade, o suicídio era uma fuga. Literalmente. O suicida não quer morrer. Ao menos não escolhe o caminho da morte e sim o da não vida. Nega a vida que leva. Quem dá cabo da vida está sofrendo, sente angústia, sente pesada a vida que leva. Mas isso não significa que pensa na morte. O impulso é de fuga: fugir da angústia que sente, que o persegue. A morte é a consequência do ato de procurar uma saída.&lt;br /&gt;Abriu os olhos. O trânsito andou mais um pouco. O telefone tocou: uma amiga. Sentiu culpa. Suicidas não sentem culpa. Percebeu que era uma fracassada como potencial suicida, bem como no amor, e desistiu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-5374331789619023964?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/5374331789619023964/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=5374331789619023964' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/5374331789619023964'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/5374331789619023964'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2009/12/hesitante.html' title='Hesitante'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-5616926364447681930</id><published>2009-11-19T01:01:00.007-02:00</published><updated>2009-11-23T19:00:49.334-02:00</updated><title type='text'>Os vizinhos</title><content type='html'>Eles tinham uma importância ímpar em minha vida. Engraçado que eu esqueci de dizer aquilo quando eles vieram para a despedida que toda a turma do bairro havia organizado. Era outubro de 1973, fazia um sol de primavera tão bonito e quele dia até escureceu um pouco mais tarde. Meus vizinhos partiriam no dia seguinte para uma outra cidade, no sul do Mato Grosso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como eu era filho único acabei me apegando muito a eles. Nas minhas memórias mais remotas da infância eles já estavam presentes. Simplesmente não lembro de existir sem que eles também existissem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles eram em três. Formamos o quarteto fantástico com a minha chegada ao grupo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, numa quinta-feira tão tola quanto essa história, eles foram embora. Me deixaram em um bilhete escrito em papel de pão o endereço da nova morada para que pudéssemos nos corresponder. Eu nunca mais pisei no correio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando decidi que queria cursar psicologia, fui muito criticado. Diziam que eu queria me tratar, vê se pode? Os anos de faculdade passaram tão rápido, que nem deu tempo de ter saudade. Acabei indo para a área de atendimento em clínica. Congnitivista. Aprendi que a gente deve aprender com os erros nesse direcionamento psicológico que adotei, mas nunca consegui colocar tal intento em prática. No mínimo, curioso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na época do estágio conclusivo, me deparei com uma dificuldade qualquer no encaminhamento do tratamento de um paciente. Minha supervisora disse para eu procurar outro tipo de terapia para meu auto conhecimento, pois o tratamento a que eu estava me subtendo para não enlouquecer com a história de vida do outro, não estava funcionando. Eu não passaria do estágio se não desse prosseguimento ao tratamento do meu paciente, mas simplesmente não conseguia. Algo não identificado aparecia como obstáculo. Passei por uma analista, por um Jungiano, um behaviorista radical, mas ninguém resolvia meu problema. Continuava tratando o paciente que me incomodava. E o incômodo advinha da semelhança entre as histórias de vida minha e dele. O paciente havia negligenciado as lembranças de alguém que gostava muito. E se torturava por isso. Acabei passando o paciente adiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Ele estava beirando os 30 anos, e aquela ideia de negligência o perseguia. Numa conversa informal com um amigo da faculdade teve o &lt;em&gt;insight: &lt;/em&gt;precisava se reconciliar com seu passado. Mas como encontraria os seus vizinhos se aquele papel de pão amassado foi jogado no lixo tão logo o caminhão de mudança dobrou a esquina?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha os nomes e iniciou sua busca. O ano era 1992 e o computador ainda era privilégio de alguns poucos novos ricos. Comunidades virtuais como existem hoje, coisa de ficção, realidade improvável. Encontrou em uma lista telefônica o que procurava. Telefonou. O telefone era alugado. Mas os locatários sabiam o telefone da família. Precisou insistir muito, inventar uma boa história para conseguir aquele número de telefone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;**&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Liguei. Ao som do Alô reconheci a voz de Dona Marta. Um pouco fraca, envelhecida de certo, mas inconfundível. Me identifiquei. Ela se calou por alguns segundos. Pensei que a ligação pudesse ter caído. Insisti. A voz ficou hesitante. Dona Marta adotou um tom grave à conversa. "O que quer depois de tanto tempo?". Fiquei pensando que ela estaria fazendo tempestade num copo d'água. "Pô, éramos apenas crianças", pensei. Mas saiu alto. "Sim, mas Laura esperou você ligar, escrever uma carta, esperou durante anos. E isso nunca aconteceu".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era injustificável. Qualquer coisa que dissesse não poderia aplacar todo o desapontamento que causei aos integrantes do quarteto fantástico. Resolvi ser sincero. Disse que precisava resolver essa questão que havia ficado aberta e me prendia ao passado. Ela foi mudando o tom, acho que por pena. E permitiu que conversasse com seus filhos. Seu Teixeira havia falecido no ano anterior. Laura havia se casado. Marcos tinha um filho, mas estava solteiro. Juliano, o mais novo, estava estudando medicina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Liguei primeiro para Laura. Ela foi tão natural, que todo o peso daquela espera, daquela dor de menina que esperou o príncipe encantado por anos, ficou para mim. Era uma voz de mulher, mas o jeito da menina que vi pela última vez. Como se do dia da mudança para aquela ligação houvesse passado apenas dois dias, no máximo, uma semana. Combinei um reencontro. Pedi que avisasse os dois irmãos. Tive receio de que me achassem um maluco completo e desprezassem aquele momento. Mas estava enganado. Não apenas Laura, como os irmãos foram ao meu encontro na data e horário combinados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de 19 anos, estava indo ao encontro de um passado que me atormentava como homem. E o engraçado é que não eram pelas pessoas, mas pela covardia, pela negligência, pelo péssimo hábito que adquirimos ao longo da vida de pensar que não precisamos de ninguém, que as relações devem ser circunstanciais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O abraço foi longo. Tinha tanta coisa para conversar, mas, ao mesmo tempo, não tinha nada de assunto. Aquelas pessoas não faziam parte da minha vida. Porque eu não quis. Apenas por isso. Estávamos nos conhecendo naquele instante. Engraçado haver carinho, querer bem, mas não haver qualquer identidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficou alguma coisa daquele encontro. Não era amizade. Era, no máximo, uma ideia do que poderia ter sido uma amizade prá vida inteira. E agora tenho para quem mandar cartões de natal todo ano. E ligar nos aniversários. Só não consigo ainda acertar o da filha de Laura. Mas acho que ela não se importa tanto assim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-5616926364447681930?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/5616926364447681930/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=5616926364447681930' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/5616926364447681930'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/5616926364447681930'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2009/11/os-vizinhos.html' title='Os vizinhos'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-2348626356448972567</id><published>2009-11-16T14:38:00.002-02:00</published><updated>2009-11-16T14:47:36.621-02:00</updated><title type='text'>Ser desequilibrada...</title><content type='html'>... é uma questão de ponto de vista. Nem sempre a sua reação diante de um problema é considerada a ideal pelas pessoas que te cercam. Pode ser o inesperado, um ato de desespero. Mas é uma reação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sendo assim, partiu de uma ação. E é aí que se deve focar a análise do problema. Sou do tipo que não acredita em meio termo, nem em indecisão. Algo é ou não é – ponto. Aliás, as não-respostas me irritam. Resposta retórica, resposta-pergunta. Tudo que não é direto. Aí, me sinto no direito de surtar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que existe de mais peculiar e, ao mesmo tempo, &lt;em&gt;sinistro&lt;/em&gt; no amor, é que temos a mania de buscar qualquer esperança para manter vivo o que sentimos; qualquer beira de pano para enroscar os dedos. Essa, aliás, é uma mania que tenho desde pequena: quando preciso me sentir segura, logo me pego mexendo algo entre os dedos, seja a barra da camiseta ou da saia ou uma ponta da toalha da mesa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é ter a tal ponta para enroscar os dedos, mas achar que nas outras três pontas, outras pessoas fazem o mesmo. E quando perguntar se a desconfiança confere, duvidar dela. &lt;em&gt;Querer&lt;/em&gt; desacreditar nela. Só &lt;em&gt;confiar&lt;/em&gt; no olhar sincero visto nas primeiras horas da manhã ao acordar ao lado de alguém querido, no braço que te procura à noite e te puxa para perto, no coração que se acalma com o beijo de boa noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Esse texto é de autoria de Ana Paula Rodrigues, jornalista, parceira de Rádio SulAmérica Trânsito e de boas conversas, que não deveriam terminar nunca.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-2348626356448972567?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/2348626356448972567/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=2348626356448972567' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/2348626356448972567'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/2348626356448972567'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2009/11/ser-desequilibrada.html' title='Ser desequilibrada...'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-5166262207601395244</id><published>2009-10-22T00:21:00.004-02:00</published><updated>2009-10-22T17:18:44.687-02:00</updated><title type='text'>Estrela da vida inteira</title><content type='html'>Era a rotina. Por volta das nove e meia da noite, o filho ia escovar os dentes e, rapidamente, se aninhava debaixo das cobertas, ouvidos bem abertos para a história que a mãe ia contar. Todo dia uma história nova. Algumas se encontrava em bons livros de fábulas infantis. A maioria vinha da imaginação daquela mãe. Algumas poucas assinalavam verdades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história daquela noite seria do garoto Paulo. Ela contava que toda noite, antes de se deitar, ele abria a janela do seu quarto e ficava a contar estrelas. Queria saber se todas elas estariam sempre ali, naquele mesmo lugar. Se algumas partiriam, se outras novas chegariam. Incrível, mas com diferença de duas, no máximo três estrelas, todo dia a contagem era a mesma. Estavam todas lá, a espera do olhar de vida a ser lançado ao brilho incomparável de uma estrela. Talvez, apenas comparável a alegria de viver que tinha aquele olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele gostava do dia, mas apenas quando fazia sol, porque o brilho do sol transmitia vida. Tal como o das estrelas, que ele procurava visitar toda noite. Mas as estrelas tinham com ele uma relação mais próxima dos desejos. Imagina só, toda a sorte de sonhos a serem realizados, juntos, ocupando o céu de Paulo, na forma de estrelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, o sol apareceu completamente coberto por nuvens. E dentro do garoto Paulo apareceu um espaço ocupado imediatamente por uma densa escuridão. Mas ele não se deixou abater. Os poucos fios de sol que apareciam de vez em quando entre as nuvens, tapavam pouco a pouco esse buraco. A luta ficava cada vez mais difícil. As semanas iam passando e os raios de sol iam se enfraquecendo, e o buraco ia aumentando. Mas Paulo não desistia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa terça-feira, o sol não apareceu. Paulo aguardou ansioso a chegada da noite. As estrelas certamente estariam repletas do impulso de vida. Mas as estrelas não estavam lá. Paulo precisou subir até o céu para descortinar aquela escuridão. E não voltou mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sol voltou a brilhar na quarta-feira, mais vivo e forte. Quanto as estrelas, olhe ainda essa noite pela janela do seu quarto e verá Paulo brilhando no céu, tal como as estrelas que admirava. Mesmo chovendo ele estará lá. Bem pertinho da lua, todo vaidoso e cheio de si. A maior de todas. Ele é estrela da vida inteira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o filho entendeu que as pessoas vem e vão. Nos dois movimentos, quase sempre de forma repentina. E a gente deve sempre optar pela vida, não importa em que plano seja essa vida. Paulo vive.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Homenagem ao amigo Paulo Américo, colega de profissão, com quem aprendi recentemente e de forma dolorida o quanto é importante acreditarmos e amarmos a vida, não deixarmos nada para amanhã e termos perseverança. Ele amou, viveu, lutou e aconteceu durante o tempo que teve aqui na terra. E deixou saudades e admiradores eternos. Eu sou uma delas. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-5166262207601395244?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/5166262207601395244/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=5166262207601395244' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/5166262207601395244'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/5166262207601395244'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2009/10/estrela-da-vida-inteira.html' title='Estrela da vida inteira'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-3873804214399233139</id><published>2009-10-01T00:43:00.008-03:00</published><updated>2009-10-08T16:23:25.298-03:00</updated><title type='text'>A parte da personagem que nos cabe</title><content type='html'>Eu não acredito mais no amor. Era assim que a peça começava. João e Maria. Mas não aquela história do casal pré-adolescente que foge pela floresta colocando no caminho migalhas de pão que em seguida são devoradas sem piedade por pássaros selvagens. Não! Não tinha nada de conto de fadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Era a décima desilusão que ela sofria e prometera, enfim, para ela mesma, nunca mais acreditar em palavras de afeto ou juras de amor. De algumas se lembrava; outras, preferiu esquecer. Ela lembrava de um amor adolescente, que abandonou e depois se arrependeu irremediavelmente. Mas ele não a quis mais.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João amava Maria. E Maria amava João. Tudo certo e resolvido? Não. Eles não podiam ficar juntos. Porque João tinha uma Ana. Mas não amava Ana, amava Maria. E porque não ficavam juntos? Porque as grandes paixões não têm um final feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ela penou para superar essa rejeição, mas conseguiu, com certo êxito. E veio outra grande paixão. Ele tinha uma filha, fruto de um relacionamento ainda latente, mas decidiu esconder essa verdade tão importante, tão fundamental. Aconteceu o que sempre acontece na vida real: ela o viu passeando no parque com a garotinha, que não devia ter nem cinco anos completos. Na fila do sorvete, observava a cena a certa distância, quando ouviu cada letra da palavra: "Papai!"&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João e Maria eram amigos. E só. Pelo menos era o que vinha a público. O segredo tão óbvio era dividido entre os dois. E só. Se amavam tanto, que Maria aceitava encontra-lo às escondidas. Ele prometia que iria assumi-la, mas precisava de um tempo para resolver a situação com Ana. Ela esperou por dias, semanas, meses...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ela jurou que nunca mais iria acreditar nos homens. Que tudo o que diziam ser verdade eram mentiras e as próprias mentiras eram mentiras. Mas deu crédito ao amor. Para ela, encontrar alguém passou a ser questão de honra. Se apaixonou por alguém que tão logo a desprezou. O vazio foi ocupado por uma carência que a fez cega. E ela engatou namoro com o primeiro que apareceu. No início ia tudo bem e ela pensou conseguir respirar aliviada. Nem um ano se passou e ele passou a bater nela. Desistiu.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em nove meses, nascia o filho de Ana e João. E ficava cada vez mais difícil João dizer a Ana que não a amava. Que queria estar ao lado de Maria. Os laços entre os dois ficavam cada vez mais fortes. Maria pedia garantias, João deixou de dá-las. Maria ainda acreditou que tudo pudesse se resolver, e tinha, em seu íntimo, uma sensação de que tudo iria acabar bem. Mas se enganou. Mais uma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mais machucada por dentro que por fora, quando menos esperava e de onde menos esperava, veio o amor. Ele confidenciou a ela, que sempre fora apaixonado, só estava esperando o momento certo. Era aquele. Apesar de sempre muito confuso, ela acreditava no amor que ele sentia. Todos os amigos debochavam da mulher sonhadora em que tinha se transformado. Todos diziam que ele só queria enganá-la. Ela o defendia e acreditava na verdade do sentimento que ele nutria. Se declarou desejosa de ter uma vida ao lado dele. Ele negou. Disse que, na verdade, não gostava tanto assim dela. Determinada a esquecê-lo, ela foi se machucando e se fechando a outras possibilidades. Mas ia esquecê-lo, de qualquer maneira.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de cinco longos invernos eles enfim se encontraram. Era primavera e ele lhe trouxe um ramalhete de rosas vermelhas, as suas preferidas. Ela agradeceu e o recebeu com um beijo no rosto. João achou Maria fria. Maria disse que o clima mudava bastante naquela região. Ele a beijou, ela consentiu. Em seguida, disse que finalmente havia tomado coragem de se separar de Ana e que, agora, poderiam viver o grande amor que sentiam um pelo outro. Maria, tão machucada quanto amadurecida pelos anos de espera, simplesmente levantou e saiu. Dizem que o amor existia, mas não aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Logo ele estava namorando outra pessoa. E ela tentava, em vão, esquecê-lo. Mas ele não sabia nem metade do seu sofrimento. Fingia sempre estar bem. E começou a se acostumar com a ideia de não tê-lo. E a paixão que sentia foi se reduzindo às memórias das poucas vezes em que ficaram juntos. E ela se conformou. E justamente três dias depois, recebeu uma mensagem dele: "Você é uma mulher incrível. Mas eu sou um fraco falível. Você prá mim foi um sonho irrealizável. Não parece, mas, na verdade, te amo."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;A personagem caminhou devagar até o procênio, se despiu. Levantou o rosto. Era a atriz: "Eu não acredito mais no amor".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-3873804214399233139?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/3873804214399233139/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=3873804214399233139' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/3873804214399233139'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/3873804214399233139'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2009/10/parte-da-personagem-que-nos-cabe.html' title='A parte da personagem que nos cabe'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-4832376214820731305</id><published>2009-08-10T16:32:00.002-03:00</published><updated>2009-08-10T17:18:22.221-03:00</updated><title type='text'>O esvaziamento dos movimentos sociais</title><content type='html'>Segunda-feira, 6h30. Rodovia Anhangüera com trânsito acima do normal sentido São Paulo. Um grupo de pelo menos 700 integrantes do MST (Movimento do Sem-Terra) marchavam rumo a zona oeste da capital. O destino era o Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho, o Pacaembu. Manifestação pacífica e tudo correndo dentro do planejado. O itinerário seria Ponte Atílio Fontana, Monte Pascal, Brigadeiro Gavião Peixoto, Barão de Jundiaí, Rua Clélia, Francisco Matarazzo e Avenida Pacaembu até chegar a Praça Charles Miller. E assim foi feito. E a Polícia Militar escoltou o grupo de manifestantes fazendo com que a passeata fosse bastante ordeira e na maior parte do tempo ocupasse apenas uma faixa na via.&lt;br /&gt;Eles reinvindicavam a reabertura da pauta de discussões acerca da Reforma Agrária. Um problema social.&lt;br /&gt;Ao longo da passeata vi alguns manifestantes abordando os veículos que estavam travados no congestionamento, que se formava por toda a zona oeste, para pedir dinheiro. Um problema social que também não deixa de ser caso de polícia. Na chegada dos manifestantes a Praça Charles Miller soube que eles acampariam no Ginásio do Pacaembu e lá permanecerão até sexta-feira. Observei que muitos "manifestantes" estavam chegando em seus veículos particulares. E o pior, apenas um ocupante em cada veículo. Seria uma estratégia para atrapalhar mais ainda o já caótico trânsito e chamar atenção para a causa? Duvido um pouco...&lt;br /&gt;E fiquei pensando duas coisas: essas 700 pessoas são desempregadas. Isso é um fato, uma vez que se eu dissesse para meu chefe que passaria uma semana em outra cidade e faltaria cinco dias do serviço seria demitida. Simples assim. Não consigo perceber de que forma esse tipo de mobilização pode mudar, curar o câncer que é a questão agrária no Brasil.&lt;br /&gt;Dessa forma, não consigo separar o joio do trigo. Não consigo diferenciar os Sem-Terra, dos flanelinhas e dos usuários de crack que se proliferam no centro de São Paulo. É um problema social, mas também um caso de polícia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-4832376214820731305?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/4832376214820731305/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=4832376214820731305' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/4832376214820731305'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/4832376214820731305'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2009/08/o-esvaziamento-dos-movimentos-sociais.html' title='O esvaziamento dos movimentos sociais'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-9113500699611279629</id><published>2009-08-10T00:22:00.004-03:00</published><updated>2009-08-10T00:54:17.002-03:00</updated><title type='text'>Sobre poder e solidão</title><content type='html'>Um homem preto, pobre e sem perspectivas transforma-se em um dos maiores expoentes da música dançante brasileira - a pilantragem, no sentido literal, ainda que alguns críticos desprezem essa classificação, e no figurado - e também da bossa nova no final da década de 60. Esse homem tem nome e sobrenome: Wilson Simonal. O documentário &lt;em&gt;Simonal - Ninguém sabe o duro que eu dei &lt;/em&gt;vem para prestar um justa, ainda que póstuma, homenagem.&lt;br /&gt;É pequeno limitar-se a discutir se ele foi ou não um dedo-duro, um X9, enfim, um autêntico filho da puta. É grandioso e importante para as gerações que estão aí e as que virão sabermos da importância musical de Simonal. A overdose de ostracismo a que ele foi submetido a &lt;em&gt;fórceps&lt;/em&gt; encerrou no alcolismo um grande artista brasileiro e impediu que os filhos da década de 80 (no caso eu) conhecesse o cara que virou a mesa, que, a partir do nada, criou tudo. Isso que fica para quem vai ver o filme.&lt;br /&gt;Os militares no início dos anos 70 estavam cada vez mais impopulares, lembrando que em 1965 foi decretado o AI5 e reduziu a pó o pouco de liberdade de expressão que ainda resistia. Simonal era querido pelas massas. Além da fama, tinha dinheiro. Essa simples conta (fama+dinheiro) resultam em poder. Foi ingênuo. Um pouco mais que isso: foi ignorante. Mas não era nem possível esperar outra atitude dele: um cara que nunca teve nada e de repente tem tudo. Quem consegue manter o equilíbrio das emoções que atire a primeira pedra. Foi perverso e usou sim o poder que tinha para dar uma lição no, à época, contador Raphael Viviani, a quem atribuía a culpa pelo rombo nas finanças. Quanto a isso eu declaro: Simonal é culpado. Prevaricou, no sentido moral do significado de tal expressão. Foi anti-ético ao fazer uso do poder e influência em favorecimento de interesses pessoais. E era uma pessoa pública.&lt;br /&gt;Agora, a partir daí, o empenho em ligar Simonal so DOPS é pura abstração, pura piração, quase uma palhaçada. Se ele foi ou não, caberia tão somente a ele saber. O que está em discussão é a ligação esdruxúla que fizeram entre um fato (o de um astro mimado, ansioso por ter seus desejos atendidos) e uma suposição (que ele fosse informante do serviço de repressão da ditadura militar).&lt;br /&gt;Foi sistematicamente boicotado pela classe artística, principalmente pelos que faziam parte da questionável esquerda. E percebeu que estava só. Percebeu que não tinha ninguém, que na verdade não tinha amigos. Vivia cercado de gente, e cego pela fama, não percebeu que não cultivara relacionamentos sólidos. E o poder agora o deixava só.&lt;br /&gt;O resto todo mundo sabe. Ou melhor, não sabe. Simonal morreu em 2000 e eu sequer me lembro dele. Sequer sei que influenciou o entretenimento da época, o conceito musical, quebrou barreiras e tinha um poder hipnotizante diante de uma platéia de mais de 50 mil pessoas (coisa rara para época, que ostentava esse número em platéias apenas nos Grandes Festivais).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"É terrível ver um homem dotado de gênio vitimado por um regime, esmagado por ele até aceitar seu destino como se fosse algo normal", disse o filósofo Isaiah Berlin. A frase diz respeito ao compositor erudito Chostakóvitch e a opressão que sofreu do Regime Soviético, mas se encaixa perfeitamente ao que imagino ser a cilada em que se meteu o malandro e malemolente Simonal. É nisso que acredito, com apenas uma ressalva: ele não foi vítima direta do regime, mas da própria soberba e da ignorância política com que se relacionou com a ditadura. Por puro capricho e desejo de cada vez mais ter mais poder.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-9113500699611279629?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/9113500699611279629/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=9113500699611279629' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/9113500699611279629'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/9113500699611279629'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2009/08/sobre-poder-e-solidao.html' title='Sobre poder e solidão'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-38556721322439388</id><published>2009-07-29T03:20:00.005-03:00</published><updated>2009-10-29T01:47:48.521-02:00</updated><title type='text'>amar dói</title><content type='html'>Saíram da festa tão bêbados quanto conscientes. Ainda bem. Em tempos de "lei seca ao volante" não é bom facilitar. Ela estava com mais duas amigas. Ele pediu carona. Não teve como negar. Mas ela estava muito determinada a não ceder às investidas. Que na verdade poderiam ou não vir. Assim, bem confuso, como ele costumava ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegaram na lanchonete. As duas amigas que estavam no banco traseiro deixaram o carro rapidamente. Ela foi deixar o carro, mas acabou impedida. Ele disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acabou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu vi ela beijando outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, não. De novo não. Acha mesmo que eu mereço?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, não...é que não sei...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Novidade! Você nunca sabe de nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não sei se saio do carro ou te beijo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E o que uma coisa tem a ver com a outra?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tem que agora estou livre de verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Engana-se. Agora que começou teu problema. Vai querer saber de todo jeito quem é esse cara, o que ele tem que você não tem, como ela pode te esquecer tão rápido e se um dia poderá se sentir como ela se sente, ou seja, feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Isso é tolice. Coisas de mulher!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Coisa de ser humano. Que ama. E falando nisso, se o seu problema está começando, como podemos perceber, o meu acabou de terminar: não sei quanto a você, mas eu vou sair do carro, tomar meu lanche e não vou mais falar disso com você, ok?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Silêncio. Ela abriu a porta e saiu do carro. Ele permaneceu lá dentro por alguns segundos. Ela bateu forte a porta, cerrou os olhos em arrependimento e começou a chorar. Amar dói. Ainda mais quando aquele a quem se ama não sabe corresponder.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-38556721322439388?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/38556721322439388/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=38556721322439388' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/38556721322439388'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/38556721322439388'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2009/07/amar-doi.html' title='amar dói'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-6691255278873424560</id><published>2009-06-15T01:11:00.005-03:00</published><updated>2009-07-20T05:11:36.588-03:00</updated><title type='text'>Sobre bobagens tão necessárias</title><content type='html'>O sentimento que temos por alguém nunca é nosso. Ele pertence a outra pessoa. E deve ser entregue a ela. Depois, ela faz com ele o que bem entender. Mas esse processo deve acontecer. Foi pensando nisso, que ela o procurou. Primeiro seria um chá, mas ficou tão tarde. Em todos os sentidos. Não para ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por que isso agora? Você me disse ao telefone que não era nada urgente porém necessário...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Exato...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E então?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Está sendo difícil para mim. É sempre difícil se expôr dessa forma, mas vou tentar. Sabe, muita coisa aconteceu nesses últimos meses, muita linha cruzada, muito vacilo, enfim. Mas precisava lhe falar, sabe, para que eu possa voltar a viver. Tenho muitas coisas a resolver na minha vida e uma delas inclui a gente, ou melhor, você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu sou completamente apaixonada por você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enrugou a testa, como se tivesse acabado de ouvir um furo de reportagem. Só um babaca não teria percebido AINDA que esse sentimento existia. E como existia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não vai dizer que não sabia, eu dei muito na cara o tempo todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, você sinalizou mesmo, mas por que não veio ter essa conversa antes. Acho anacrônico termos isso agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Me desculpe, mas discordo conceitualmente de você. Um sentimento legítimo nunca fica anacrônico. Fatos e objetos podem ser anacrônicos. Coisas palpáveis. A paixão tem essa propriedade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tudo bem. Ok. Já fui apaixonado por você, mas agora, não há mais nada. Por isso digo que é anacrônico. Tive o encantamento que se quebrou. Vejo um descompasso em tudo isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quebrou por quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas existiu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim...Ou pelo menos eu acho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Incrível como ela sabia o que queria. E como. E ele estava perdido. E como. Ele continua...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sabe, acho que até hoje não amei ninguém. Amo a ideia do que poderia ser o amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela pensava: "Eu, eu!... aqui, o amor bem aqui, olha prá esse lado....um pouco mais para o lado direito". E no milésimo de segundo seguinte se sentiu tola. Sentiu raiva, ódio mortal. Quase disse: "Olha, então fica com a sua ideia de amor aí, essa punheta sentimental, que eu vou VIVER o amor. Vou me lançar, vou arriscar. Daqui uns anos a gente se encontra e vê quem é mais feliz, pode ser?". Mas não conseguiu. Sentiu pena. E quis humanizar a conversa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu também sinto isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não babaca, eu amo você. De verdade.", quis dizer num ímpeto. Mas segurou as pontas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim. É normal. Até você encontrar a pessoa certa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É... pode ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Posso pedir a conta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não quer tomar mais uma cerveja?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É outra conta. A das nossas vidas. Não quero vê-lo mais. Preciso disso, ok?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele pediu um abraço e agradeceu a sinceridade. Ela consentiu. Foram embora. Algum tempo depois ele foi procura-la. Não pagou a conta. Disse umas bobagens para ela acreditar o quanto era bonita e sensacional. Mas essa conta ela tinha pago. Não cedeu. Ela quer apenas um companheiro (=amor). Ele quer apenas que ela supra a carência afetiva dele (=vaidade). Não gosta dela. Na verdade, quer apenas alimentar esse sentimento para não ficar tão só. Vazio já está faz algum tempo. Bobagem!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-6691255278873424560?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/6691255278873424560/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=6691255278873424560' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/6691255278873424560'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/6691255278873424560'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2009/06/sobre-bobagens-tao-necessarias.html' title='Sobre bobagens tão necessárias'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-8431686395044762679</id><published>2009-05-26T18:30:00.010-03:00</published><updated>2009-10-29T01:48:33.745-02:00</updated><title type='text'>Carta ao não amor</title><content type='html'>Querido,&lt;br /&gt;Me faltou coragem. Por isso escrevi, em vez de falar. Você me machucou tanto, que nunca pensei que fosse de verdade. Cheguei a pensar que em algum momento você iria dizer: acabou, era tudo brincadeira! Vamos ser felizes, agora? Mas você teve medo. O que iria acontecer depois? Te digo que eu não sei. E não importa. O primeiro passo é se permitir. Se permitir se entregar e receber a entrega do outro. E jurei tanto que não iria me entregar, que tinha o controle da situação, mas já era tarde. Estou apaixonada. E você disse que estava também. Isso de alguma forma significou reciprocidade, mas não era. E a única coisa que eu quero muito saber é: por que você mentiu prá mim? Teve pena de mim, só pode ter sido isso. Mas continuou na mentira, e isso é muito pior. Roubou alguns beijos, ligou, mandou mensagem, me fez acreditar que estavamos diante de uma centelha de um possível amor. Amor que precisava ser permitido para acontecer. Uma parte permitiu e a outra não. Você apenas permitiu idealizar e vive daquele espectro que foi o passado. Você é uma cara tão decente, tão transparente, ouso dizer ingênuo, às vezes. Não usa máscara de jeito maneira. Nunquinha. E, no entanto, insiste em ir atrás dela.&lt;br /&gt;Não queria ouvir que você era apaixonado por mim. Queria a verdade, ou ao menos, a honestidade. Não tive. E doeu tanto. E dói tanto. Mas vai passar. Não consigo, no entanto, desejar que você seja feliz. Sim, desculpe, é uma fraqueza minha. Mas não consigo. Quero que você se ferre bastante. E que sinta bastante dor também. E que essa dor da alma extravaze e se torne uma dor física. Na garganta. Ou no dente. Como as minhas dores de ontem e de hoje. Meu cotovelo dói bastante também. Mas esse acho que foi mal jeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem mais, mas com o carinho de sempre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-8431686395044762679?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/8431686395044762679/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=8431686395044762679' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/8431686395044762679'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/8431686395044762679'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2009/05/carta-ao-nao-amor.html' title='Carta ao não amor'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-5485314115558458044</id><published>2009-05-10T01:32:00.000-03:00</published><updated>2009-05-10T02:47:35.249-03:00</updated><title type='text'>Sentir-se vivo</title><content type='html'>Tinha uma rosa nas mãos, embrulhada naqueles papéis de gosto duvidoso, mas que todas as floriculturas gostam e usam. Era a autêntica dama de vermelho. Trajava um vetido inteiriço, de crepe e três saiotes, todo vermelho. Vermelho carmim, vermelho fogo. As meias eram cor da pele, para apenas disfarçar as marcas do tempo, que não são aparentes apenas no rosto, nas óbvias rugas, mas no corpo todo. Os cabelos, cinzentos, quase brancos. Batom rosa na boca, lápis preto no olho, brincos iguais ao colar, de pérolas compradas na Galeria Pajé, e um sapato preto com 4 centímetros de salto. Estava no ponto de ônibus do corredor da Av. Francisco Matarazzo. Devia ter uns 70 anos. Ou mais. Senti pena num primeiro momento. Onde ela estaria indo? Porque, apesar de bem vestida, produzida, parecia tão abandonada?&lt;br /&gt;E, absorta nesses pensamentos, presenciei uma das cenas mais bonitas, mais singelas, mais puras. Ao virar um pouco mais a cabeça para o lado esquerdo, notei um Monza 89, um pouco atrás de onde eu estava. O semáforo estava no vermelho. E, quando atentei para aquele homem, de 70 anos, ou mais, ele estava flertando com a senhora do ponto de ônibus. Olhava para aquela mulher, muito mais do que desejo, era a sensação de estarem vivos que estava latente. Ativos. Eu fitei aquela cena por alguns minutos, e, de tão sincera e bonita aquela descoberta diante de meus olhos, não queria que acabasse nunca. Queria ver se ela iria até o carro para falar com ele. Ou ele a convidaria para um passeio. A troca de olhares aconteceu, ela notou que estava sendo paquerada, se arrumou diante do pretendente, cheirou a flor, se debruçou sobre o gradil do corredor de ônibus, fingindo não estar nem aí. Ele, colocou o cotovelo para força e encarou-a na cara larga, como dizem por aí. Mas a necessidade do momento não era de uma paixão latente, um amor para recordar. A necessidade objetivamente foi cumprida: a sensação de estar vivo. O sinal abriu. O carros começaram a andar. Ela ficou no ponto de ônibus. Ele fechou o vidro do monza e saiu. O encontro nunca aconteceu. Mas como tinha vida naqueles olhares. Como pode haver tanta vida em alguns minutos banais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-5485314115558458044?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/5485314115558458044/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=5485314115558458044' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/5485314115558458044'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/5485314115558458044'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2009/05/sentir-se-vivo.html' title='Sentir-se vivo'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-2465462397123686511</id><published>2009-04-07T00:49:00.004-03:00</published><updated>2009-04-07T01:55:27.463-03:00</updated><title type='text'>Sobre transtornos em qualquer idade</title><content type='html'>Chamaram mamãe de novo no colégio. Não conseguia fazer aquele exercício de matemática e a professora perdeu a paciência comigo, depois que perguntei pela 14ª vez, porque o delta era simbolizado por um triângulo.&lt;br /&gt;- É apenas um símbolo.&lt;br /&gt;- Mas poderia ser um quadrado então, não poderia?&lt;br /&gt;- Já chega! - gritou, e num sussurro - Você é um garoto estranho mesmo...&lt;br /&gt;Todos riram. Me senti humilhado. Como quando você erra o chute na cara do gol, depois de um passe perfeito. Ou quando vai tirar a garota prá dançar e recebe uma negativa na frente de todo mundo. O Cabelo, que por sinal era a pessoa mais desprezível do colégio, sentava bem ao meu lado. Veio e falou, baixinho:&lt;br /&gt;- Imbecil!&lt;br /&gt;E cuspiu na minha cara.&lt;br /&gt;Perdi as estribeiras. Levantei, peguei minha cadeira e joguei na cabeça dele. Era para machucar. E machucou. Ele desmaiou e os cabelos se tingiram de vermelho em poucos minutos. Fiquei parado, atônito. E fui levado para a diretoria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas vezes por semana, mamãe era chamada na escola. Eu tinha DDA (Distúrbio do Déficit de Atenção ou TDA (só que aí troca Distúrbio por Transtorno), mas não era com Hiperatividade, e ninguém me entendia nunca. Tinha dificuldades em me concentrar naquela aula chata de matemática ou no falatório que era a aula de História. Era o professor começar: "Antonio Conselheiro foi como ficou conhecido na Guerra de Canud..." e logo já pensava que tinha futebol às 16 horas no campinho perto de casa e que o Mauricio ia me ligar prá gente andar de bicicleta e que a Julia topou tomar sorvete comigo depois da aula. Coisas tão mais úteis do que aquela história de Guerra que teve até Conselheiro e Canudo no meio. Minhas perguntas eram sempre desprezadas pelos meus colegas e eu era sistematicamente ridicularizado pelos professores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você tem que tomar jeito, menino - era o que minha mãe sempre dizia&lt;br /&gt;- Mas o professor acha que estou tirando sarro, mas, mas é dúvida mesmo...&lt;br /&gt;- O professor sempre tem razão. Dizem que seus colegas sempre riem do que diz, se quer ser palhaço vou te colocar num circo.&lt;br /&gt;- Mas mãe...&lt;br /&gt;- Cala a boca, menino, antes que eu perca o resto de paciência que me resta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era o discurso pronto, de sempre. Eu gostava mesmo é de jogar conversa fora. O Seu Antenor, um velhinho simpático, vizinho de casa, era o meu principal interlocutor. Adorava ouvir suas histórias. E ele queria sempre saber das minhas. Falávamos de tudo: das estrelas, do movimento dos astros, de futebol, dos mecanismos da correia dentada, da teoria da relatividade e da lei da gravidade.&lt;br /&gt;- Você é um incompreendido, garoto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não entendia direito o que o Seu Antenor queria dizer, quando me dizia aquilo, mas, de certa forma, aquelas palavras me traziam consolo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela manhã, mamãe chegou na escola cheia de pressa. Eu já estava a sua espera na sala da diretoria. Pelo ar grave, percebi que, dessa vez, não sairia barato. Quando nos encontramos ela me fez um aceno e me fuzilou com o olhar. Se aproximou, me deu um beijo na testa e apertou forte meu braço direito. Sussurrou alguma coisa que eu não consegui ouvir, porque bem naquela hora, na janela do diretor, pousou um bem-te-vi e começou a cantar. E eu adoro pássaros, e eu adoro bem-te-vis. São simpáticos. Dentro da sala, era um blá-blá-blá que não terminava mais.&lt;br /&gt;- Entendo os problemas que você passa tendo um filho como ele, mas ele extrapolou todos os limites do bom senso e do convívio social.&lt;br /&gt;Opa! Estão falando de mim.&lt;br /&gt;Minha mãe aumentou o tom de voz:&lt;br /&gt;- Você está insinuando que meu filho é um assassino em potencial? Foi coisa de criança, não percebe?&lt;br /&gt;O diretor aumentou mais ainda.&lt;br /&gt;- A permanência dele na escola é insustentável. Sendo assim, peço que a senhora procure outra instituição de ensino.&lt;br /&gt;Minha mãe abaixou a cabeça e consentiu. E o caso foi dado por encerrado. Nem se despediu. Ela me pegou pela mão esquerda e foi me puxando para fora da sala e em seguida para fora do colégio. Notei que no canto do seu olho direito, uma lágrima, tímida, escorria bem devagar.&lt;br /&gt;- O que foi mãe?&lt;br /&gt;- Nada, filho. A conversa vai ser lá em casa.&lt;br /&gt;Estava trêmula, com os olhos baixos e humilhados. E senti um ódio em suas palavras.&lt;br /&gt;Entramos no carro. Passados alguns minutos, não me contentei e puxei assunto de novo.&lt;br /&gt;- O que o diretor disse, afinal?&lt;br /&gt;- Que você não pode mais estudar nessa escola. E sabe por que? Porque jogou uma cadeira no seu coleguinha, que foi para o hospital com suspeita de traumatismo craniano.&lt;br /&gt;- Ah, mas o Cabelo bem que merecia...&lt;br /&gt;- Quieto! Bico calado! Não é prá você falar, eu que falo agora - um silêncio - O que faço com você? - e começou a chorar - Vamos, me responda, você não é sabichão? Que tem resposta prá tudo?&lt;br /&gt;Continuou dirigindo, entre soluços. Chorava mais e mais. E me senti muito mal em ver mamãe daquele jeito. A culpa era toda minha.&lt;br /&gt;- Tenho vontade de te bater até você sangrar...&lt;br /&gt;Senti medo. Mas alívio. Porque se ela me batesse, ao menos a culpa estaria um pouco eximida. Deu três murros no volante, parou o carro na guia à direita, baixou a cabeça e chorou. Até secar. E continuamos o caminho para casa. E nada mais foi dito. E percebi que demoraria muito tempo para mamãe nunca mais chorar daquele jeito. Lá prá quando eu tivesse uns 18, 19 anos, quem sabe?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-2465462397123686511?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/2465462397123686511/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=2465462397123686511' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/2465462397123686511'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/2465462397123686511'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2009/04/sobre-transtornos-em-qualquer-idade.html' title='Sobre transtornos em qualquer idade'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-2476895072206036478</id><published>2009-03-19T00:18:00.002-03:00</published><updated>2009-03-19T00:39:39.117-03:00</updated><title type='text'>Mãos</title><content type='html'>Quando eu olhava para ele, só via uma mão. Na verdade, duas mãos. Um par de mãos perfeito. Tinha os dedos longos e grossos, mas não grosseiros, e o espaço entre eles era simétrico. Pêlos na medida certa, unhas bem cortadas, rente a ponta do dedo, que era levemente arredondada. As linhas da palma da mão era bem desenhadas, fundas e claras. Eram mãos expressivas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo que fazíamos tinha que ter a mão dele. Adorava passear no parque, porque as mãos dele ficavam segurando firme as minhas. Tomar sorvete, refrigerante, vinho, vitaminado ou cerveja, era sempre uma experiência incrível. Ficava fitando o movimento das mãos: os dedos se aproximando do copo, fazendo pressão contra a parede suada daquele copo, se unindo e finalmente fazendo uma pequena força para sustentar o recipiente e leva-lo a boca. E aí as mãos ficavam próximas da boca. E eu queria que a cena se congelasse. Mãos e boca, que mais um homem precisa ter nessa vida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não gostava de ve-lo jogando futebol. Nada contra o jogo, pelo contrário, até me agrada bastante. Mas em se tratando daquelas mãos, elas não poderiam ficar abandonadas ao lado do calção por 90 minutos. As mãos no futebol ficam bobas, em segundo plano. Gostava mesmo é de vôlei. Nessa modalidade sim as mãos eram protagonistas. E ficava na arquibancada a observar o movimento das mãos dele. Os sets passavam sem que eu percebesse e eu sempre queria mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que mais gostava era do toque daquelas mãos. Era pesado na medida certa. Os dedos de movimentavam com fluidez, mas sem nervosismo. Tinha carinho e desejo. E as mãos passeavam por todo o meu corpo. E por dentro dele também. E era simplesmente fantástica aquela sensação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquelas mãos precisavam de um seguro exclusivo, para protege-las, mante-las intactas. Tentei convencê-lo a fazer uma previdência para aquelas mãos. Para quando fossem envelhecendo, fossem ficando cansadas, vai que elas necessitem de algum reparo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele não gostou nada da ideia. Me acusou de maluca e me deixou de mãos abanando. Tive direito a um último pedido: peguei uma lata de tinta e pedi que ele mergulhasse aquelas mãos sagradas dentro, pressionando-as sobre uma folha de papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho mais as mãos. Tudo que tenho são lembranças e aquela imagem. E quando olho para aquelas mãos marcadas no papel, bate uma saudade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-2476895072206036478?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/2476895072206036478/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=2476895072206036478' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/2476895072206036478'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/2476895072206036478'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2009/03/maos.html' title='Mãos'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-2458454643910300789</id><published>2009-03-11T01:17:00.004-03:00</published><updated>2009-03-11T02:27:18.809-03:00</updated><title type='text'>O medo do juízo</title><content type='html'>Ele gostava tanto dela. E ela dele. Mas nem um, nem outro confessariam tal desatino em sã consciência. Sequer sob pena de serem torturados. Era o irrealizável. E isso tornava aquele sentimento mais interessante ainda.&lt;br /&gt;O proibido é desafiador. E ponto. Mas o irrealizável, além de desafiador, traz uma angustia em sua condição. Uma fatalidade. E a ideia que fica é de que, se concretizado, seria irretocável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bobagem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que os outros iriam pensar? Ou, pior ainda, o que os outros iriam dizer? Ela vivia num mundo de convenções, no qual a opinião do outro sobre suas escolhas pesava muito. Era quase sempre determinante. Ele tentava escapar disso, mas apenas na teoria. Na prática, era talvez até mais preocupado com as convenções, a moral e as regras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles se encontravam, muitas vezes. Conversavam, poucas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela situação era insustentável para ela, no entanto, administrável para ele. E ele foi levando. E ela foi sofrendo. E ele foi negando. E ela foi pressionando. E ele se esquivava. E ela ficou doente. Talvez do coração, talvez da carcaça mesmo. E ele percebeu o quanto era tolo. E aquela situação se esvaiu. E ela trocou de plano. E ele tomou coragem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas aí, então, já era tarde. Deitou, e foi sonhar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-2458454643910300789?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/2458454643910300789/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=2458454643910300789' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/2458454643910300789'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/2458454643910300789'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2009/03/o-medo-do-juizo.html' title='O medo do juízo'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-7375832590733835417</id><published>2009-02-19T22:49:00.002-03:00</published><updated>2009-02-19T23:06:00.618-03:00</updated><title type='text'>Anedota de uma mulher (in)dependente</title><content type='html'>Sempre fui uma mulher muito independente. Aos 14 anos arrumei meu primeiro emprego. À revelia, mas só de minha mãe. Meu pai desaprovava, mas no fundo bem que gostava, porque todo mês 10% do meu salário ia para cobrir despesas da casa. Como prestador de serviçoes, ele passou a trabalhar cada vez menos. Minha vontade era colocarr uma mochhila nas costas, mandá-lo à merda e cair na vida. Mas ainda não era a hora.&lt;br /&gt;Fiz uma poupança com a grana que juntei dos 14 aos 18 anos e consegui comprar um carro no dia do meu aniversário de 19 anos. Era o símbolo da independência. Mas eu queria mais.&lt;br /&gt;Ingressei na faculdade, mas continuei trabalhando e, agora, ganhando um pouco melhor. Aos 20 anos atingi o ápice da subsistência para uma recém-saída da adolescência: fui morar sozinha. E totalmente auto-suficiente. Aluguel, internet, água, luz, telefone: tudo por minha conta e risco. Mas eu queria mais. Me sentia vazia e inútil, por vezes, só. Ainda que cercada de gente, só.&lt;br /&gt;E veio a depressão. Cheguei a achar que era isso o que faltava para que eu chegasse a plenitude da independência. Afinal, uma mulher independente tem problemas que precisa resolver sozinha, sofre pressões, passa por estresse, que culminam em depressão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu queria mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia tomei várias cartelas de calmantes e deitei. Tudo ficou preto e, depois, azul. E senti uma paz. Acordei, vomitei e fui passear. Foi então que eu o encontrei. Da troca de olhares para a cama foi um piscar de olhos, afinal, eu era uma mulher independente e bem resolvida, e deveria sanar minhas vontades sem sentir culpa. Começamos a namorar e decidi chamá-lo para morar comigo, situação aceita apenas por mulheres independentes. A maioria quer casar, véu, grinalda e toda pompa e circunstância. Mas eu, não.&lt;br /&gt;Aos poucos fui gastando cada vez mais tempo na cozinha do que na academia, mais tempo lavando e passando roupa do que indo ao cinema, mais tempo varrendo a casa do que trabalhando fora. E me transformei numa típica dona-de-casa, situação muito transgressora, pois mudei radicalmente e mudanças radicais só são aceitas por mulheres independentes. Portanto, tudo certo.&lt;br /&gt;E ele foi ficando áspero comigo. Não me trazia mais flores, nem dizia elogios, só quando eu dava algo em troca.&lt;br /&gt;Aquela relação estava se degradando e eu, uma mulher independente, não poderia ficar de braços cruzados.&lt;br /&gt;Numa noite, esperando que ele chegasse do trabalho, preparei um jantar, comprei vinho, rosas, perfumei a casa e a nossa cama.&lt;br /&gt;Ele entrou, eu fui recebê-lo e receb, em troca, uma bordoada bem no meio da cara. E decedi que, independente de qualquer coisa, aquele era o meu lugar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-7375832590733835417?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/7375832590733835417/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=7375832590733835417' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/7375832590733835417'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/7375832590733835417'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2009/02/anedota-de-uma-mulher-independente.html' title='Anedota de uma mulher (in)dependente'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-7238669118711556301</id><published>2008-05-07T09:44:00.002-03:00</published><updated>2008-05-07T09:57:51.011-03:00</updated><title type='text'>TiMano</title><content type='html'>Torcer para o Corinthians representa diversos sentimentos distintos. O mais interessante deles é a angústia. O time foi para a 2ª divisão no Brasileirão, não classificou para a final do Paulista — e o Palmeiras acabou levando o caneco — mas tem mostrado serviço na Copa do Brasil, que garante vaga na Libertadores (ai ai, nem quero pensar!).&lt;br /&gt;Na quarta passada, o Todo Poderoso Timão saiu da UTI. Ganhou um jogo no qual finalizar e, de preferência balançando as redes do Morumbi, era obrigatório. Não adiantava jogar fechado, coisa que o time manda bem, já que o setor defensivo não é problema. Tinha que jogar prá fazer gol. Mas o Timão não tem ataque e isso obviamente já está sendo modificado. Coringão ensacou o Goiás por 4 X 0.&lt;br /&gt;E apesar de eu achar técnico de futebol "liso" prá caramba, Mano reafirmou a idéia de que era preciso melhorar a auto-estima dos jogadores (em especial Herrera, Lulinha — que eu detesto — e Acosta ou Lula Molusco). Deu certo.&lt;br /&gt;Ontem, contra o Azulão o TiMano colocou a bola no gol duas vezes. O autor? Herrera. Continuamos na Copa do Brasil e em uma situação confortável, por enquanto. Sim, porque o Timão nos coloca em apuros direto...Não vou ficar citando, mas lembro de um x número de vezes em que não havia mais esperança, o time tava na lama, na merda, no esgoto e se reergueu. É isso que tem acontecido nos últimos dias, é isso que vai acontecer na série B do Brasileiro, espero.&lt;br /&gt;Tenho orgulho de ser corintiana. Desculpe, eu mereci!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-7238669118711556301?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/7238669118711556301/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=7238669118711556301' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/7238669118711556301'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/7238669118711556301'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2008/05/timano.html' title='TiMano'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-7908609179070057821</id><published>2008-04-30T01:28:00.003-03:00</published><updated>2008-04-30T01:35:32.775-03:00</updated><title type='text'>O homem que espirrava</title><content type='html'>Ele estava ali, bem perto de mim. Entre nós apenas o poste que sustenta o semáforo. Aguardamos o sinal do pedestre, quando ele deu o primeiro espirro. DDesejei-lhe saúde; ele consentiu com um gesto cordial. Espirrou mais uma vez. E depois desse, vieram mais outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando atingiu a incrível marca do 18º espirro consecutivo, não suportou: pulou na frente de um ônibus que vinha descendo a avenida em alta velocidade e pôs fim ao seu sofrimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É por isso que eu digo: o espirro pode matar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-7908609179070057821?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/7908609179070057821/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=7908609179070057821' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/7908609179070057821'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/7908609179070057821'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2008/04/o-homem-que-espirrava.html' title='O homem que espirrava'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-1869991426807776467</id><published>2008-03-04T17:57:00.003-03:00</published><updated>2008-03-04T18:15:33.010-03:00</updated><title type='text'>Como não se comportar em uma entrevista - Parte 3</title><content type='html'>A proposta era uma coisa de louco: você tinha que desenhar uma de suas mãos de forma que a mão traçada fosse a que você costumava usar para escrever. Parece confuso? Quem fosse canhoto, deveria usar a mão direita para desenhar e vice-versa.&lt;br /&gt;Em seguida, em cada um dos dedos você deveria colocar uma qualidade e no dedão, um defeito. Na palma da mão deveria ser escrito como você se projeta daqui cinco anos (isso é uma bosta! eu lá sei se estarei viva daqui cinco anos! Posso estar vendendo pastel na Riviera Francesa...será que eles comem pastel lá?). Assim foi feito. É lógico que eu não consegui terminar, mas a psicóloga, que nesse caso era uma mocinha muito simpática, tirou a bic da minha mão. Cada um deveria apresentar o que escreveu. Queria dizer logo e acabar com aquele circo todo, mas tive que aguardar minha vez. Eis que uma mulher (sim, ela não era mais uma garotinha de 19 anos) diz uma de suas qualidades ser a humildade. "Olha, sou muito humilde". Gente, pára tudo! Humildade não é qualidade, é conduta. Ninguém diz que é humilde e sim prova pelas atitudes. A única coisa que ela provou foi que a modéstia passou longe e que a prepotência estava logo ali. Olhei para ela, em seguida para as psicólogas que assitiam a explanação. Elas estavam com os olhos arregalados e escreveram algo na prancheta. Provavelmente "essa humilde tá fora". Tive vontade de rir, mas em seguida de chorar. Respirei fundo.&lt;br /&gt;Não contente, mais uma surpresa me aguardava. Um outro candidato diz que um de seus defeitos é ser perfeccionista. D-U-V-I-D-O! Ele devia ter dito que o defeito dele é ser burro. Olhei prá baixo, respirei novamente. Quer dizer que fazer seu trabalho com esmero, cautela e dedicação é defeito. Ai, que burro, dá zero prá ele! Isso mostra apenas que o ser não tem discernimento de suas próprias fraquezas e nada de autocrítica.&lt;br /&gt;Eu, particularmente, me saio melhor falando dos defeitos do que das qualidades. E sempre acho que meus defeitos são qualidades, depende apenas do ponto de vista. No caso, disse que era cabeça-dura, não sabia lidar com frustração, imatura (mas sempre disposta a mudar!) e implicante. Além disso, disse que não saberia planejar o que seria daqui cinco anos. Será que vou passar?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-1869991426807776467?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/1869991426807776467/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=1869991426807776467' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/1869991426807776467'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/1869991426807776467'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2008/03/como-no-se-comportar-em-uma-entrevista.html' title='Como não se comportar em uma entrevista - Parte 3'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-7271444816023642109</id><published>2007-12-13T01:56:00.000-02:00</published><updated>2007-12-13T02:10:06.744-02:00</updated><title type='text'>Con(v)ivência</title><content type='html'>Eles estavam muito sem paciência um com o outro. A relação de sabe-se lá quanto tempo dava sinais de desgate. Ela não se lembrava mais de como tudo havia começado. Ele, nem ligava.&lt;br /&gt;Não conversavam mais amenidades como antes, tampouco coisas sérias. Ficavam horas um ao lado do outro, sem dizer uma palavra sequer. Mas não era um silêncio cúmplice. Era puro desgosto.&lt;br /&gt;Nos últimos meses não dividiam mais seus dias, suas minúcias, apenas o cigarro e o pacote de bolachas água e sal, que ele adorava e ela simplesmente não via a menor graça. Mas comia. A convivência estraga a paixão e assassina qualquer tipo de sentimento que se aproxime do amor.&lt;br /&gt;Um dia ela acordou, olhou para o lado: vazio. Sentiu um alívio. Suspirou e levantou. Foi à sala e o encontrou vendo TV com os pés no sofá, prática que ela — como boa virginiana — abominava, ainda mais nele. Olhou por alguns minutos a cena. Ele esboçou algumas palavras, mas não passaram de rascunho para ela. Sentiu-se tão infeliz naquele momento. Pegou a bolsa, fez um aceno com a mão esquerda e disse que ia comprar cigarros. Nunca mais voltou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-7271444816023642109?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/7271444816023642109/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=7271444816023642109' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/7271444816023642109'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/7271444816023642109'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2007/12/convivncia.html' title='Con(v)ivência'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-2185836392465695856</id><published>2007-10-05T01:54:00.000-03:00</published><updated>2007-10-11T18:18:40.924-03:00</updated><title type='text'>Da série: como se enganar e presenciar conseqüências imediatas</title><content type='html'>A minha rua não tem fim, só começo. Na verdade, colocaram uma praça para indicar que ela termina. Esses podem ser detalhes, apenas detalhes...mas serão importantes para entender o que aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando da aula de dança, passei pela praçinha para ter acesso a minha rua. Há um véinho (e aqui, valeria uma explicação sobre a diferença de véio e velho, mas farei isso em outra oportunidade) que fica olhando carros nessa mesma pracinha. O diâmetro de sua pança dá conta de como ele emprega o dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou me aproximando, caminhando, assoviando. Ao passar pelo distinto, meu ouvido esquerdo ficou consonante com a sua boca e ouço: "Vagabunda!". "O quê?" - disse, dando-lhe um tapa de mão cheia na cara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E percebi que ele acabara de xingar uma moça num Peugeot prata que ficou por doze horas estacionada na "sua" praça e não lhe deu sequer umas moedinhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazer o quê. De qualquer forma, não gosto de olhadores de carro mesmo. A maioria, salvo raras exceções, para não ser injusta, são grosseiros e ameaçadores. A Rua é pública minha gente. Cidadania é mandá-los à merda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-2185836392465695856?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/2185836392465695856/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=2185836392465695856' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/2185836392465695856'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/2185836392465695856'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2007/10/da-srie-como-se-enganar-e-presenciar.html' title='Da série: como se enganar e presenciar conseqüências imediatas'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-2302225808142571624</id><published>2007-09-28T14:06:00.000-03:00</published><updated>2007-09-28T19:48:14.943-03:00</updated><title type='text'>A Feminilização do Brasil</title><content type='html'>"A proporção de homens em relação à população total feminina continua em queda no Brasil, segundo mostra a Síntese de Indicadores Sociais 2006, divulgada hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No total do Brasil, em 2006, a média era de 95 homens para cada 100 mulheres. Segundo a pesquisa, as regiões metropolitanas de São Paulo, Curitiba e Porto Alegre apresentaram a relação homem/mulher mais equilibrada, com aproximadamente 92 homens para cada 100 mulheres. Na região metropolitana do Rio de Janeiro, havia apenas 86,4 homens para cada 100 mulheres e, em Salvador, 88 mulheres para cada 100 homens." &lt;em&gt;(Agência Estado - 28/09/2007)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;O mundo clama, ó meu Deus: as mulheres dominarão o mundo. O mais irônico é que um pesquisador gringo, há alguns anos, noticiou que o Homem tinha milhões de neurônios a mais que a Mulher. No entanto, meus amigos, há mais mulheres que homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que alhos tem a ver com bugalhos? Explico: lembram da teoria Darwinista que enuncia a evolução das espécies? Os mais evoluídos ficam, os menos sucumbem ao esquecimento e posterior desaparecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não preciso dizer mais nada, né?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-2302225808142571624?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/2302225808142571624/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=2302225808142571624' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/2302225808142571624'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/2302225808142571624'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2007/09/feminilizao-do-brasil.html' title='A Feminilização do Brasil'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-6177020757111196573</id><published>2007-09-26T13:30:00.000-03:00</published><updated>2007-09-26T18:19:54.961-03:00</updated><title type='text'>A insanidade sã do controverso Lobão</title><content type='html'>O Lobão, aquele músico de cabelos ensebados, dentes mal cuidados e olhões esbugalhados, é um porre. É isso que todo mundo sempre diz. Essa foi a imagem que o compositor e cantor construiu - acredito, propositalmente - ao longo dos anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lobão é roqueiro das antigas. E goste ou não, sempre conseguiu se manter na mídia. Vendendo poucos discos e dando prejuízo para as gravadoras, mas ganhando visibilidade pelo viés da polêmica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O último CD, um acústico produzido pela emissora de televisão MTV Brasil, é um notável trabalho de garimpagem de boas músicas do rock dos anos 80 e início dos anos 90. Um toque suave e nostálgico para ouvidos minimamente exigentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não é da música do Lobão que venho falar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Venho falar da participação dessa distinta figura no Programa do Jô. Não foi gastar sequer uma linha sobre o jornalista-apresentador. Vou falar do compositor Lobão. Nota 11 para ele. Mandou muito bem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trajando uma camiseta preta com letras brancas que diziam "PEIDEI, mas não fui eu". Ridículo? É o que muitos iam dizer e é o que pensei por um segundo. Nos poucos minutos de entrevista, cantou uma paródia escrachada da música &lt;em&gt;O que será (à flor da pele), &lt;/em&gt;de Chico Buarque, falou do mensalão, da descabida absolvição de Renan Calheiros e achacou a população de ingênua, pois ainda insiste em acreditar que o presidente não viu e não ouviu nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me senti agredida pelas críticas contundentes de Lobão. Mas uma agressão reconfortante. Foi fantástico ouvir o Lobão falando o que bem quisesse, em um programa de audiência, em uma emissora como a Rede Globo. Ele soltou os cachorros, lavou a égua, como dizem no interior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ele tem muita razão. O Lobão tá cagando prá tudo isso. Ou melhor, peidando. Isso tá ficando escatológico, mas vou prosseguir. Vamos todos peidar prá isso. Prá absolvição de Renan, prá permanência da abusiva CPMF, para quem diz que não viu e não ouviu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas próximas eleições, proponho uma atitude: em vez de votar, vamos peidar. Alivia....&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-6177020757111196573?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/6177020757111196573/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=6177020757111196573' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/6177020757111196573'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/6177020757111196573'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2007/09/insanidade-s-do-controverso-lobo.html' title='A insanidade sã do controverso Lobão'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-1966520226913861603</id><published>2007-09-04T14:51:00.000-03:00</published><updated>2007-09-10T19:59:56.117-03:00</updated><title type='text'>Pública, digital e algumas querelas</title><content type='html'>Hoje quero fazer algumas desconsiderações acerca da televisão. Opa! Desconsiderações? Isso mesmo! Isso porque não acredito no que ando vendo e ouvindo por aí. Em se falando em TV tudo tem que ser audio-visual (risos)...&lt;br /&gt;A TV Digital vai chegar com toda pompa e circunstância no dia 2 de dezembro, na cidade de São Paulo. O que ganhamos com isso? Alta definição de imagem e a possibilidade de proliferação de outros programas em espaços que irão surgir. Uau!&lt;br /&gt;Na mesma direção, a TV Cultura defende o recém-implantado-antigo-projeto-televisivo de jornalismo público. O jornalismo que pensa no cidadão, afirmativa, que, em primeira análise, soa prepotente.&lt;br /&gt;Muitos dizem que a dobradinha digital + pública vai propiciar uma maior abrangência da informação, que também será de melhor qualidade e que vai colocar o cidadão em primeiro lugar.&lt;br /&gt;Mas há um detalhe, que vim a saber recentemente: quem quiser desfrutar dos prazeres e possibilidades que a TV digital pode dar, terá que adquirir um aparelho codificador de sinal, algo assim. Quanto custará? 150, 200, 300 reais? O trabalhador assalariado vai ter que tirar dos seus trezentinhos e uns tantos mais, o dinheirinho para ingressar na maravilha tecnológica.&lt;br /&gt;A pergunta que fica é: como uma possibilidade que se pretende abrangente, mas segrega, poderá ser pública?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-1966520226913861603?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/1966520226913861603/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=1966520226913861603' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/1966520226913861603'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/1966520226913861603'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2007/09/pblica-digital-e-algumas-querelas.html' title='Pública, digital e algumas querelas'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-4390036738242674914</id><published>2007-08-09T11:09:00.000-03:00</published><updated>2007-08-09T19:12:25.549-03:00</updated><title type='text'>ser mulher nos dias de hoje</title><content type='html'>O telefone está mudo. Ligo na Telefônica para verificar os pagamentos estão em dia, apesar de saber que estão. Em um programa de auditório, um dia antes, escuto uma distinta senhora representante do PROCON dizer que a empresa em questão é campeã disparada em reclamações. Tremo. Mas sigo em frente e volto a ligar para a empresa de telefonia. Explico o que me aflige: "preciso do telefone fixo e ele não funciona". Agendo uma visita do técnico da Telefônica para o dia seguinte mediante o pagamento de 4 reais e 35 centavos. "É so pela visita né?". "Não senhora, é uma taxa de manutenção que a senhora pagará nos próximos seis ou sete meses". Um abuso do cacete. Mas não ofereci resistência uma vez que precisava ter a minha linha de volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, o técnico chega às oito e meia da manhã na minha casa. O diagnóstico vem rápido. "Fizeram coisa errada aí". Eu retruquei: "Coisa errada? Como assim?". Esses caras que vem prá resolver problemas sempre ficam com meias-palavras. "Fizeram uma gambiarra quando instalaram". Prontamente autorizei a fazer o que fosse preciso para resolver meu problema. Ele disse que não poderia resolver meu problema, pois roubaram o cabo do telefone. Pediu 100 conto para arrumar e deixou claro que faria uma gambiarra. Eu perguntei se eu tinha cara de idiota e ele se fez de desentendido. Espera aí: primeiro era uma gambiarra e depois não havia mais fio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse meio tempo, apareceu o zelador. O idiota teve coragem de dizer que fui imprudente em não acompanhar a instalação da linha, há quase quatro anos. Um ultraje! "O quêêêêê????????Então você está admitindo que deveria acompanhar o serviço, pois as pessoas são picaretas e gostam de enganar as outras. Você está pressupondo que o cara que fez o serviço é pilantra". Ele me respondeu "que a vida é assim".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subi nas tamancas. "Se tem algum sem vergonha aqui esse alguém deve ser você. Aceitar que não podemos mais confiar que um serviço possa ser feito honestamente. Que absurdo!".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele ficou me olhando com cara de paisagem. "E eu, como fico com isso tudo? Não entendo de telefonia, só quero que me resolvam esse problema". Começaram a jogar a culpa um para o outro, enquanto o técnico despejava em uma verborragia quais eram os problemas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Basta! Você não vai resolver o meu problema?", apontando para o técnico. "Você também não?", voltando para o zelador. "Sumam, então! Sumam!".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrei chorando em casa. Ser mulher hoje em dia é difícil.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-4390036738242674914?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/4390036738242674914/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=4390036738242674914' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/4390036738242674914'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/4390036738242674914'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2007/08/ser-mulher-nos-dias-de-hoje.html' title='ser mulher nos dias de hoje'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-3821923526674595910</id><published>2007-07-26T01:45:00.000-03:00</published><updated>2007-07-26T02:13:47.350-03:00</updated><title type='text'>Eu tenho pena de mim</title><content type='html'>Eu tenho pena de mim, porque eu vivo no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Forte isso não? É com isso que tenho tomado contato nesses últimos dias frios de julho. Acontecimentos fortes, declarações fortes, acusações fortes, dor forte e sujeira, muita sujeira forte, que nem com muita cândida é possível remover. Por isso, optei por um início de texto igualmente forte, proporcionalmente violento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poderia relatar o lamentável desatre aéreo do qual fomos espectadores há pouco mais de uma semana. Poderia elencar os possíveis fatores que culminaram no acidente que vitimou quase 200 pessoas. Poderia listar os prováveis culpados e de quebra dar sugestões de castigos para os infelizes. Poderia propor uma reflexão acerca do sofrimento de todos que perderam seus amigos, seus amores, seus pedaços de vida e, que em muitos casos, não conseguirão tampouco um vestígio, ainda que da morte, da pessoa para cumprir o ritual cristão de enterrar seus mortos.&lt;br /&gt;Mas no país em que a maior parte dos verbos proferidos pelas autoridade termina em 'ria', resolvi variar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há que se separar o joio do trigo, para usar uma desgastada citação bíblica. Mas não vejo trigo, apenas joio. E um joio fedido e podre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com mais essa catástrofe que tirou a vida e o sorriso de mais de uma centena de brasileiros, percebo, cada vez mais claramente, que tenta-se curar uma ferida aberta não identificada e de forma não assertiva. O Brasil sofre de uma doença que encheu de escaras a governabilidade do país. A nação verde-amarela está sem administração. Essa é a ferida aberta e pustulenta. E ela é que gera tantos outros problemas, que vemos diariamente no noticiário, nos comentários de qualquer idiota com um mínimo de consciência na fila do supermercado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa é a reação em cadeia. Uma doença leva a outra. Escaras que não se curam, viram feridas ainda maiores, que enchem de bactérias e podem colocar fim ao organismo em questão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fala-se da pista, do avião, de contigente dos aeroportos desse gigante país, mas pouco se fala que toda essa lambança, toda essa crise vem de lá longe. Pouco se fala que o aparelhamento do Estado imposto pelo digníssimo sr. presidente Lula, tirou de cargos que exigem especialidade os profissionais e os encheu de políticos. De comadres e compadres, como dizem aqui no interior, que comem churrasco com o presidente na Granja do Torto. Nada contra churrasco, é claro. Ainda mais porque deve rolar só picanha das boas. Ao menos nosso dinheiro, nesse caso, está sendo bem investido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-3821923526674595910?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/3821923526674595910/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=3821923526674595910' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/3821923526674595910'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/3821923526674595910'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2007/07/eu-tenho-pena-de-mim.html' title='Eu tenho pena de mim'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-840057131678304932</id><published>2007-07-08T18:05:00.000-03:00</published><updated>2007-07-08T18:26:12.612-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>A moto seguia em alta velocidade pela estrada, à esquerda da pista. Estrada boa! Duplicada, pista recapeada recentemente. Rumava a esmo. O farol apagado: não queria ser notado. Cem metros adiante, na mesma estrada, um treminhão transportava toneladas de cana. Queria chegar logo, mas tinha consciência que seu lugar era ali, à direita. Mas viu um obstáculo, não conseguia identificar. Deu luz alta e nada. Saiu para a esquerda, afinal, o espelho retrovisor dizia que ninguém vinha atrás. A moto pensou que dava tempo e resolveu nem avisar. Não deu. Um barulho. O caminhoneiro nem ligou, pensou que alguma feta de cana caíra no chão. Mas um barulho de ferro arrastando mantinha-se insistente. Foi para o acostamento e o que viu foi horror: um caminho de sangue, que terminava na sua terceira carreta, onde havia também pedaços de ferro preso e pedaços humanos.&lt;br /&gt;Vomitou. Tentou desvencilhar o caminhão daqueles restos. Na seqüência, um ônibus passava. Reduziu a velocidade e baixou os faróis, na tentativa de saber o que havia ocorrido. A cena chama atenção de uma passageira do ônibus, que se aproxima da janela. O que se ouve é um grito de pavor. O boné, os pedaços de camiseta e a placa da moto: era seu o sangue derramado pela estrada. Seu filho era quem dirigia a moto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-840057131678304932?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/840057131678304932/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=840057131678304932' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/840057131678304932'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/840057131678304932'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2007/07/moto-seguia-em-alta-velocidade-pela.html' title=''/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-62539419792723684</id><published>2007-05-21T13:18:00.000-03:00</published><updated>2007-05-21T13:44:34.664-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Um ano. Tantas coisas, tantas pessoas, tantas horas. Fiquei pensando sobre tudo o que tinha me acontecido nesse tempo. Passei por dois empregos, tomei calote, fui para Salvador com pouco dinheiro no bolso, conheci Dona Nicinha, me apaixonei duas vezes e nenhuma deu certo, gastei boa parte do meu salário em bebida, dividi minhas horas com pessoas fantásticas, outras nem tanto, ganhei presentes bacanas, outros nem tanto, não dormi na minha cama umas várias vezes, descobri que nem sempre aquele que sorri quer teu bem, que ter unhas compridas só tem graça se forem pintadas de vermelho, conheci alguém que hoje amo, entendi que amigo de verdade não cobra, compreende.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que, essencialmente, fiz? Será que vivi ou fui aceitando o que me era designado? Agora é vida nova.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sabia que morrer doía tanto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;apesar do atraso de alguns dias, o texto se refere aos meus recentes 22 aninhos&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-62539419792723684?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/62539419792723684/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=62539419792723684' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/62539419792723684'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/62539419792723684'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2007/05/um-ano.html' title=''/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-1035676218882653643</id><published>2007-04-23T18:34:00.000-03:00</published><updated>2007-04-23T18:39:16.768-03:00</updated><title type='text'>Crescer: perder inocência, ganhar poder</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:85%;"&gt;Uma breve discussão sobre dois curtas: "Vinil Verde" e "Da janela do meu quarto"&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A perda da inocência, ameaça a um poder simbólico socialmente construído, o olhar para o desconhecido e a descoberta do poder. Não, não é de política que &lt;a href="http://www.portacurtas.com.br/Filme.asp?Cod=1999"&gt;“Vinil verde”&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://www.contracampo.com.br/67/manroadriverjanela.htm"&gt;“Da janela do meu quarto”&lt;/a&gt; falam. É de como os papéis sociais, quando articulados para sustentar o poder, são uma espécie de barreira ao crescimento e à descoberta do novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando “Vinil verde” conta a história de mãe e filha mostra o que acontece com todo ser humano que vive em sociedade, submetido as relações de poder sustentadas pelas funções sociais. Os cortes entre cenas criam a sensação de temporalidade na ação das personagens, contrapondo-se a rotina na vida das duas, símbolo de segurança e controle por parte da mãe, que foi em certo momento quebrada pela filha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Repleto de figurativismos, a leitura do filme exige um olhar atento. A caixa preta, presente da mãe para a filha, instiga na menina curiosidade pelo novo e fomenta o processo de descoberta de um mundo além do seu quarto, sua cama e suas bonecas. Quando a filha desobedece às ordens da mãe e ouve o vinil verde, há uma quebra de confiança e um processo de conquista de independência: a garota adquire poder de decisão e responsabilidade por suas atitudes. Partindo da construção de uma narrativa simbólica, a mãe volta do trabalho sem as mãos e sem as pernas e, a medida que isso acontece, os laços entre as duas se estreitam: a menina começa a ficar cada vez mais mãe e menos filha. Fazendo uma apropriação do velho dito popular, a filha já pode “andar com as próprias pernas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina ultrapassa os limites da porta da casa e se depara com a mãe em franca agonia, que naquele momento morria. O papel de mãe morre para “ressurgir”, um dia, na filha. O crescer, a todo momento, limitado por ordens, pode ser doloroso para mãe, que perde a utilidade social, quanto para filha, obrigada a aprender a lidar com sentimentos escusos: amor, ódio, medo, angústia, aflição e solidão. Ela seria feliz? Sofreria demais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em outra direção, “Da janela do meu quarto” traz a simplicidade das imagens de duas crianças brincando na lama e debaixo da chuva. Despretensiosos encenam a dança do poder: o garoto, por ser maior e mais forte que a garota, impede, com a imposição das mãos, a aproximação corporal. Há uma situação de dominação, na qual o garoto subjuga a fragilidade da garota, demonstrando o poder através da força. Quando a garota, ainda que por alguns instantes, impede a movimentação do garoto este se sente ameaçado e busca voltar a antiga situação. Esse retorno não é mais possível: o controlado percebe que pode controlar.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#006600;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;O eixo de diálogo reside na relatividade das relações de dominação. Os dois buscam retratar as diferentes manifestações de poder e como a perda da identidade social é inerente ao ser humano. Não há o que possa impedir o desabrochar do indivíduo: há sempre o desejo de ver o que há do outro lado da porta, enfim, desvendar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-1035676218882653643?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/1035676218882653643/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=1035676218882653643' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/1035676218882653643'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/1035676218882653643'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2007/04/crescer-perder-inocncia-ganhar-poder.html' title='Crescer: perder inocência, ganhar poder'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-3003495288667825390</id><published>2007-03-05T17:30:00.000-03:00</published><updated>2007-04-23T18:40:33.548-03:00</updated><title type='text'>Enquanto isso, na sala de justiça</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;+ Criança de apenas 1 ano e 7 meses é violentada e morta.&lt;br /&gt;+ Dois rapazes são mortos a facadas na Zona Leste de São Paulo&lt;br /&gt;+ Garota é atingida por um tiro nas costas durante assalto a Agência do Banco Itaú, em São Paulo&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Enquanto isso na sala de Justiça....&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;- Esse negócio aí de diminuir a maioridade penal vai dar samba?&lt;br /&gt;- Não sei, não sei...Acho que vai contribuir para a formação de criminosos qualificados cada vez mais novos.&lt;br /&gt;- Estão falando em mudanças na Constituição. Uma bobagem, não?&lt;br /&gt;- Ah, isso aí não é problema nosso. Deixa com os deputados.&lt;br /&gt;- É mesmo, prá que mudar? A gente ganha bem prá caramba e nunca fez nada, prá que mudar agora e arriscar errar.&lt;br /&gt;- É, desencana e me passa esse uisquinho que está dos deuses. É doze anos?&lt;br /&gt;- Dezoito.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-3003495288667825390?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/3003495288667825390/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=3003495288667825390' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/3003495288667825390'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/3003495288667825390'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2007/03/enquanto-isso-na-sala-de-justia.html' title='Enquanto isso, na sala de justiça'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-7243547517390923416</id><published>2007-02-21T20:05:00.000-02:00</published><updated>2007-02-21T20:44:51.265-02:00</updated><title type='text'>Como não se comportar em uma entrevista - Parte 2</title><content type='html'>Trajada respeitosamente, diria meu avô, chego para mais uma entrevista. Sento-me e verifico se meu cofrinho está à mostra.&lt;br /&gt;O examinador entra. Apresenta-se, como todo consultor que se preze, com simpatia exagerada. Um viadinho. Espera um pouquinho, não serei eufemática*. Uma bichona, gorda e mal vestida. E precisava de um tonalizante nos cabelos.&lt;br /&gt;A entrevista segue bem, até que:&lt;br /&gt;- O que você faz quando está nervosa?&lt;br /&gt;- Espero.&lt;br /&gt;- Espera o quê exatamente, alguém para que você desconte seu nervosísmo?&lt;br /&gt;"Filho de uma prostituta, tá me encurralando", pensava enquanto sorria nervosamente para ele.&lt;br /&gt;- Não! - respirei - espero o nervosismo, a raiva passar (e o ódio que eu estava sentindo dele naquele momento também).&lt;br /&gt;- Tudo bem, tudo bem, o que eu quero saber é enquanto você espera, o que faz?&lt;br /&gt;Àquela hora queria levantar, cuspir bem cuspido na cara dele e dizer: "olha aí sua bichona, é isso o que eu faço enquanto espero a raiva passar!". Desisti. Me enchi dele e daquelas perguntinhas típicas prá pegar tonto.&lt;br /&gt;- Como minhas unhas - disse, sem piscar e exibindo, solerte, as minhas mãos e as unhas, uma a uma, roídas - é auto-mutilação; faz bem, fucniona como uma auto-punição por ter ficado com raiva, nervosa, enfim, perdido o controle.&lt;br /&gt;Arregalou os olhos e escreveu alguma coisa na folha que estava bem na frente dele. Com certeza, algo do tipo: essa é louca, ou interditem essa candidata...&lt;br /&gt;Acenou positivamente a cabeça e disse que a entrevista estava terminada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois dias depois meu celular tocou e vi, pela bina, que era o telefone do tal consultor. Nem atendi. Óbvio que não fui contratada. Bláh!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*eufemático = termo cunhado em plena redação do Esquinas de S.P., que designa um sujeito muito cheio de dedos, ou seja, que usa muitos eufemismos, misturado com o cara fleumático.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-7243547517390923416?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/7243547517390923416/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=7243547517390923416' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/7243547517390923416'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/7243547517390923416'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2007/02/como-no-se-comportar-em-uma-entrevista.html' title='Como não se comportar em uma entrevista - Parte 2'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-116918538671762946</id><published>2007-01-19T03:09:00.000-02:00</published><updated>2007-01-19T03:43:06.736-02:00</updated><title type='text'>Anedota tirada de uma notícia de jornal</title><content type='html'>Saíra apressada aquela manhã. Nem tivera tempo de pentear as longas e negras madeixas adequadamente. O pente era apenas para a franja; cinco escovadas do lado esquerdo, cinco do direito e duas atrás: era seu rito de passagem da casa para a rua. Não era um cabelo exatamente lindo. Mas tinha volume e brilho naturais.&lt;br /&gt;Correndo as escadarias do pequeno prédio no Botafogo, onde mora com a avó, ganhou as ruas do Rio naquela manhã e logo fez o sinal para que o ônibus que a conduziria até o Glória parasse.&lt;br /&gt;Entrou no veículo, passou pela catraca e acomodou-se na segunda dupla de bancos do lado direito.&lt;br /&gt;Abriu o livreto de palavras-cruzadas que gostava de ter como passatempo durante a viagem e, distraída, começou a completar as lacunas. Houve um movimentação suspeita no ônibus. Ela mal percebeu. Aproximava o livreto dos seus olhos vivos no afã de descobrir uma palavra incógnita.&lt;br /&gt;Dois sujeitos ocuparam os assentos vagos, bem atrás dela. Um, ficou em pé, parado, bem ao lado.&lt;br /&gt;Com destreza, um deles pegou uma tesoura e começou a executar o serviço. Dividida entre o passatempo e o incômodo que àquela hora sentia no couro cabeludo, pensou que alguém estava puxando seus fios.&lt;br /&gt;Ao que fez menção de virar-se para tirar satisfações e pedir que parassem de lhe puxar os cabelos, o sujeito que estava em pé, justamente dando cobertura, puxou do cós de suas calças um revólver previamente engatilhado.&lt;br /&gt;- Shiiiiu... É um assalto. Cala a boca e fica tudo na boa...&lt;br /&gt;Sem entender, não demonstrou resistência e até ofereceu a bolsa, onde estava sua carteira com alguns poucos trocados. Nesse entretempo, o mais magricela do trio terminara o trabalho.&lt;br /&gt;- Rapa daqui, vamo rapá daqui...&lt;br /&gt;Deram sinal para que o ônibus parasse e com o tufo de cabelos nas mãos o trio saiu comemorando. O assalto fora bem sucedido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-116918538671762946?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/116918538671762946/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=116918538671762946' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/116918538671762946'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/116918538671762946'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2007/01/anedota-tirada-de-uma-notcia-de-jornal.html' title='Anedota tirada de uma notícia de jornal'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-116546851316940349</id><published>2006-12-07T02:58:00.000-02:00</published><updated>2006-12-07T03:15:13.183-02:00</updated><title type='text'>Desimplicância</title><content type='html'>- Você também pediu café?&lt;br /&gt;- Pedi. Dscafeinado.&lt;br /&gt;- Que graça tem? O café descafeinado é a negação do café, portanto não é café.&lt;br /&gt;- Bah, não quero discutir com você, você é muito implicante. Vamos voltar a falar de trabalho...&lt;br /&gt;- Pó pará aí! Eu, implicante? Baseado em que você diz isso?&lt;br /&gt;- Em tudo oras bolas. Não sei se sou eu ou o resto do mundo, mas você sempre tem um comentário a fazer, uma opinião, uma carta na manga, entende?&lt;br /&gt;- Não sou implicante, apenas tenho bom domínio da retórica.&lt;br /&gt;- Você é cheia de graça. Queria saber como faço para deixá-la sem!&lt;br /&gt;- Sem graça?&lt;br /&gt;- ahã&lt;br /&gt;- Sem graça eu não sei, mas sem paciência eu já estou.&lt;br /&gt;- Você não consegue ficar brava comigo.&lt;br /&gt;Pausa. Ela baixa a cabeça. Depois olha prá ele.&lt;br /&gt;- Não mesmo, desgraça. Mas o lance de implicante é que eu não entendi.&lt;br /&gt;- Ah, sei lá. Tipo, qual o problema em tomar um café descafeinado?&lt;br /&gt;- Simplesmente é a coisa mais sem emoção do mundo. É como tomar leite desnatado, chocolate sem cacau...são coisas que não podem estar dissociadas, que fazem parte uma da outra, que não existem plenamente quando separados...&lt;br /&gt;Parei ao notar que ele me olhava. Não mais cheia de graça olhei. E senti um horror lancinante. Horror ao perceber que estava presa para sempre àquele olhar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-116546851316940349?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/116546851316940349/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=116546851316940349' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/116546851316940349'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/116546851316940349'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2006/12/desimplicncia.html' title='Desimplicância'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-116530016345255904</id><published>2006-12-05T03:41:00.000-02:00</published><updated>2006-12-05T04:29:23.903-02:00</updated><title type='text'>Como não se comportar numa entrevista - parte 1</title><content type='html'>Final de ano. Para quem está com as mãos abanando é hora de virar franco atirador. Esse é meu caso. Me inscrevi em 238697 processos seletivos. Quando ligam em casa para agendar entrevista essas bobagens todas tenho que puxar na memória "ah, esse é o 3457° que eu me inscrevi". As vezes, o descarte pode acontecer na hora do agendamento, pois pode ter sido resultado de um momento desesperador e descontrolado. De sua parte, é claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O outro descarte é mais traumático. Mulheres de Recursos Humanos deveriam ser interditadas. Nada contra as mulheres, mas aos recursos que elas insistem em dizer que são humanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Guardo com carinhoso pavor algumas histórias. Reproduzirei fielmente os diálogos e farei comentários entre parênteses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"- Vocês podem sentar-se. A entrevista será aqui.&lt;br /&gt;- Aqui? (aí está o primeiro erro: como fazer uma entrevista em dupla, ou seja, eu e minha concorrente na frente da mulher do RH)&lt;br /&gt;- Sim. (elas quase sempre são monossilábicas)&lt;br /&gt;- Quem fala primeiro?&lt;br /&gt;- Eu gostaria, pode ser? - pergunto"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ambas concordam, a RH e minha concorrente. Aí começo a me apresentar, toda aquela cantilena, que não reproduzirei aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"- E por que escolheu a nossa empresa? (putaqueopariu, que pergunta inútil! o que ela quer saber? se a gente acha a empresa bacana? é obvio que sim, senão não estaria perdendo o Vale a pena ver de novo prá ficar olhando prá cara de insatisfeita dela - isso é outro capítulo que será abordado mais prá frente: moças de RH tem cara de insatisfeitas, prá ser educada, é pré requisito para ser uma RH)"&lt;br /&gt;Sem saída, me vejo obrigada a fazer algo que me enoja: pagar pau para a empresa, dizer que gosto de desafios e que acredito que o emprego vai me proporcionar isso. Ou seja, nesse ponto você finge que fala a verdade e a RH finge que acredita. Uma hipocrisia nojenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"- E você mora sozinha?&lt;br /&gt;- Com uma garota, mas não é de programa - fazendo uma gracinha para quebrar aquele clima." (Sim, concordo que foi desnecessário, mas saiu e boa).&lt;br /&gt;Minha concorrente riu, timidamente, mas riu. A RH se manteve gélida e inexpressiva (ah, essa é outra característica para ser uma RH bem sucedida). Não podia confessar que tinha achado graça, mas notei um ventinho no lado esquerdo do lábio superior, denunciando que continha o riso.&lt;br /&gt;Ela me faz mais algumas perguntas inócuas e vira-se para a outra garota, para começar a segunda entrevista. O mesmo se repete. Eu fico olhando prá garota, enquanto ela responde as perguntas, e fico me perguntando que merda me passou pela cabeça para me sujeitar àquilo tudo. O que a pindaíba crônica não faz, não?&lt;br /&gt;"- Uma merda... - opa, fui traída pelo inconsciente&lt;br /&gt;- Desculpe? - me interpela&lt;br /&gt;- Desculpe eu, tive um ato falho - aproveitei para demosntrar meu insignificante, porém válido, conhecimento em psicologia&lt;br /&gt;- Isso não é ato falho, isso é falta de educação&lt;br /&gt;Fiquei tão p da vida. Foi um tapa no estômago, porque soco já seria exagero. Me enchi de toda aquela encenação.&lt;br /&gt;- É sua cara - tomei coragem&lt;br /&gt;Minha concorrente arregalou os olhos. A RH, não preciso repetir, aumentou o tom de voz, mas os músculos da face não se movimentaram um milímetro. Tenho razões prá achar que usava botox.&lt;br /&gt;- Não estou entendendo...o que tem minha cara?&lt;br /&gt;- Uma merda, entendeu? Poderia ter uma merda falando com a gente no lugar da sua cara.&lt;br /&gt;- O quê? - indignada&lt;br /&gt;A concorrente ficou vermelha e com as mãos na boca conteve uma risada prestes a explodir.&lt;br /&gt;Continuei:&lt;br /&gt;- Você não fala se tá gostando do que a gente fala ou não, não se manifesta, não interage, nem se permite rir quando acha graça de alguma coisa...é séria, inerte, como uma merda.&lt;br /&gt;Levantei e saí. Acho que ela iria me dizer impropérios, mas não deu tempo.&lt;br /&gt;Perdi a vaga, mas saí de lá tão leve, tão bem, que acredito ter valido a pena. Foi o equivalente a uma sessão de terapia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda fui cumprimentada pela concorrente. Vê se não tenho razão...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Homenagem as queridas amigas psicólogas (e psicóticas!). Amo vocês! - Má, Lia, Lê e Mari. Sou psico de coração, sabem disso.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-116530016345255904?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/116530016345255904/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=116530016345255904' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/116530016345255904'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/116530016345255904'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2006/12/como-no-se-comportar-numa-entrevista.html' title='Como não se comportar numa entrevista - parte 1'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-116411365535858490</id><published>2006-11-21T10:44:00.000-02:00</published><updated>2006-11-21T10:54:15.360-02:00</updated><title type='text'>Dia de amanhã</title><content type='html'>- Lembra que dia vai ser amanhã?&lt;br /&gt;- Dia 22...&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;- Quarta-feira?&lt;br /&gt;- tsc, tsc...&lt;br /&gt;- hum...aniversário da sua mãe?&lt;br /&gt;- Não, não...&lt;br /&gt;- Já sei, já sei...vai sair sua promoção no trabalho..&lt;br /&gt;- Não!&lt;br /&gt;- Desisto.&lt;br /&gt;Desanimado:&lt;br /&gt;- Nosso aniversário de namoro.&lt;br /&gt;Com muita vergonha:&lt;br /&gt;- Desculpe. Essas coisas não são tão importantes, o mais importante é que estamos juntos.&lt;br /&gt;- É, talvez você tenha razão.&lt;br /&gt;Não conseguiu esconder a decepção. Toda mulher lembraria uma data como essas. Ela não. Por isso dá certo. Eles formam o contraponto. E se equilibram.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-116411365535858490?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/116411365535858490/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=116411365535858490' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/116411365535858490'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/116411365535858490'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2006/11/dia-de-amanh.html' title='Dia de amanhã'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-116352851119715468</id><published>2006-11-14T15:31:00.000-02:00</published><updated>2006-12-07T02:53:51.310-02:00</updated><title type='text'>As Leis de Newton</title><content type='html'>- O peso de um corpo, também chamado de força-peso, representado por P, é calculado multiplicando a massa corpórea, que o senso comum chama de peso, pela velocidade da gravidade, representada por g.&lt;br /&gt;Virou de costas para a sala e esquematizou por escrito na lousa tudo o que tinha acabado de explicar.&lt;br /&gt;Continuou a aula.&lt;br /&gt;- Se alguém pular do sétimo andar da janela de um prédio, como calcularemos a velocidade da queda, excluindo o atrito do corpo com o ar?&lt;br /&gt;Silêncio. Sala cheia. Ninguém se manifestou. Física sempre foi matéria complexa. Somente alguns eram capazes de compreender todas as suas leis e aplicações.&lt;br /&gt;- Ei, pessoal, vamos lá! Vocês tem que revisar a matéria na casa de vocês, porque senão eu vou ficar aqui falando sozinha...&lt;br /&gt;Apesar da dificuldade que a disciplina representava para os alunos, a professora era muito bem quista por todos. Uma das alunas, sentada na primeira carteira da fileira do meio, arriscou alguns palpites:&lt;br /&gt;- Acho que nesse caso, além da força peso, teremos que considerar a altura de onde a pessoa saltou...&lt;br /&gt;- Isso mesmo. Está indo pelo caminho certo. Como disse nossa colega, nesse caso a velocidade é também influenciada pela altura de onde a pessoa cai e evidentemente pela sua força-peso - volta-se para a lousa e passa a transliterar o que raciocina - Dessa forma usamos o intervalo de espaço, representado por delta S, sobre o intervalo de tempo em que o corpo demora para cair, representado por delta t. Ei pessoal, já dá prá ter até uma idéia se a pessoa morreu ou não...&lt;br /&gt;Os alunos riram. A professora riu amarelo. O sinal tocou indicando que aula terminara.&lt;br /&gt;- Até a semana que vem para quem não vier no plantão de dúvidas que darei amanhã a tarde.&lt;br /&gt;Mexeu os dedos da mão direita em sinal de despedida e desapareceu pela porta da sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi até a sua casa. Almoçou, descansou e viu um pouco de TV. Por volta das seis da tarde, estava limpando a janela do seu quarto e olhou para baixo. Morava no sétimo andar de um prédio no centro da cidade. Sua janela dava para o playground. Muitas crianças brincavam àquela hora, depois de terem ficado na escolinha o dia todo. Olhos pensativos. Lousa. Cálculos. Janela. Chão. Ficou calculando a velocidade com que cairia de pulasse. Lousa. Alunos. Aula. Vida. Colocou o pé direito para fora da janela e obcecada por materializar uma teoria de anos, pulou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caiu sobre a gangorra e, por sorte, não atingiu nenhuma das crianças, que olharam assustadas para o que tinha acabado de acontecer. Algumas babás, em vão, tentaram tapar os olhos dos pequenos. Caiu em pé. Seu corpo foi dividido em dois pelas ferragens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Newton a tinha desatinado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-116352851119715468?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/116352851119715468/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=116352851119715468' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/116352851119715468'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/116352851119715468'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2006/11/as-leis-de-newton.html' title='As Leis de Newton'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-115993179856841421</id><published>2006-10-03T23:56:00.000-03:00</published><updated>2006-10-04T00:16:38.593-03:00</updated><title type='text'>bang bang</title><content type='html'>Hoje percebi o quão importante foi o plebiscito sobre o desarmamento. O resultado não foi o esperado - compreensível, já que estamos falando de um país que por um triz não reelegeu Lula, aquele que não quer ver -, mas é o que foi decidido e ponto final. A primeira vista, nenhuma mudança factual para o cidadão comum. Mas, tenho dito: graças a Deus não tenho uma arma.&lt;br /&gt;No metrô, voltando da Lapa, tive impetos de metralhar umas várias pessoas. Pelo simples fato de estourar os seus miolos. E só. Não pelo desejo de matar, mas de aliviar. Estava segurando na barra do metrô e fiquei olhando toda aquela gente se amontoando num espaço mínimo. Tive pena e depois nojo e vontade de metralhar todos que estavam a minha volta. Simplesmente mirar na testa e pou...acertei. Que maravilhosa sensação.&lt;br /&gt;Você é feio, você masca o chiclé de um jeito que eu não gosto, você come de boca aberta...bla´blá bla, motivos não faltarão. Bang Bang você morreu!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-115993179856841421?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/115993179856841421/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=115993179856841421' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/115993179856841421'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/115993179856841421'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2006/10/bang-bang.html' title='bang bang'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-115982950841111631</id><published>2006-10-02T19:32:00.001-03:00</published><updated>2006-10-02T19:51:48.423-03:00</updated><title type='text'>Esperar prá ver</title><content type='html'>"Presidente que foge de debate mostra que prefere ficar escondido atrás de publicidade paga com dinheiro do povo em vez de ir para o ringue lutar em igualdade de condições ", frase dita em 1998 pelo então candidato Luiz Inácio Lula da Silva, que agora não deseja participar dos debates .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Irônico não? Olha só como o mundo é uma bola mesmo...E olha como a palavra proferida, quando testemunha, tem o efeito de uma bomba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A oposição vira situação. Essa frase é obvia se imaginarmos que todo partido empossado no governo, desconsiderando ideologias e discursos, torna-se automaticamente situação. Contudo, não é fato consumado um PT cheio de glórias e retóricas embebidas de conceitos como democracia, liberdade e ética, entrar de cabeça no saco de farinha que sempre criticou. A decisão só acontece no segundo turno, daqui exatos quatro domingos. Graças a Deus: o eleitor vai ter tempo de respirar e botar a massa encefálica para funcionar. Durante a campanha do 1° turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez o que sempre criticou: fugiu do debate, articulação interessante e bastante proveitosa para o eleitor, que pode saber mais das propostas de governo de cada um dos presidenciáveis. Segundo informações oficiais, a ausência nos debates foi uma questão estratégica. Qual será a conduta do barbudo durante a campanha do 2° turno?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É esperar pra ver.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-115982950841111631?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/115982950841111631/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=115982950841111631' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/115982950841111631'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/115982950841111631'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2006/10/esperar-pr-ver.html' title='Esperar prá ver'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-115921808703518703</id><published>2006-09-25T17:57:00.000-03:00</published><updated>2006-09-25T18:01:27.050-03:00</updated><title type='text'>Lula, Fidel e outras cositas más</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Com a proximidade das eleições e o aumento considerável do meu ódio certo candidato a presidência, coloco um texto que escrevi no dis 29 de agosto e que fora publicado no blog Pronto para Impressão&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a saúde debilitada de Fidel Castro é tempo de volvermos nossos olhares para Cuba e fazermos algumas reflexões. A burocratização das estruturas de sistemas de governo socialistas, como é o caso do referido país, servem justamente para conter a prática do patrimonialismo. Ou ainda, conter os ímpetos de manifestação dos próprios desejos quando se dirige um país. O que temos em Cuba é um socialismo e uma ditadura. O diatador Fidel, aprumado em uma estrutura socialista. Um líder burocrático, com claras características patrimoniais. Um líder de um país com uma educação exemplar e uma reforma agrária bem sucedida (que diga-se de passagem é uma articulação extremamente capitalista) e a pobreza igualitariamente dividida. A liberdade de expressão é inexistente e não podemos falar em imprensa articulada em Cuba. Mas como ficou provado no plebiscito feito no início deste século, o governo Castrista tem um elemento que o mantém vivo e forte. Um elemento que o filósofo Gramsci, no início do século passado, batizaria como legitimidade. É o que mantém o Estado em pé. Afinal, o que Cuba é? Vivem regidos pela burocracia ou pelo patrimonialismo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Legitimidade é a palavra-chave para entendermos o cenário político brasileiro. Lula é um ridículo. Mas é um líder amparado pelo consenso de quem o elege. E "quem" aqui é no sentido de grupo social. Há pouco mais de um mês das Eleições 2006, Lula passeia com seu ar pavonado de vencedor. Um militante que almejou o socialismo, chegou ao governo quando abandonou o sonho e hoje é um líder, em absoluto, patrimonial. Um monarca absolutista. Uma cria de ditador. Pode indagá-lo caro leitor, se seu desejo mais íntimo não seria o poder vitalício? Ele responderá que sim, pode ter certeza. O Congresso nunca foi tão descaradamente patrimonial quanto no Governo do petista. Nunca houve tanta camaradagem nas escolhas de Lula para ocupar os ministérios. E outros casos, que nem sonhamos saber. E nem nunca saberemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dá até prá compreender. Gramsci é o teórico que norteou a formação ideológica do Partido dos Trabalhadores, nos idos dos anos 80. O que esqueceram de falar para o presidente é que a legitimidade a qual Gramsci se referia era num contexto socialista, não em um contexto no qual esta dependeria de conchavos e de ideologias na lata do lixo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-115921808703518703?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/115921808703518703/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=115921808703518703' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/115921808703518703'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/115921808703518703'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2006/09/lula-fidel-e-outras-cositas-ms.html' title='Lula, Fidel e outras cositas más'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-115800233770579174</id><published>2006-09-11T16:08:00.000-03:00</published><updated>2007-03-05T13:59:38.118-03:00</updated><title type='text'>Um dia dá certo</title><content type='html'>Embora o sol brilhasse esplêndido lá fora, dentro de mim estava escuro e sombrio. É muito complicado lidar com um inimigo invisível. Você olha para o lado e não há nada. Você pára prá pensar e nada povoa a mente, porque simplesmente o problema não está fora, mas dentro.&lt;br /&gt;Tive pensamentos ruins e me culpei por isso. Não pura e simplesmente por tê-los sentido, mas por tê-los aceito como saída.&lt;br /&gt;As razões para deixar de viver, via de regra, são muito egoístas. Me senti fraca por pensar na morte. Uma filha da puta, na verdade. Como posso pensar em deixar de viver momentos tão bons como os que vivo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho medo do que penso, às vezes. A nossa mente é uma máquina e pode acontecer de ter uma reação na esperada, que não estava explícita no manual de instruções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje peguei a caneta bic com a qual estava fazendo palavras-cruzadas e enfiei na garganta. Não sei que merda me passou pela cabeça, mas no minuto seguinte me senti tão tola que tive medo de olhar para o lado e encontrar alguém me fitando com ar de reprovação total.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sangrou muito e está doendo ainda. O médico disse que por sorte não acertei a jugular. Poderia ter morrido. Ele disse que com essas historinhas um dia eu acabo acertando e não vai ter volta. Pensei que é melhor não pagar prá ver.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-115800233770579174?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/115800233770579174/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=115800233770579174' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/115800233770579174'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/115800233770579174'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2006/09/um-dia-d-certo.html' title='Um dia dá certo'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-115509573486479215</id><published>2006-08-09T00:22:00.000-03:00</published><updated>2006-08-10T18:50:20.486-03:00</updated><title type='text'>O amor como máscara</title><content type='html'>Amores impossíveis com diferença de dois séculos na concepção de um e de outro. Em ambas histórias, os protagonistas sacrificam seus privilégios e regalias em nome de um amor, que ao menos se prova, para vida toda. A filmagem do longa "Tristão e Isolda" (2006), por Kevin Reynolds, baseado em uma história que data do século XII, assinada pelo francês Béroul - não há registros autorais da lenda, o que se sabe é que veio a público na Idade Média - faz com que a memória traga a tona a história Shakespeareana dos amantes eternos "Romeu e Julieta".&lt;br /&gt;Além de arrancarem suspiros apaixonados até mesmo dos mais insensíveis espectadores, os filmes guardam outra característica que os aproxima. O amor cortês - em que há uma testemunha ocular, que em algum momento da trama torna-se pivô de uma decisão - é usado como pretexto para falar de um nefasto hábito da condição do ser humano: a mentira.&lt;br /&gt;Julieta crava um punhal no peito - na versão original; na contemporânea, se mata com um tiro na cabeça - porque não suporta a idéia de que seu plano secreto não chegou a conhecimento de Romeu. Isolda é obrigada a casar-se com o Senhor de seu grande amor, por ocultar de Tristão sua verdadeira identidade.&lt;br /&gt;Há os que comumente dizem que foi o destino, obra do acaso ou algo que o valha. Não acredito. Temos inteira responsabilidade pelos nossos atos. Em ambos os casos, as protagonistas foram induzidas a mentir: Isolda foi persuadida pela ama a mentir o nome, por essa achar que seria perigoso revelar sua verdadeira identidade; Julieta foi convencida pelo padre, que o simulacro de sua morte, sem que ninguém exceto ele e Romeu soubessem, seria a única saída para um final feliz.&lt;br /&gt;Pode parecer bobeira, mas imaginem como teria sido conduzida a história se os personagens citados acima não existissem e não tivessem realizado influência efetiva no direito ao livre arbítrio das protagonistas?&lt;br /&gt;A idéia não é levantar bandeira, tampouco encontrar culpados. O fato é que o amor, colocado em primeiro plano nas histórias, é, em essência, mote para discutir a questão da mentira, do engano, nos dois casos, decorrentes de opções conscientes dos personagens.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-115509573486479215?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/115509573486479215/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=115509573486479215' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/115509573486479215'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/115509573486479215'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2006/08/o-amor-como-mscara.html' title='O amor como máscara'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-115341866980970431</id><published>2006-07-20T15:03:00.000-03:00</published><updated>2006-07-20T15:04:29.823-03:00</updated><title type='text'>Uma festa qualquer</title><content type='html'>Uma música embalava a alma. Uma magia no ar. Algo diferente aconteceria na vida daquele reles mortal. Arrumava-se de um jeito diferente para ir àquela festa. Não sabia o por quê, mas tinha uma certeza: aquela não seria mais uma das muitas festas que iria, despretensioso. O destino reservava para aquela noite, cadeira cativa na platéia da felicidade. Encontraria um certo alguém? O grande amor da sua vida? Como sabê-lo?&lt;br /&gt;Do outro lado da cidade, se arrumava para a mesma festa, aquela que mudaria os rumos da sua existência. A única capaz de controverter a técnica milenar da quiromancia que acusava nas mãos dele, infelicidade eterna no amor. A linha do amor das mãos dela era curta, igualmente confusa, apagada como a dele. Era incrível, mas ela também estava embalada por uma sensação ímpar de prazer iminente. Sentia no ar, um toque especial de desejo a ser concretizado, tão logo.&lt;br /&gt;Chegaram à festa. Tinha gente para todos os lados. Muita. Muita gente! Para dar uma volta perimetral no salão, eram necessários uns 65 minutos. Ou mais. Quem sabe? Dependeria da velocidade média dos passos de cada um...&lt;br /&gt;Ele pensava como seria ela. Ela procurava nos rostos do salão, uma idealizada forma de amor. Predestinados a viver um grande amor! Quem saberia? Exaustivamente, procuravam, não se sabia ao certo a que, ou melhor, a quem, mas procuravam o que nem tinham perdido ainda. Claro, já que nem tinham achado!&lt;br /&gt;Jamais desistiriam. Persistentes, encararam muitos rostos, fitaram muitos corpos, fotografaram muitas retinas, tocaram em muitas mãos. Muita gente na festa. Não se encontraram. Era melhor começar a dar crédito a quiromancia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-115341866980970431?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/115341866980970431/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=115341866980970431' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/115341866980970431'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/115341866980970431'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2006/07/uma-festa-qualquer.html' title='Uma festa qualquer'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-115143411586585975</id><published>2006-06-27T15:46:00.000-03:00</published><updated>2006-06-27T15:51:50.050-03:00</updated><title type='text'>Perfil - Na Berlinda</title><content type='html'>Após grande parte dos jogos do Brasil, durante a Copa do Mundo, quem vai entrar ao vivo com o programa Gazeta Esportiva, usa saia, batom vermelho e cabelos louros na altura dos ombros. Michele Gianella, aos 26 anos, é apresentadora do programa de esportes há cinco. Jornalista formada pela Faculdade Cásper Líbero, começou como repórter no programa de variedades Mulheres, da Rede Gazeta, fez mais de 80 reportagens, quando enfim foi convidada para integrar o núcleo de esportes da emissora. “Fui convidada, porque sou uma cria da casa”. Participa do programa Mesa Redonda, recebendo perguntas por e-mail, ao lado de Flávio Prado, Chico Lang, Celso Cardoso e Osmar Garrafa, e tem um quadro no programa Disparada do Esporte, transmitido pela rádio Gazeta AM, 890 mhz, no qual fala sobre os bastidores do mundo esportivo, às terças e sextas-feiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“No começo foi um pouco difícil, porque são muitos jogadores, muitos campeonatos”. Além disso, Michele vinha de um programa feminino de variedades. “Muita gente virava pra mim e falava: ‘você é modelo?’ e eu fazia questão de dizer ‘não, sou jornalista’. A beleza ajuda por um lado, mas por outro a cobrança em cima do seu trabalho é maior, você tem que provar todo dia que você é capaz, que é responsável e que sabe o que está fazendo”. Para driblar as dificuldades, criou uma estratégia que considera infalível. “Eu tenho um caderno de estudos, onde eu anoto os campeonatos, os nomes dos jogadores e algumas informações de cada um deles. Hoje já tô tirando de letra”, comemora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Única mulher da equipe, Michele considera tanto o ambiente de trabalho como a relação com os colegas ideal. “Não existe isso de preconceito. Eu participo de todas as reuniões, eles me ouvem e todo mundo discute junto. É bem aquela coisa de equipe e acho que por isso os programas têm dado um resultado tão bacana em termos de ibope”, ressalta.&lt;br /&gt;Michele diz que a convicção de ter ultrapassado todas as barreiras veio com o convite para integrar o Mesa Redonda. “É uma jaula de leões. Se você for um cordeirinho é devorado, seja pelos convidados, seja pelos comentaristas. Precisa ter o conhecimento, a postura, porque é um programa ao vivo, onde tudo pode acontecer”, explica a jovem jornalista. Após ter sido enfrentada pelo goleiro Rogério Ceni – quando chamou o São Paulo de amarelão no ar – e peitado o técnico Leão – que a acusou de usar a voz de um internauta para fazer uma pergunta delicada –, dá a dica de sobrevivência. “Tem que ser firme, porque senão eles acham que você só vai ficar adulando e não é isso”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-115143411586585975?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/115143411586585975/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=115143411586585975' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/115143411586585975'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/115143411586585975'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2006/06/perfil-na-berlinda.html' title='Perfil - Na Berlinda'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-114989353707996061</id><published>2006-06-09T19:07:00.000-03:00</published><updated>2006-07-28T11:29:42.120-03:00</updated><title type='text'>A sorte está lançada</title><content type='html'>- Você vai morrer&lt;br /&gt;- Vou nada! Quem vai é você...&lt;br /&gt;- O menos ágil vai morrer&lt;br /&gt;- Ou o menos rápido&lt;br /&gt;- Ou aquele que tiver mais sorte&lt;br /&gt;Dois amigos apostaram o resultado da final do Campeonato Brasileiro daquele ano. Deu empate. Decidiram levar a história as últimas conseqüências: resolver na roleta russa.&lt;br /&gt;Quem estava no centro das atenções era uma pistola cromada calibre 38. A coronha era de madeira. Cerejeira.&lt;br /&gt;Um escolheu pinga prá tomar coragem. O outro optou por tequila, em respeito as raizes mexicanas do pai.&lt;br /&gt;Na cartucheira, seis espaços que logo seriam ocupados por duas balas devidamente selecionadas.&lt;br /&gt;Gira a roleta. A sorte está lançada. Já há um escolhido para começar o duelo.&lt;br /&gt;Segura a arma com força, pressionando-a sobre a mesa. Puxa-a e posiciona-a próximo ao ouvido esquerdo.&lt;br /&gt;- O cano está frio&lt;br /&gt;- É claro, isso é ferro, seu burro&lt;br /&gt;As mãos, suando em bica gelada, se espremem na arma, com o objetivo de não deixá-la escorregar. Não há muito tempo para pensar, quando o indicador desliza sobre o gatilho, levando-o para trás.&lt;br /&gt;Apenas um clique, indica que o gatilho foi acionado, porém não havia bala. Livre, comemora a passagem. Um suspiro longo e aliviado.&lt;br /&gt;Coloca a arma sobre a mesa e gira. O cano fica entre os dois. Haverá um tira-teima. É a vez do outro. O rito de nervosismo que antecede a proximidade óbvia com a iminência da morte se repete. As mãos roxas seguram a arma, com o suor gelado do oponente e fica difícil saber o que é mais frio naquele momento: o medo ou a matéria.&lt;br /&gt;- Vamos acabar logo com isso.&lt;br /&gt;Num repente, segura a arma sem hesitar e aperta o gatilho, exigindo um certo esforço dos seus dedos que àquele momento já tinham as articulações comprometidas. Novamente um barulho de atrito do ferro indica que a roleta teria muito para rodar ainda.&lt;br /&gt;Nova rodada. O primeiro cumpre novamente o ritual. Dessa aponta para o ouvido direito. Um estrondo. Silêncio. Mãos na boca. Sangue na parede. "Eu disse a ele que o lado esquerdo dava sorte".&lt;br /&gt;Atordoado pela cena e nauseado pelo cheiro de pólvora, pensou que alí ainda restava uma bala para ele. No empate não há vencedores e perdedores. É uma situação onde todos ficam empareados.&lt;br /&gt;Não pensou muito. Girou o pente do revolver e colocou o cano no céu da boca. Estrondo. Silêncio eterno.&lt;br /&gt;O rádio, baixinho, sintonizado na 97.6 mhz AM informa o cancelamento da partida final do Campeonato Brasileiro por suspeita de corrupção da arbitragem. O locutor conta aos ouvintes que ainda não está decidido o dia para um novo jogo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-114989353707996061?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/114989353707996061/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=114989353707996061' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/114989353707996061'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/114989353707996061'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2006/06/sorte-est-lanada.html' title='A sorte está lançada'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-114911380060339721</id><published>2006-05-31T19:11:00.000-03:00</published><updated>2006-06-06T13:26:30.480-03:00</updated><title type='text'>Ela é uma super mulher</title><content type='html'>&lt;em&gt;Clima de Copa do Mundo, nos próximos dias vou publicar perfis que de mulheres notáveis no cenário esportivo da imprensa brasileira.&lt;/em&gt; &lt;em&gt;O primeiro é da Soninha Francine. Comentem...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Todos os dias, ela chega aos estúdios da ESPN numa Vespa, vestindo calça jeans, uma mochila amarela nas costas e tênis necessariamente confortáveis nos pés. Maquiagem tem que ser leve e só para gravar. “Maquiagem carregada, me deixa super incomodada. Fazer um programa de esporte com um bocão não tem o menor cabimento”. Aos 38 anos, Soninha divide o pouco tempo que tem entre a Câmara dos Vereadores, as três filhas – Rachel, 22, e Julia, 9, que moram com ela, e Sarah, 18, que mora com o pai – e o programa esportivo Bate-Bola, exibido pelo canal pago ESPN – Brasil e o caderno de esportes do jornal Folha de S. Paulo.&lt;br /&gt;Formada em Cinema pela USP, Soninha começou como VJ da MTV, emissora na qual passou dez anos de sua vida. De lá foi para a Cultura apresentar um programa que reuniria música, teatro, futebol, política e meio ambiente. “Era o que eu queria: um programa diário, ao vivo, com todas essas coisas, pra mim uma combinação deliciosa”. Na época foi envolvida em uma polêmica com maconha e demitida da TV Cultura, mas já estava na ESPN que teve uma posição diferente da qual ela se recorda muito bem. “O Trajano me chamou e falou ‘olha a gente recebeu uma pilha de e-mails nos elogiando por não ter te mandado embora e outra dizendo que iam cancelar a assinatura, porque esporte é saúde e não poderia ter uma drogada na programação’. Aí ele apontou para a segunda pilha e disse ‘esses aqui, se quiserem, vão ter que cancelar a assinatura’”.&lt;br /&gt;Apesar de o ambiente do futebol ter predominância masculina, Soninha acredita que a questão do preconceito está quase superada. “Eu não vou dizer que eu nunca tive problemas com colegas no ar. Nunca teve nada muito descarado, mas já rolou de estar numa mesa e tomar uma cortada. Se um colega dissesse a mesma coisa, talvez não causasse uma reação tão ríspida”.&lt;br /&gt;Com mais de um ano de mandato como vereadora pelo PT-SP, Soninha afirma que não há comparação entre os problemas que enfrentou no futebol e na política. “A política é mais difícil que qualquer coisa. Estou enfrentando problemas, mas não é por ser mulher. É mais uma questão de inflexibilidade. Depende do que você aceita abrir mão pra fazer com que o negócio aconteça”.&lt;br /&gt;Ansiosa com a expectativa de pela primeira vez cobrir uma Copa do Mundo, aponta que Parreira acertou ao convocar Rogério Ceni e deve repensar a idéia de fazer os treinos abertos. “Sempre treinar aos olhos do público é muito complicado. O treino é uma hora onde você deve ter sossego”. Soninha embarca na quinta-feira para a Alemanha e dá a dica para o sucesso da seleção. “Saber a hora de desobedecer. O técnico tem a obrigação de mandar e o jogador de obedecer, mas tem que ter a presença de espírito para o imprevisto. É isso que faz a diferença na hora”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-114911380060339721?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/114911380060339721/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=114911380060339721' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/114911380060339721'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/114911380060339721'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2006/05/ela-uma-super-mulher.html' title='Ela é uma super mulher'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-114789283330301211</id><published>2006-05-17T14:42:00.000-03:00</published><updated>2006-05-23T14:54:23.446-03:00</updated><title type='text'>O aniversário que não foi</title><content type='html'>Belinha ficou a semana inteira esperando a sexta-feira chegar. Era o dia de seu aniversário. Começaria a completar mais uma vez a mão. Ao mesmo tempo que era muito legal fazer aniversário, a idéia de que passaria a ter vinte e um anos a amendontrava um pouco. Os mais velhos diziam que depois dos vinte, o tempo passaria tão rápido que quando ela parasse para se dar conta, já estaria com os cabelos brancos e algumas rugas no rosto.&lt;br /&gt;Não dormiu bem na véspera de seu aniversário. Confusa, não sabia dizer se era de ansiedade ou por conta da série de pesadelos que a atormentaram a noite toda. Sonhou que era como era: jovem, a pele bonita e sadia, e ao se olhar no espelho, viu no reflexo, uma velha caquética, com a pele cheia de marcas inexoravelmente deixadas pelo tempo que muito velozmente passou. Inconformada, ao se levantar da cama na manhã de sexta-feira, pensou que não queria mais crescer. A bem da verdade era que não queria mudar de idade. Imaginou que dali algumas horas deixariam até mesmo de chamá-la de Belinha. Ela seria Isabella, a anciã.&lt;br /&gt;Lavou o rosto para espantar o sono e desceu as escadas do sobrado que morava desde a infância para o café-da-manhã. Sua mãe estava assistindo a um programa de receitas fáceis para o dia-a-dia da mulher moderna. Nem notou quando a filha chegou.&lt;br /&gt;- Manhê! Uhu...eu estou aqui...&lt;br /&gt;- Nossa filha, me desculpe, estava distraída.&lt;br /&gt;Deu a volta na mesa, aproximou-se de Belinha e deu-lhe um beijo na testa. Não disse nada, apenas cumprimentou-a como de hábito. Belinha estranhou:&lt;br /&gt;- Não está se esquecendo de nada?&lt;br /&gt;A mãe ficou pensando, pensando:&lt;br /&gt;- Não.&lt;br /&gt;- Mãe, hoje é meu aniversário.&lt;br /&gt;Num riso incontido:&lt;br /&gt;- Não é não minha filha, você está se confundindo.&lt;br /&gt;- Você acha que eu erraria o data do meu próprio nascimento?&lt;br /&gt;- Ai ai, acho que anda trabalhando demais...Por que não pede uma folga ao seu chefe?&lt;br /&gt;Belinha ficou sem-graça. Desenchavida, tomou o café com leite num gole só e saiu.&lt;br /&gt;Na faculdade, ninguém se lembrou do seu aniversário, nem mesmo a melhor amiga. Todos diziam que ela havia enlouquecido e riam dela. Mas se perguntasse que dia era então seu aniversário, não recebia resposta alguma. Como poderia acontecer algo daquele tipo?&lt;br /&gt;A esperança de provar sua sanidade era o pessoal do trabalho. Cruzando os dedos, entrou na sala, a espera de um abraço de parabéns. Nada aconteceu. Os colegas mais próximos deram um boa tarde comum e alguns até arriscaram um abraço, por estarem de bom humor. Ninguém se lembrara do seu aniversário.&lt;br /&gt;Perturbada, começou a pensar de que forma provaria que não estava sendo vítima de um surto psicótico. Abriu a carteira e pegou o RG. Seria a prova concreta e cabal de que nascera naquele dia, há vinte e um anos, a partir daquele momento. Para sua surpresa e pavor, a data estava borrada. Não havia dia, nem mesmo, tampouco ano de registro do dia que veio ao mundo.&lt;br /&gt;Voltou para a casa e pediu a mãe o registro de nascimento.&lt;br /&gt;- Isabella, o seu registro ficou em chamas no incêndio da antiga casa. Você não se lembra, porque ainda era um bebê de alguns meses.&lt;br /&gt;Nunca ouvira a mãe chamando-a pelo nome de batismo. Isso a perturbou um bocado. Pensava ser vítima de alguma teoria da conspiração. Estava tão agitada, que sua mãe percebeu:&lt;br /&gt;- O que foi, filha?&lt;br /&gt;- Mãe, se meu aniversário não é hoje, quando é?&lt;br /&gt;- Já foi. Você escolheu isso.&lt;br /&gt;Belinha lembrou da noite anterior, de tudo que havia sonhado, mas não entendeu. O primeiro passo para receber votos de um feliz aniversário é estar plenamente satisfeito com a idade. Todas as épocas da vida têm dores e delícias. Tem que saber dosar. Só compreenderia, com o passar dos anos, que a vida estava passando só ela não.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-114789283330301211?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/114789283330301211/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=114789283330301211' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/114789283330301211'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/114789283330301211'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2006/05/o-aniversrio-que-no-foi.html' title='O aniversário que não foi'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-114747405214944747</id><published>2006-05-12T19:08:00.000-03:00</published><updated>2006-05-15T14:06:09.900-03:00</updated><title type='text'>O peso da vida</title><content type='html'>Na varanda da casa, numa quarta-feira qualquer.&lt;br /&gt;- O cemitério tem uma coisa bonita, não sei. É algo que soa quase como uma poesia, uma bela música, não sei.&lt;br /&gt;- Que idéia é essa?&lt;br /&gt;- Nada não, fico só pensando, sei lá. Toda vez que vou a um cemitério, fico passando por entre as túmulos, olhando as fotos, os nomes, a data de nascimento e de morte, aí calculo a idade da pessoa e fico me perguntando: quem era, em vida? Você não pensa essas coisas?&lt;br /&gt;- Não! De jeito nenhum. Só vou a esses lugares quando tem velório, mas faço as honras e me mando em seguida. A proximidade com a morte me dá arrepios - passando as mãos nos braços, num instinto de auto-proteção.&lt;br /&gt;- Não é a morte, são apenas pessoas mortas. Um dia foram como nós e quem sabe conversaram numa quarta-feira, na varanda de suas casas.&lt;br /&gt;- Você me dá medo, as vezes...&lt;br /&gt;- Quando me deparo com aquelas tumbas onde não há foto, fico pensando se, de repente a pessoa era feia demais ou se não houve quem se preocupasse com isso.&lt;br /&gt;- Há há há, essa é boa. Quem se preocupa com isso? Que importa colocar uma foto do morto, se...&lt;br /&gt;Interrompendo:&lt;br /&gt;- É para eternizar o momento entende?!? Em alguma fase da existência da humanidade, em algum lugar, esse alguém teve importância para outro. Não colocar uma foto é enterrar o registro cabal de que aquela pessoa realmente existiu. Não permitir que a vejamos é demasiado cruel! Nunca poderemos saber quem é.&lt;br /&gt;- Você anda estranha...&lt;br /&gt;- E os túmulos de famílias, então. Na Lapa há vários deles. Geralmente são de granito escuro, preto ou marrom. Fico muito curiosa quando leio "Família Guedes da Fonseca". Quais membros já ocuparam o lugar previamente reservado? Quais ainda restam?&lt;br /&gt;- Ai, meu Deus do Céu...Que fixação!&lt;br /&gt;- Não é fixação, é encantamento. Gosto de olhar os túmulos e ficar imaginando como foi aquela pessoa, como terminou sua vida. Será que era boa? Será que era rica ou pobre? Morreu de desastre ou por não agüentar mais o peso da vida?&lt;br /&gt;Silêncio.&lt;br /&gt;- O que mais penso é se era sozinha no mundo ou deixou saudades.&lt;br /&gt;- Esse lance de gostar de cemitério e talz, tá parecendo coisa de gótico - num riso de escárnio&lt;br /&gt;Inebriada pela emoção do devaneio:&lt;br /&gt;- Será que quando eu for enterrada, alguém vai passar pelo meu túmulo e se perguntar quem era eu, afinal?&lt;br /&gt;Puxando o braço da garota, na ânsia de trazê-la de volta a realidade, o irmão diz:&lt;br /&gt;- A morte de mamãe deve ter te perturbado um bocado...&lt;br /&gt;- Muito pelo contrário. Não me preocupa, porque todo mundo sabe o que mamãe foi em vida. Todos sabem que foi boa mãe, generosa, fiel, amistosa, inteligente e tudo o mais. O que me preocupa é ser injusta sabe?!? Nessas de ficar imaginando, corre-se o risco de fazer mau juízo de alguém que já morreu e nem pode se defender mais.&lt;br /&gt;- Por isso é melhor não pensar em mais nada!&lt;br /&gt;- Não é mais possível. Esses pensamentos povoam a minha mente mesmo antes de mamãe partir dessa para melhor.&lt;br /&gt;- É bobagem! Temos que retomar a nossa vida. Só temos um ao outro agora.&lt;br /&gt;- Não sei o que vai acontecer, mas tive um sonho a noite passada.&lt;br /&gt;Numa gargalhada contida:&lt;br /&gt;- Não era de cemitério, né?&lt;br /&gt;- Não, era de vida. E de morte. Era você quem olhava nos meus olhos e dizia que seguiria só. Que havia um lugar lindo prá mim, cheio de poesia para eu cantar, porém, sem a sua companhia.&lt;br /&gt;Os olhos do irmão, arregalados, se encheram de lágrimas, mas não havia mais tempo. Compreendeu que para um destinava a morte e para o outro sobrava a vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-114747405214944747?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/114747405214944747/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=114747405214944747' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/114747405214944747'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/114747405214944747'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2006/05/o-peso-da-vida.html' title='O peso da vida'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-114680010816689967</id><published>2006-05-05T00:33:00.000-03:00</published><updated>2006-05-05T00:35:08.180-03:00</updated><title type='text'>Trecho de um reencontro</title><content type='html'>E quando retornei, incontroláveis lágrimas denunciavam a decepção que a visita proporcionava. E não era choro comum de tristeza. Era arrependimento convertido em desespero. Era choro de compaixão.&lt;br /&gt;Ela estava parada, com uma das mãos na cintura e a outra no batente da porta. Aquilo era suficiente desleixo para que eu percebesse que muita coisa havia mudado. Saia rota, cabelos desgrenhados, olhos apagados... Algumas rugas que denunciavam senão os anos de sofrimento aqueles que marcaram uma espera infinita.&lt;br /&gt;Eu cá estava atônito. Inconformado com a crueldade dos desencontros que a vida teima em colocar em nossos caminhos.&lt;br /&gt;Haveria guardado em nossos corações talvez um sentimento que nem o tempo conseguira modificar? Eu a amava mais que tudo! Ainda que muito tempo se passara, parecera que tivera sido agora a pouco. Ela ainda me amaria?&lt;br /&gt;Num ímpeto de reviver aquele amor eu caminhei em sua direção de braços abertos.&lt;br /&gt;Ela sorriu e também me recebeu em seus braços. E o que senti foi uma vaga saudade!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-114680010816689967?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/114680010816689967/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=114680010816689967' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/114680010816689967'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/114680010816689967'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2006/05/trecho-de-um-reencontro.html' title='Trecho de um reencontro'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-114652216821035840</id><published>2006-05-01T19:20:00.000-03:00</published><updated>2006-05-01T19:22:48.223-03:00</updated><title type='text'>Uma viagem ao inferno</title><content type='html'>Uma reconstrução do horror causado pela bomba atômica. Um retorno, 40 anos depois do episódio, resgata a identidade de alguns sobreviventes. Um livro histórico e de narrativa literária, é compreensível “Hiroshima” ser considerado um dos mais importantes livro-reportagem do século XX.&lt;br /&gt;O autor John Hersey deixa transparecer a posição favorável ao “new journalism” e dá uma aula de como fazer esse jornalismo mais emocional e literário, e menos técnico, sem, evidentemente, esquecer da ética e da importância da apuração idônea na produção jornalística.&lt;br /&gt;Por que o livro é uma referência? Primeiro pelo caráter de projeto que ele adquiriu: foi uma reportagem que o perseguiu e certamente o marcou para o resto da vida. Segundo, porque subverte a ordem das coisas, que se convencionou chamar de correta quando se trabalha a informação. Mostra, portanto, que a equação não se fecha: há muitas possibilidades de se dizer algo há alguém, mesclando objetividade jornalística com a subjetividade do ser humano.&lt;br /&gt;Não se atém a teorias, a especulações, a juízo de valor: simplesmente expõe os fatos e os descreve. Como quem teve contato direto e conseqüente envolvimento com aqueles que viveram na pele, os dias de tensão antes e depois do lançamento da bomba atômica, que punha fim a Segunda Guerra Mundial, o seu texto acaba adquirindo um caráter bastante emocional, o que o torna interessante. Por esse motivo, Hersey obtém sucesso ao narrar o inenarrável.&lt;br /&gt;            Seu ponto de partida são seis vidas, todas habitantes de Hiroshima, contudo, com trajetórias distintas e bem particulares. O curioso, é que, ao penetrar na vida de cada um desses personagens da vida real, Hersey mantém um afastamento da própria narrativa. A partir da caracterização dos tipos e costumes de cada um, percebe que os personagens contarão a história. A ele, cabe apenas a tarefa de pô-la no papel.&lt;br /&gt;            Descrição apurada, construção textual que permite o acesso irrestrito e de fácil compreensão. O fato de apresentar os personagens, esmiuçar suas vidas a fundo, cria a empatia com o leitor, para que esse, a cada página virada, deseje não parar. Essa é a chave do livro: as páginas do livro passam diante dos olhos como filme e emocionam, pois nos transportam, ainda que seja um pouquinho, para um genocídio sem precedentes, deferido por um dúbio ser chamado humano, que se mostra tão cruel, egoísta e, paradoxalmente, tão solidário. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Resenha do livro &lt;em&gt;Hiroshima&lt;/em&gt;, de John Hersey&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-114652216821035840?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/114652216821035840/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=114652216821035840' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/114652216821035840'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/114652216821035840'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2006/05/uma-viagem-ao-inferno.html' title='Uma viagem ao inferno'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-114629333566858601</id><published>2006-04-29T03:37:00.000-03:00</published><updated>2006-04-29T03:48:55.680-03:00</updated><title type='text'>Pequeno diálogo amoroso</title><content type='html'>- Ouvi dizer que a gente daria certo...&lt;br /&gt;- Quem disse isso?&lt;br /&gt;- Ah, eu ouvi!&lt;br /&gt;- Onde?&lt;br /&gt;Esquiva:&lt;br /&gt;- Por aí...&lt;br /&gt;Um sorriso amarelo nos quatro cantos das bocas:&lt;br /&gt;- Um passarinho da cor do amor!&lt;br /&gt;- Qual é a cor do amor?&lt;br /&gt;- Depende.&lt;br /&gt;- Do quê?&lt;br /&gt;- Do dia. Hoje ela está vermelha...&lt;br /&gt;Ele vestia uma camiseta vermelha e jeans.&lt;br /&gt;- ...e tem um toque tipo jeans também, sabe?!&lt;br /&gt;- Sei. Mas que importa isso tudo?&lt;br /&gt;- Importa que está escrito em algum lugar, e esse pássaro leu, e veio voando me contar.&lt;br /&gt;- Você está dizendo que está predestinado?&lt;br /&gt;- Se você acha isso...&lt;br /&gt;- Não acredito nessas coisas. É tudo bobagem!&lt;br /&gt;- O amor é bobagem?&lt;br /&gt;- Então quer dizer que você me ama?&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;- Que bom! Você facilitou as coisas!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-114629333566858601?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/114629333566858601/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=114629333566858601' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/114629333566858601'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/114629333566858601'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2006/04/pequeno-dilogo-amoroso.html' title='Pequeno diálogo amoroso'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-114585180877005974</id><published>2006-04-24T00:46:00.000-03:00</published><updated>2006-04-24T01:18:54.560-03:00</updated><title type='text'>Os dois lados da moeda</title><content type='html'>Naquele dia eu saí bem cedo com minha mãe para irmos até a cartomante. Fomos resolver os nossos destinos tão complicados e que de tão diferentes se cruzaram.&lt;br /&gt;Papai a deixou, grávida, e agora ela estava vivendo feliz um novo amor. Estava amando de novo. Eu estava atrapalhando. Mas mamãe não tinha coragem de se livrar do empecilho, porque era uma mulher, ainda que na imaturidade de seus dezessete anos, muito responsável. Ela estava perdida, não sabia o que fazer. Tudo o que eu queria era vê-la feliz. Por outro lado, queria merecer a chance de ao menos experimentar o gostinho de viver. Deve ser tão bom!&lt;br /&gt;Eu já tinha dado sinal de vida antes desse moço por quem mamãe se apaixonou aparecer, mas ela preferiu mentir sobre a minha existência. Teve medo de ser julgada e abandonada outra vez. Antes sempre alegre, ela caiu numa terrível depressão e eu também, porque tudo que mamãe vê eu vejo, tudo que mamãe sente eu sinto.&lt;br /&gt;Tudo isso me fazia ter crises existenciais; apesar da barriga da mamãe ser muito aconchegante, queria me libertar, criar uma identidade própria...Queria sair da escuridão!&lt;br /&gt;Enfim, chegamos à casa roxa da cartomante. Ao entrarmos, o cheiro de incenso penetrava nos poros o que me deixou um pouco atordoado. Mamãe ficou com dor de cabeça, mas acho que era de preocupação. Começou a chorar e contar sua triste história à cartomante que rapidamente pôs as cartas do tarô na mesa e deu resposta às dúvidas de mamãe.&lt;br /&gt;Aquela angustiante espera de mamãe me provocou náuseas e começei a me debater, fazendo com que ela lembrasse que eu ainda estava ali. Estaria sempre ao seu lado, se ela assim desejasse. Era uma questão de escolha.&lt;br /&gt;Sem antes ouvir a resposta, saiu da casa meio a esmo. Fomos parar numa clínica de aborto. Não conseguia odiá-la, pois era minha mãe e muito menos ao moço, pois ela o amava, talvez mais que a mim.&lt;br /&gt;As paixões são incertas. Fico só pensando se vale a pena trocar uma relação estável por uma aventura. Pode ser que sim, pode ser que não.&lt;br /&gt;Será que sentiria culpa ao me ver morto? Indefeso, eu não tinha culpa por ela estar naquela situação. Só podia confiar no bom senso. Mas não sei dizer se nessa situação o mais sensato seria me poupar. De qualquer maneira haveria uma morte: ou a do filho, ou a da paixão adolescente. Nunca é possível ficar com dois lados de uma moeda: quando escolhe um, o outro fica automaticamente descartado. Veja o meu caso, por exemplo, se escolher nascer, abandono o conforto do acolchoado ventre materno, mas terei o prazer de ver a luz de um dia de verão.&lt;br /&gt;Entramos na clínica. Fiquei impressionado com a fila. Nesses tempos, anda cada vez mais fácil mudar de idéia. Mamãe não sentia-se bem. Imagens da vida passavam pela sua cabeça e a difícil decisão martelava seu cérebro, esmagando-o.&lt;br /&gt;Decidiu. Saímos da clínica e fomos até a casa do moço de quem gostava muito, terminar o que nem havia começado. Abortou a possibilidade de amá-lo, já que ele era um moleque e seus sonhos não eram compatíveis com os dela. Quem sabe dalí a alguns anos eles se reencontrassem e fossem felizes? Seria obra do acaso. Nunca é bom contar com isso.&lt;br /&gt;Os destinos meu e de mamãe, que antes apenas haviam se cruzado, se tornaram somente um. Ela seria minha mãe e eu seu filho e isso, nem o tempo, nem ninguém iria mudar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-114585180877005974?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/114585180877005974/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=114585180877005974' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/114585180877005974'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/114585180877005974'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2006/04/os-dois-lados-da-moeda.html' title='Os dois lados da moeda'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-114557254140476381</id><published>2006-04-20T19:03:00.000-03:00</published><updated>2006-06-30T12:19:01.893-03:00</updated><title type='text'>Visita ao médico</title><content type='html'>1956&lt;br /&gt;- Doutor, tá doendo muito.&lt;br /&gt;- Espere um pouco, Helena!&lt;br /&gt;- Tô sentindo um aperto no peito, será que é alguma coisa grave?&lt;br /&gt;- Tenha paciência!&lt;br /&gt;- Eu tenho dor!&lt;br /&gt;O médico tentava acalmar a aflita Helena. Não podia examiná-la sem antes fazer a anamnese.&lt;br /&gt;Há alguns dias, ela sofria calada uma dor intensa no coração.&lt;br /&gt;- O que fez de diferente nos últimos dias?&lt;br /&gt;- Me poupe doutor, não quero conversar. Quero que o senhor me diga o que eu tenho - disse com um riso cínico e irritadiço&lt;br /&gt;- É o que eu estou tentando fazer - já impaciente&lt;br /&gt;- Eu tenho medo de morrer - dizia sem parar - tenho muitas coisas para resolver na minha vida! - Se você me deixar examiná-la, saberei o que você tem.&lt;br /&gt;Ela suspeitava de problemas irreverssíveis no coração, mas isso ninguém poderia perceber. Dona de casa dedicada, casou-se com um rico advogado com quem teve dois filhos. Cozinheira excelente. Era boa mãe. Tinha uma relação de suportabilidade com o marido.&lt;br /&gt;- Ai ai, não quero morrer!&lt;br /&gt;- A medicina muito avançou. Para vários males há tratamento.&lt;br /&gt;Helena caiu num copioso choro. Nenhum deles sabia que o mal que ela sofria não era físico. O médico pegou sua mão e concedeu-lhe apoio àquele momento de desespero. Ela foi se acalmando.&lt;br /&gt;- Tenho rezado muito, doutor.&lt;br /&gt;- Exercitar a fé é sempre bom.&lt;br /&gt;- Faço novena todo mês...&lt;br /&gt;- Quando isso começou?&lt;br /&gt;- Isso o quê? As novenas?&lt;br /&gt;- Isso tudo: as novenas, as dores no peito?&lt;br /&gt;- Nem me lembro mais - num suspiro - me sinto tão, tão infeliz...&lt;br /&gt;O médico percebeu que confrontava um mal para o qual a cura não seriam os remédios.&lt;br /&gt;- E o que você pede exatamente? - indagou astuto&lt;br /&gt;- Que perguntas são essas? Peço para minha melhora, e para criar meus filhos, e para falar....e para criar coragem...&lt;br /&gt;Confusa, desatou num choro ressentido e contido. O doutor apenas a observava e coçava o queixo. Excitada, mal conseguia respirar. Num sussurro, ela disse:&lt;br /&gt;- Eu não posso, mas quero...eu, eu não sou como todas as mulheres...&lt;br /&gt;Explodiu:&lt;br /&gt;- Eu não quero arrumar a casa, eu não quero filhos, eu não quero carinhos de um bigode e... Percebeu que fora traída pela própria emoção. O médico arregalou os olhos, mas não se deixou levar pelo julgamento óbvio e instantâneo. Respirou fundo:&lt;br /&gt;- Fale com ela.&lt;br /&gt;- Falar com quem?&lt;br /&gt;- Helena, você é adulta...&lt;br /&gt;- É difícil saber o que dizer...&lt;br /&gt;- Não, é simples: diga a ela que você a ama.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-114557254140476381?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/114557254140476381/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=114557254140476381' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/114557254140476381'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/114557254140476381'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2006/04/visita-ao-mdico.html' title='Visita ao médico'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-114515204077686145</id><published>2006-04-15T22:43:00.000-03:00</published><updated>2006-04-15T22:47:20.790-03:00</updated><title type='text'>O samba sabe o que diz</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Há duas semanas, fui ao Samba da Vela, um projeto da Comunidade de nome homônimo, sediado em Santo Amaro. Além de celebrar o mais puro samba de raiz, a preocupação em conscientizar frequentadores sobre os cânceres da sociedade é presente nas letras das músicas e nas falas dos chefes da Comunidade. Fiquei impressionada ao perceber que o mesmo povo que grupos de intelectuais obsoletos alcunham de ignorante e alienado, não o é. O proletariado, a massa supostamente comandada pela aristocracia pós-moderna tem um projeto de resistência muito claro, mas não tem voz. Ai reside o cerne da questão.As letras dos sambas falam de amor, de política, de cultura, enfim, da vida. Falam do passado com nostalgia, do presente com desengano e de um futuro utópico.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O sambista Murilão, no alto do seus 70 anos, foi quem mereceu uma atenção especial na noite de ontem. Ao ser chamado a compor a roda, juntar-se aos seus, levou uma composição que falava da situação política do Brasil e dizia mais ou menos assim:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Acabo de vir de Brasília, (ajeitando a gravata) &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;e vou contar a vocês meus amigos,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;o que é o conselho de ética,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;é uma doença morfética,&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;que por lá se espalhou"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vou parar por aqui. Acredito não ser necessário mais nada dizer. O povo não é burro. O povo sabe. O povo fala. Os escândalos que o Brasil conheceu o ano passado, e que continua vendo ainda hoje, passam pela composição simples do Murilão. Do Conselho de Ética muito se falou, pouco se entendeu, nada se resolveu. Está na boca da roda de samba, que é o retrato do Brasil.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(em breve vou disponibilizar uma série especial para rádio sobre o Samba da Vela que ajudei a produzir)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-114515204077686145?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/114515204077686145/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=114515204077686145' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/114515204077686145'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/114515204077686145'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2006/04/o-samba-sabe-o-que-diz.html' title='O samba sabe o que diz'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-114477719885286103</id><published>2006-04-11T14:37:00.000-03:00</published><updated>2006-04-12T09:41:19.153-03:00</updated><title type='text'>Mais um palhaço do circo sem futuro</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O OESP, nessa última semana, não fala em outra coisa a não ser na metástase cancerosa que culmina em mais uma execução pública. Os holofotes estão em Suzane - outro câncer - a menina rica e assassina e a morte súbita do (i)maculado ministro da Fazenda Antônio Palocci. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os jornalistas mais entendidos opinam, cientistas políticos e ex-petistas falidos e decepcionados o crucificam e ele, acredito, só faz piada. Aliás, o espetáculo circense está nos 45 do segundo tempo. É consenso entre os colunistas do OESP não descartar a possibilidade de Lula não terminar o ano no Palácio do Planalto. A OAB já se mobiliza em torno de um documento que pediria o impeachment do presidente Luis Inácio Lula da Silva.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O governo não perdeu mais um homem. Palocci significou, até o momento, elemento de redenção no julgamento que o povo fará em outubro desse ano. Para a opinião pública, ele não era apenas um dos únicos pilares da ala governista, mas aquele que havia conduzido os rumos da economia para o bom caminho. Ganhou respeito internacional - inclusive mudou a posição do Brasil na OMC - e alavancou os ganhos econômicos nos últimos anos. Estava executando um Ministério respeitável.Depois de se envolver nos escândalos com o carismático caseiro Nildo - palmeirense e gente da gente -, que tocou o coração dos brasileiros e teve seus quinze minutos de fama - quem não os quer? - foi enfiando o pé em um buraco profundo, onde lá no fundo havia uma jaca. Mole e podre. Aí, nem é necessário terminar a história. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O fato é que como todo réu, Palocci se declarou inocente, fez cara de dó e num momento de descontração fez a seguinte declaração: "A nossa economia está no céu. Já eu, estou mais para o lado do inferno de Dante"A piada é boa, mas a conduta merece cartão vermelho. Não acredito que ele estivesse em condições de fazer pilhéria - agora, menos ainda. Mas em se tratando de um espetáculo teatral, com fortes influências circenses ou mesmo da comédia dell'art, a cortina se fechou a semana passada. De palhaçada empatou com tantas outras figuras políticas destituídas do poder nos últimos meses. No quesito humor, ganhou em disparada. Fez humor negro da própria desgraça.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-114477719885286103?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/114477719885286103/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=114477719885286103' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/114477719885286103'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/114477719885286103'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2006/04/mais-um-palhao-do-circo-sem-futuro.html' title='Mais um palhaço do circo sem futuro'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-114472882021950869</id><published>2006-04-11T01:08:00.000-03:00</published><updated>2006-04-11T01:13:40.233-03:00</updated><title type='text'>Crescer é muito difícil! - parafraseando Guimarães Rosa (licença poética)</title><content type='html'>A real medida das coisas: as escolhas e as perdas que elas implicam, a linha tênue entre afetividade e paixão e o abismo invisível existente entre confiança e traição, são alguns dos conflitos da alma abordados a partir de uma narrativa introspectiva, detalhista e ao mesmo tempo enxuta. O eixo temático de Longe da Água, de Michel Laub, escrito em primeira pessoa e com discurso indireto, é a culpa.&lt;br /&gt;Ambientado em três espaços físicos – Porto Alegre, onde o narrador viveu a infância; Albatroz, a praia na qual passava as férias e São Paulo, que conheceu na maturidade – o livro usa o presente para falar de um passado que talvez não deixe saudade. Laura e Jaime são as figuras marcantes do livro e representam, para o protagonista, ao mesmo tempo alívio e angústia. As dúvidas enfrentadas na adolescência, a descoberta da sexualidade e a edificação de uma personalidade madura são temas corriqueiros que, para o autor, adquirem simbologias específicas no desenvolvimento da história.&lt;br /&gt;Michel Laub fala com verdade e com sentimento, fator que deixa em aberto quanto do conteúdo do livro é autobiográfico. O que no início parece uma contenção de sentimentos se revela como necessidade de trazer à tona os pensamentos mais íntimos. Fica a questão como um mistério indissolúvel: cada um tem uma versão para o mesmo fato. A história do livro adquire curiosamente um caráter universal, provocando uma sensação de encaixe, uma espécie de ‘dejavú’.&lt;br /&gt;É possível avaliar que o autor tem pela reflexão verdadeira adoração, elemento fundamental para a construção de um enredo carregado de conteúdo psicológico, que só se mostra à medida que a leitura vai prosseguindo. Entretanto, um ponto negativo na parte final do livro, momento que o leitor, imerso no universo dos personagens, não tem mais tempo para devaneios. O uso dos flash backs dão a impressão de obsessão pela idéia de que o personagem é marcado por algo mal resolvido.&lt;br /&gt;O texto, embora seja delineado por um estilo do autor, não oferece nada de inovador ao leitor. O tema é recorrente em muitas obras da literatura. Apenas para citar: “Olhai os lírios do campo”, de Érico Veríssimo, apresenta estrutura e temática semelhantes ao Longe da Água.&lt;br /&gt;Michel Laub não abre a porta de supetão; entra sorrateiro, sem que ninguém perceba. Prepara o leitor para situações posteriores, que vão se desenvolvendo ao longo da história. É um torpor sutil. As frases curtas, os capítulos reduzidos e o encadeamento das palavras na estrutura global do texto dão leveza e ritmo, como uma valsa de Offenbach; mas o significado que elas adquirem no contexto é pesado e denso, como um adágio de Bach. É como dizer um palavrão sorrindo. Falar dos conflitos da alma é demasiado complexo: aquilo que todo ser humano sente, mas nenhum tem coragem de falar.&lt;br /&gt;O personagem cresce, amadurece, mas para isso sofre: sente-se culpado por coisas que poderiam ter sido diferentes, se assim ele quisesse, mas não foram, por outras tantas adversidades da vida. E ainda que um senhor – que alguns poderiam chamar de pai, outros de sábio – dissesse que há duas formas de aprender: pelo amor ou pela dor, a escolha unânime é pela segunda opção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(O livro &lt;strong&gt;Longe da Água&lt;/strong&gt; é do escritor gaúcho Michel Laub, radicado em São Paulo e editor da Revista Bravo!)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-114472882021950869?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/114472882021950869/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=114472882021950869' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/114472882021950869'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/114472882021950869'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2006/04/crescer-muito-difcil-parafraseando.html' title='Crescer é muito difícil! - parafraseando Guimarães Rosa (licença poética)'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-114463204208722454</id><published>2006-04-09T22:18:00.000-03:00</published><updated>2006-04-09T22:20:42.096-03:00</updated><title type='text'>Em tempo...</title><content type='html'>"A nossa economia está no céu. Já eu, estou mais para o lado do inferno de Dante"&lt;br /&gt;(Antônio Palocci, há duas semanas, quando ainda não tinha 'cedido' o Ministério da Fazenda a Guido Mantega)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-114463204208722454?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/114463204208722454/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=114463204208722454' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/114463204208722454'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/114463204208722454'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2006/04/em-tempo.html' title='Em tempo...'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-114436283098079341</id><published>2006-04-06T18:34:00.000-03:00</published><updated>2006-04-09T22:31:34.086-03:00</updated><title type='text'>Tudo errado</title><content type='html'>Uma cena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Baladinha. Uma birosca decadente: pouca iluminação, algumas mesas de bilhar e um palco de madeira, onde vivia uma colônia de cupins. A banda tocava sabe-Deus-o-quê, mas eu e uma amiga dançávamos. Sei que aquela noite tomamos muito frozen, porque na compra de um você ganhava outro.&lt;br /&gt;Eu, àquela hora, estava com uma latinha de cerveja quente na mão. Esses bares que não vendem cerveja de garrafa são os maiores fins-de-carreira. Considerando a minha noção etílica, um cara de uns 40 anos estava próximo a nós duas. Ele estava mais louco do que todos os super-heróis juntos e tinha um bigode que deixaria qualquer mexicano que se preze no chinelo. A camisa aberta até o umbigo e umas várias correntes de prata, que mais parecia latão. Suava em bica e as pernas tremiam tanto num requebrado que era só dele. Parecia aquele burrico paraguaio, feito de madeira, todo articulado e com um mecanismo que é possível mexer cada um dos seus membros. Todo mundo teve um quando criança. Um marionete, desengonçado e bêbado, que dançava freneticamente.&lt;br /&gt;Como não haveria de ser diferente, o cara estava se achando no direito de ocupar todo o minúsculo espaço da improvisada pista de dança. Esbarrava nas pessoas, pisava nos pés ao seu redor e era necessário desviar dos golpes despretensiosos da sua mão descontrolada. O problema foi quando ele nos focou. A música, antes a diversão da noite, passou a ser fator secundário; o principal para ele atazanar a mim e a minha amiga.&lt;br /&gt;Esbarrou uma vez. Pisou no meu pé pelo menos cinco vezes. Empurrou minha amiga, não uma, mas três vezes. Acertou com a face da mão no braço da minha amiga. Esbarrou mais uma vez. Eu comecei a dançar exagerada e esbarrei, sem-querer-querendo, nele. Continuamos a curtir o som e a dançar. Apesar do inconveniente de carne e osso, eu estava muito tranqüila. A minha amiga, não.&lt;br /&gt;Quando ele pisou pela oitava vez no pé dela, não hesitou:&lt;br /&gt;- Ei - cutucando o ombro do cara - pára de pisar em mim!&lt;br /&gt;- O quê?&lt;br /&gt;- Pára de pisar em mim! - dessa vez gritou, bem próximo do ouvido dele.&lt;br /&gt;Eu, distraída, estava mais em outro plano, alheia a discussão. Não ouvi, tampouco vi nada. Só senti o murro canhoteiro. A mão fechada, toda força raivosa de um homem bêbado e bigodudo, concentrada e explodindo no meu ombro.&lt;br /&gt;Fui jogada para trás, desprotegida. Algumas pessoas que asistiam a cena vieram me acudir. O bigodudo foi atacado por todos os seres do sexo masculino presentes, revoltados com a atitude:&lt;br /&gt;- Bater em mulher não, rapá - gritou um deles&lt;br /&gt;O tiozão foi espancado e jogado para fora do bar. Eu, atordoada e nauseada pelo murro, percebi o que acontece quando a pessoa errada, está no lugar errado e na hora errada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-114436283098079341?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/114436283098079341/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=114436283098079341' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/114436283098079341'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/114436283098079341'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2006/04/tudo-errado.html' title='Tudo errado'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-114429753389727849</id><published>2006-04-06T00:48:00.000-03:00</published><updated>2006-04-09T22:34:32.483-03:00</updated><title type='text'>Francisco Buarque de Holanda</title><content type='html'>O Chico Buarque deveria ter um epíteto: O Gênio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu" (trecho de &lt;em&gt;Pedaço de Mim&lt;/em&gt; sobre a saudade)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Assim como ele veio partiu não se sabe prá onde; e deixou minha mãe com o olhar cada dia mais longe. Esperando parada, pregada na pedra do porto; com seu único e velho vestido cada dia mais curto" (trecho de &lt;em&gt;Minha História&lt;/em&gt;, no qual ele conta que a mulher - mãe - virou prostituta)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Chorar sua vida vivida, em vão(...) Chorar o seu tempo vivido em, vão" (trecho de &lt;em&gt;Ai, se eles me pegam agora&lt;/em&gt;, falando de arrependimento)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Pelo cordão perdido, te recolher prá sempre, à escuridão do ventre, curuminha, de onde não deverias nunca ter saído" (esse trecho de &lt;em&gt;Uma canção desnaturada&lt;/em&gt;, faz parte da &lt;strong&gt;Ópera do Malandro&lt;/strong&gt;, momento em que a personagem Teresinha abandona a mãe para fugir com um mau caráter. A mãe, desapontada, diz isso para ela)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O tempo passou na janela, só Carolina não viu" (&lt;em&gt;Carolina&lt;/em&gt; fala de vida reprimida e mal vivida, de tristeza e arrependimento)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Quero ficar no teu peito, feito tatuagem. Que é prá te dar coragem prá seguir viagem depois que a noite vem." (&lt;em&gt;Tatuagem&lt;/em&gt; é um dos muitos exemplos em como Chico explorou com genialidade a alma feminina, assumindo o eu-lírico feminino)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Diz pra eu não ficar sentida, diz que vai mudar de vida, pra agradar meu coração. E ao lhe ver assim cansado, maltrapilho e maltratado, ainda quis me aborrecer. Logo vou esquentar seu prato. Dou um beijo em seu retrato e abro os meus braços pra você" (&lt;em&gt;Com açucar, com afeto&lt;/em&gt; novamente incorporando o eu-lírico feminino, da mulher apaixonada pelo marido boêmio)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O amor não tem pressa ele pode esperar em silêncio, num fundo de armário, na posta-restante, milênios, milênios no ar. (...) Futuros amantes quiçá, se amarão sem saber, com o amor que eu um dia deixei prá você" (&lt;em&gt;Futuros Amantes&lt;/em&gt; fala do amor incondicional, do amor verdadeiro que não acaba nem com o tempo, nem com a frustração de ser somente platônico, de existir somente na imaginação)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Me dê a mão, a gente agora já não tinha medo. No tempo da maldade acho que a gente nem tinha nascido" (&lt;em&gt;João e Maria&lt;/em&gt; fala da inocência, da nostalgia de um tempo, da lembrança)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Me trouxe uma bolsa já com tudo dentro: chave, caderneta, terço e patuá. Um lenço e uma penca de documentos pra finalmente eu me identificar, olha aí. Olha aí, ai é o meu guri" (O meu guri é uma crônica. O eu-lírico feminino, dessa vez a mãe de um marginal que o defende com orgulho de mãe-coruja: insiste em não aceitar a realidade de que o seu filho é escravo do crime)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas alguns excertos, que simbolizam uma parte ínfima da obra dele, mas que me tocam de alguma forma.&lt;br /&gt;Para quem gosta e quer mais, sugiro o site: &lt;a href="http://www.chicobuarque.com.br"&gt;www.chicobuarque.com.br&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-114429753389727849?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/114429753389727849/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=114429753389727849' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/114429753389727849'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/114429753389727849'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2006/04/francisco-buarque-de-holanda.html' title='Francisco Buarque de Holanda'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-114420713983732069</id><published>2006-04-05T00:16:00.000-03:00</published><updated>2006-04-05T00:18:59.846-03:00</updated><title type='text'>Devastação</title><content type='html'>De repente, um vento forte tomou conta do lugar. Meus olhos fitaram o que a princípio parecia ser um rodamoinho, mas que ia tomando proporções demasiado exageradas, se transformando em um furacão. Tentava fugir, mas uma força estranha impedia. Corria para todos os lados a procura de uma saída, sem obter êxito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu pensamento estava todo ocupado com tolices que não me permitiam racionalizar uma solução. Minhas mãos geladas, minhas pernas bambas, meu coração apertado, me faziam sentir um medo nunca antes experimentado. Seria o meu fim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Movida por um impulso irracional fui em direção ao furacão, num ímpeto de enfrentá-lo. Arrebatada, fui arrancada do chão, expulsa da realidade sem chance de volta. Vivia agora mergulhada em fantasias...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pisando em nuvens, percebi que toda aquela confusão, aquele cenário de devastação era interior, acontecia no meu coração: era amor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-114420713983732069?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/114420713983732069/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=114420713983732069' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/114420713983732069'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/114420713983732069'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2006/04/devastao.html' title='Devastação'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-114412539012770788</id><published>2006-04-04T00:42:00.000-03:00</published><updated>2006-04-09T22:24:44.786-03:00</updated><title type='text'>Uma simples homenagem</title><content type='html'>&lt;div align="left"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;Por Maria Teresa Cruz&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PORTA&lt;br /&gt;TORTA&lt;br /&gt;          ARTERIA&lt;br /&gt;                        AORTA&lt;br /&gt;  SE ENTORTA&lt;br /&gt;              MORTA FICA&lt;br /&gt;    DESENTORTA&lt;br /&gt;ARTERIA E PORTA &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;           ABORTA&lt;br /&gt;           ABERTA&lt;br /&gt;            PORTA&lt;br /&gt;              VITA&lt;br /&gt;                       SE ENTORTA&lt;br /&gt;PORTA E AORTA&lt;br /&gt;     CERTO QUE FICA MORTA&lt;br /&gt;     DESENTORTA&lt;br /&gt;ARTERIA E PORTA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ROTA DA VIDA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(A poesia concretista é o que há de mais tocante, no sentido literal da palavra. Ela é simples e isso é fantástico. Vocês conseguiram visualizar a artéria aorta e a porta? Percebo uma semelhança incrível entre elas: tanto porta quanto aorta significam passagem. Pela porta passa gente - necessariamente viva - , logo passa vida. Pela artéria Aorta passa sangue, que carrega hemácias e leucócitos, necessários a vida. Viva Décio Pignatari, Haroldo de Campos e Arnaldo Antunes!)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-114412539012770788?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/114412539012770788/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=114412539012770788' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/114412539012770788'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/114412539012770788'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2006/04/uma-simples-homenagem.html' title='Uma simples homenagem'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-114402028126580105</id><published>2006-04-02T19:50:00.000-03:00</published><updated>2006-04-02T20:24:41.276-03:00</updated><title type='text'>A História se repete</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Diálogo entre as obras “Ilusões Perdidas” de Honoré de Balzac e “Recordações do Escrivão Isaías Caminha”, de Lima Barreto&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma narrativa ambientada na Paris pós-Revolução Francesa. A outra, no Rio de Janeiro, em um Brasil, ainda colônia, que assistia às primeiras décadas de República. A primeira remete a obra “Ilusões perdidas”, de Honoré de Balzac e a segunda, ao livro “Recordações do Escrivão Isaías Caminha”, de Lima Barreto. Há um ponto em comum: o eixo norteador no qual está inserido o personagem, inquieto e sonhador, movido por uma busca incessante. Inserido em uma realidade sem perspectivas, tanto Lucien Chardon, de Balzac, quanto Isaías Caminha, de Lima Barreto, personificam o inconformismo, a ambição, a decepção, o conformismo e a entrega.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vindos do interior, Lucien – com suas poesias e seus originais românticos embaixo do braço, ávido por publica-los – e Isaías – procura resgatar a memória do pai, falecido, modelo de inteligência e fugir do estigma da ignorância de sua mãe – foram movidos pelo desejo de ser alguém na vida. Era em cidades grandes, como Rio de Janeiro e Paris, que havia terreno propício para construir uma vida de sucesso e reconhecimento. Era lá que as coisas aconteciam.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ainda hoje, há nutrida a idéia de que a cidade grande dá oportunidades. Essa afirmativa dita, dessa forma, sem adendos, pode ser perigosa, até mesmo falaciosa. É inegável que a complexidade das grandes cidades seja terreno fértil para produção, principalmente quando se fala em jornalismo. A efervescência cultural é singular em grandes centros urbanos. Na mesma proporção, há um excedente de pessoas, sedentas por um lugar ao sol. Exige-se mais qualificação, aumenta a competitividade de maneira desleal e...onde estão as oportunidades? Esse é o jogo. Nesse sistema, os personagens vão ter que se amoldar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Interessante notar como os personagens, mergulhados nesse mundo real, o percebem mais cruel e menos poético, e passam pelo processo de perda da inocência, da pureza que carregavam na essência, para dar lugar a ambição e ao desejo de projeção profissional. Assim, se entregam aos meandros do competitivo meio das relações de trabalho.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Decepções, como as recusas que recebeu Lucien ao tentar publicar uma de suas obras, e humilhações, como o fato de Isaías ser mulato num país de tradição escravista, vão construindo os destinos dos personagens. Hesitações os fazem, às vezes, parar para pensar em desistir, mas se mantêm firmes no intento.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma diferença na trajetória dos dois personagens merece ser apontada. Lucien, sempre nutriu a paixão pelas letras, queria ser literato e acreditou no jornalismo como caminho; percebeu, no entanto, o abismo existente entre a produção jornalística rentável e a literária. Isaías trazia um histórico de formação em humanidades, mas chegou a falar em medicina; acabou, por força das circunstâncias, trabalhando com as palavras.&lt;br /&gt;                &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Os acontecimentos vão conduzindo cada um dos personagens para um caminho de difícil regresso. Fazem concessões, trocam favores, conhecem o poder da influência e imersos nesse jogo de interesses, que não é exclusividade do jornalismo, mas da vida, percebem o quanto pode ser interessante transitar neles. Tudo tem dois lados, necessariamente sedutores.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Há expectativa em fazer um jornalismo mais livre, menos preso ao “modelão” do lead – que não busque apenas responder quem, o que, quando, como, onde, por que – e que, em última análise, pretende volver os olhos para os fatos e trazer o leitor à reflexão. É possível? Não se pode esquecer que a lógica capitalista move as relações sociais e o olhar do jornalista está imerso nesse contexto. E aí reside a crítica concebida pelos autores em cada livro: a “industrialização” do jornalismo, a informação como mero produto. Os personagens dos livros, cada um a seu modo, compreenderam isso. E entenderam como sonhos podem não passar de ilusões, de recordações.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-114402028126580105?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/114402028126580105/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=114402028126580105' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/114402028126580105'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/114402028126580105'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2006/04/histria-se-repete.html' title='A História se repete'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-114383055491049997</id><published>2006-03-31T15:22:00.000-03:00</published><updated>2006-04-02T20:29:38.143-03:00</updated><title type='text'>É o fim da picada!</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Conceito elástico&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Deu na revista jurídica &lt;em&gt;Última Instância&lt;/em&gt;: Lugar onde clientes bebem e pagam por sexo não é prostíbulo, diz TJ-SP.&lt;br /&gt;Qualquer um que tenha passado a infância e adolescência nas zonas do mais baixo meretrício apoia a decisão do Tribunal:&lt;br /&gt;“Considerado, num país que tem um Congresso como o nosso, deve ser bastante elástico o conceito de putaria...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Cão sem fucinheira - Homem fica 15 dias preso no Rio de Janeiro&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;A moça ficou indignada:&lt;br /&gt;“Focinheira com U? Esta eu nunca tinha visto. Espero que o redator seja mordido (levemente, vá...) por um rotweiller daqueles bem bravos!”&lt;br /&gt;Moral da história: não se usa focinheira no Brasil porque muitos nunca ouviram falar em tal equipamento e alguns, quando o conhecem, nem sabem escrever o nome certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Márcio 2006 para presidente do Brasil&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Tem gente importante sugerindo um novo nome para o PT lançar como candidato ao governo de São Paulo, ano que vem. O do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas pérolas, por assim dizer, foram emprestadas da coluna de Moacir Japiassu, para o site Comunique-se. Com licença e respeito, gostaria de engrossar o caldo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Uma plaquinha resolveria o problema&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Estava numa dessas viagens pelo interior do Brasil, quando já segurando o conteúdo da bexiga há mais de três horas, encontrei um posto próximo a Poconé-MT. Ao entrar no banheiro, para minha surpresa e motivo de riso contínuo pelas próximas duas horas, dei de cara com uma plaquinha: "Recopere com a limpeza, não cague no chão"&lt;br /&gt;Moral da história: Se na próxima gestão presidencial, instituirem como lei colocar uma plaquinha dessas na entrada do Palácio do Planalto, quem sabe os freqüentadores parem de fazer cagada em qualquer lugar e resumam esse ato privado às suas respectivas privadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obrigada!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-114383055491049997?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/114383055491049997/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=114383055491049997' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/114383055491049997'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/114383055491049997'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2006/03/o-fim-da-picada.html' title='É o fim da picada!'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-114374127918983317</id><published>2006-03-30T14:48:00.000-03:00</published><updated>2006-03-30T14:54:39.213-03:00</updated><title type='text'>Canta à tua aldeia e cantarás ao mundo</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;Lançamento de livro é espaço de reflexão das diferenças na vida de cada um&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;“- Que é esse fumo, estrangeiro? É da Alemanha?&lt;br /&gt;- É, é da Alemanha.Esse foi o começo de uma conversa que tive com um transeunte, em uma praça na cidade de Campinas, enquanto fumava meu cachimbo. Durante horas, o caboclo contou a sua história de vida. E tínhamos acabado de nos conhecer! Ao nos despedirmos, ele me deu a miniatura de uma panela de pressão, feita de lata de refrigerante. Aquilo tinha me tocado de alguma forma. Quando estava voltando para a Alemanha entrei no avião, cheio de alemães, e senti o choque cultural: as pessoas não se olhavam. Aí pensei que os alemães devem ser como panelas de pressão”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com humor o professor alemão da Universidade de Siegen (Alemanha) Bernd Fichtner iniciou a palestra referente ao lançamento do livro Diversidade Cultural – Globalização e culturas locais: dimensões, efeitos e perspectivas, de Leonardo Brant (org.), que aconteceu na Fnac – Paulista, na última terça-feira, às 19h. O livro é uma coletânea de textos produzidos a partir de 2002, com o objetivo de documentar discussões mundiais acerca da diversidade cultural e o espaço para o exercício da democracia, num mundo imerso em conflitos políticos e sociais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leonardo Brant é comunicólogo, formado pela Faculdade Cásper Líbero e se dedica desde 1999 à Rede Internacional pela Diversidade Cultural (RIDC), um orgão que visa representar a classe artística, ativistas e organizações culturais, propondo alternativas de espaços para a cultura, as artes e as relações humanas na era da globalização, em conferências anuais. Contudo, nem todos os textos são de integrantes da RIDC. “A idéia da diversidade transbordou e alcançou até o processo de seleção dos textos que formariam esse manual”, brinca Brant.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na palestra, Bernd abordou a crise mundial da educação e qual a importância da diversidade cultural para reavaliar métodos clássicos educacionais ultrapassados, preocupados em ensinar conceitos, que servirão à sociedade, mas não propiciam a formação de um cidadão do mundo. “Escolas alemãs que desconstruíram a hierarquia professor-aluno, fomentaram no aluno o senso de responsabilidade em produzir e gerenciar o próprio conhecimento e tiveram resultados excelentes no processo de desenvolvimento da criança”, relatou o professor. “Nesse caso, a diversidade foi absorvida. A pedagogia ultrapassada se preocupa demais com conceitos. O que importa não são os conceitos, mas as relações que você é capaz de estabelecer com o diferente de forma igual”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na opinião de Bernd, a necessidade de diferenciar cultura e diversidade cultural é suprida no livro. “Aprendi com o livro que a diversidade cultural não está no mesmo nível do nosso conceito de cultura. Diversidade cultural tem a ver com propostas, posicionamento diante da vida, visão de mundo. Uma cultura tem muito mais a ver com fronteira, limites que entram em colapso na nossa consciência toda vez que nos defrontamos com outra cultura”, constata. “O livro não tem nada de acadêmico, por isso não é massante”, pontua o professor, “tem algo de provocativo que eu gosto muito e se aproxima de um manual com propostas das mais diferentes formas do exercício da democracia, num mundo onde a intolerância e o individualismo matam qualquer perspectiva de igualdade”, finaliza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seguida, Leonardo Brant falou a platéia. Definiu o livro como “um espaço de reflexão, que fomente discussão, ou ainda, um instrumento de diálogo”. E acrescentou que o objetivo que carrega, ao assinar o livro é o de mudança na forma de encarar a vida. “Respeito com o diferente não é a palavra certa, celebração do diferente se ajusta mais a idéia de diversidade. Sentir o quanto a relação entre as pessoas podem potencializar uma ação, uma atitude,uma mudança. Multiplicar é a idéia. Deveríamos mudar a palavra individuo para ‘multivíduo’”, categorizou o autor do livro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:arial;font-size:78%;"&gt;(Essa matéria foi publicada no site de Cultura da Faculdade Cásper Líbero, na terceira semana de setembro. O livro pode ser encontrado nas Livrarias Cultura e Fnac)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-114374127918983317?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/114374127918983317/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=114374127918983317' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/114374127918983317'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/114374127918983317'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2006/03/canta-tua-aldeia-e-cantars-ao-mundo_30.html' title='Canta à tua aldeia e cantarás ao mundo'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-114365397163572103</id><published>2006-03-29T14:32:00.000-03:00</published><updated>2006-03-29T14:39:31.646-03:00</updated><title type='text'>Digite a senha, por favor</title><content type='html'>Sou metódica, confesso. Sistemática também. Compulsiva. E obcecada pela ordem. Concordo em gênero, número e grau com o fato de Deus ter transformado em sacramento essa prática tão essencial: a ordem.Tenho uma senha para cada segredo da minha vida. Dia desses – era uma terça feira, tola e nublada – como não haveria de ser diferente fui almoçar no restaurante do largo, no centro da cidade, próximo ao escritório onde trabalho. Restaurante por kilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei. Uma fila insana: cerca de 257 pessoas se amontoavam sobre os pratos, ávidas por uma colher de arroz ou uma coxa de frango. Um velho amigo me disse certa vez que restaurante &lt;em&gt;self-service&lt;/em&gt; é a coisa mais grosseira que ele já viu, é a síntese da falta de educação. Ele tem razão. É o véio que tosse e cospe a dentadura na feijoada, é a perua que arruma as madeixas bem em cima do arroz – e caem algumas lêndeas, fruto dos sete dias que ela ficou sem lavar o cabelo para não estragar a chapinha nem desbotar a tintura –, é a gorda que pega oito bifes a milanesa, tem seus 5 minutos, quando sente-se culpada por trair o regime, morto na mesma segunda-feira que nasceu – e devolve cinco, por um acaso sujos do molho agridoce que ela colocou na salada. Ai, ai...Devaneios de uma baixaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, com algum esforço e certa persistência consegui fazer um prato razoável. Pesei e fui até uma mesa vazia, a única no cantinho do segundo andar do restaurante. Após a refeição, me dirigi ao caixa com a comanda em mãos. (Bati na testa). Abri a carteira e tinha apenas uma nota de cinco reais. É uma miséria mesmo. Afinal de contas eu ganho R$ 2,75 por hora. A mocinha do caixa percebeu meu desajeito e logo se antecipou em dizer que eles aceitavam todos os tipos de cartão, menos cheque. “Até o visa electron?”, perguntei. Ela acenou com a cabeça positivamente. Problema resolvido.Engano o meu. Ele começara ali, naquele momento. Passa o cartão. Digita, durante uns 5 minutos códigos aos borbotões: é o número da conta, da agência, a senha da máquina e o código do banco. Volta-se para mim e diz: “Digite a senha, por favor!”. Vamos lá. Só naquela manhã, tive que usar cinco senhas diferentes: para fazer uma consulta ao banco on-line, o meu login no computador, a minha senha de acesso a internet, a senha para o telefone do escritório dar linha – é o fim da picada, eu sei! É o novo PABX protegido com sua super senha de 12 números, sem repeti-los (háhá, pergunte-me como) – e a senha do e-mail. Olhei para a máquina. Ela olhou para mim e piscava psicoticamente: “A senha! A senha!”. A tonalidade verde daquela tela me deu náusea. De repente, um branco. Apagou tudo da minha memória. Que agonia! Como é que era mesmo a senha do cartão? 1279...não, não! 1259...ai...não não! Comecei a puxar os aniversários da minha família inteira na memória. Será que esta senha é a do aniversário da minha avó, ou do da minha cachorra, ou do dia que eu tomei um fora – essa ninguém esqueceria! A mocinha olhava, um sorriso falso, ansiosa para que eu saísse dali logo. A fila aumentava em progressão aritmética. Comecei a suar frio. Não lembrava. Não conseguia lembrar a maldita senha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei para a moça: “Paciência!”. “A senhora vai ter que pagar!”. Ai, que pressão. Essas mocinhas do caixa são muito insensíveis, sem coração. Propus se eu não poderia lavar uns pratos, sei lá...Ela disse terminantemente que não. Aí veio uma luz. Não, não foi desta vez que eu lembrei a senha, mas tive a brilhante idéia de fazer uma proposta: “Vou deixar meu RG como garantia de que voltarei para pagar”. A mocinha do caixa titubeou, olhou com desconfiança para a minha barganha. Aí eu cresci. Já estava tão prostituta dessa minha existência que fiquei valente: “ô minha filha, você acha mesmo que eu vou deixar minha identidade aqui eternamente?”. Ela olhou com ar de desprezo: “Você só pode estar louca!”. Joguei minha identidade no balcão, dei de ombros e fui embora. Fui embora com dor de cabeça, estressada, p. da vida, sem senha e sem documento. Por que comecei mesmo a contar tudo isso? Esqueci!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-114365397163572103?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/114365397163572103/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=114365397163572103' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/114365397163572103'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/114365397163572103'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2006/03/digite-senha-por-favor_29.html' title='Digite a senha, por favor'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-114358154822229370</id><published>2006-03-28T17:10:00.000-03:00</published><updated>2006-03-28T18:32:28.236-03:00</updated><title type='text'>O vôo da borboleta</title><content type='html'>Os encontros eram cada vez mais freqüentes. Às cinco e meia da tarde, quando o sol já estava baixo, nos encontrávamos. E conversávamos a noite toda, distraídos e cada vez mais atraídos. Ele muito me respeitava e pouco questionava. Colocava sua mão sobre a minha, sempre respeitando o limite de dois palmos entre nós, que eu mesma havia estabelecido.&lt;br /&gt;Chegava bem cedinho em casa, andando nas pontas dos pés para não matar o sono tranqüilo dos meus pais. Dormia e quase não conseguia mais diferenciar o dia e a noite, o sonho e a realidade. Perdi o apetite. Não via mais graça em tudo aquilo que não tivesse ele. As minhas roupas começaram a ficar velhas e desengonçadas. Ficava esperando o sol ir embora para com a chegada da lua poder encontrá-lo.&lt;br /&gt;Os últimos dias não tinham sido muito fáceis. Andava triste e angustiada. Roía as unhas até sangrarem e depois me sentia uma tola. Minha mãe, preocupada, me perguntava todo dia o que estava acontecendo comigo. Meu pai só olhava e pedia para ela ficar calma. "Ela está apaixonada. Coisa de criança!". Geralmente os pais ficam com ciúmes ao verem as filhas amando pela primeira vez. No meu caso, acho que ele pensava ser tudo fantasia.&lt;br /&gt;Aquela terça-feira foi diferente. Eu estava me sentindo diferente, não sei. Por um momento, meus pés saíram do chão. Fiquei sem rumo, sem referência. O encontro, aquela noite, foi especial. Tudo igual. Cheguei para encontrá-lo, pontualmente; sentamos no sofá e ele me contou como foi o seu dia - eu não quis falar. Sentia alguma coisa estranha em mim. Um calafrio da raiz dos cabelos até a ponta do dedão do pé. Tirei o casaco.&lt;br /&gt;- Que estranho, de repente ficou calor.&lt;br /&gt;Ele riu, depois saberia, da minha inocência. Passou a mão no meu rosto com ternura.&lt;br /&gt;- Comprei uma rede. É amarela, sua cor preferida.&lt;br /&gt;- Que linda! Na feirinha da praça?&lt;br /&gt;- Isso mesmo. Vamos lá na varanda prá ver?&lt;br /&gt;Não disse nada apenas aceitei. Ofereceu sua mão direita para me amparar e me abraçou. Foi o primeiro contato corpo a corpo após meses. Eu permiti, porque achei que era chegada a hora. &lt;br /&gt;Não lembro de mais nada, só de um formigamento nas pontas dos dedos. Que boa sensação aquela. Na quarta-feira já não era mais a mesma.&lt;br /&gt;Fui para casa antes de amanhecer. No café-da-manhã, minha mãe me esperou com uma linda caixa de presente.&lt;br /&gt;- Achei que você andava tristinha, filha. - e me deu o pacote&lt;br /&gt;Tirei o laço lilás e rasguei o embrulho prateado. Era uma boneca. Não consegui agradecer. Achei que minha mãe teve uma atitude infeliz. Sorri:&lt;br /&gt;-Mamãe, não quero mais bonecas; eu quero um jogo de panelas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-114358154822229370?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/114358154822229370/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=114358154822229370' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/114358154822229370'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/114358154822229370'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2006/03/o-vo-da-borboleta.html' title='O vôo da borboleta'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-24917985.post-114356812075226207</id><published>2006-03-28T14:45:00.000-03:00</published><updated>2006-04-12T09:32:47.260-03:00</updated><title type='text'>Amor deveria ser sempre amor, ora bolas!</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(agradecimentos a Kelly Schwarz que escreveu comigo esse texto)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro com carinho daquele tempo. Ainda era um pivete. Todos os dias esperava ela voltar da escola. Éramos vizinhos. Não dizíamos uma única palavra. De mãos dadas passeávamos no andar térreo do prédio. Imaginávamos estar nos lugares mais inusitados. Uma praia, um parque, um castelo, um moinho de vento...Acho que ela imaginava a mesma coisa que eu. Sentávamos no banco e ficávamos nos olhando durante horas! Era tão bom!E nem precisávamos falar nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomar “sorvete de bola” então era sempre uma diversão. Com a boquinha lambuzada ela ficava mais linda ainda, e eu, cada vez mais bobo. Sempre caíamos na gargalhada, até perder o fôlego, até a barriga doer. Era só a presença dela que me importava. Não precisávamos falar nada.No final de tarde voltávamos para casa e eu, cavalheiro, a acompanhava até a porta de sua casa. Dava-lhe um beijo no rosto. Ela segurava minha mão com força, me olhava e os dedos iam deslizando até que se separavam. Esperava eu entrar no elevador, a porta se fechar até que não me visse mais. Um dia isso realmente aconteceu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está muito quente nesse final de tarde. Volto para casa e sei que alguém me espera. Queria convidá-la para um passeio no parque ou quem sabe para tomar um “sorvete de bola”, mas sei que ela vai rir de mim. Da minha infantilidade e da minha primitiva e singela demonstração de carinho. Ora bolas, essa era a minha referência de amor. E ela não entende!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje é necessário ter muito o que dizer para provar o amor. Eu acho que era muito mais verdadeiro antes: o amor deve ser simples. E se dividir uma bola de sorvete, andar de mãos dadas, olhar nos olhos o silêncio e o grito ou rir com o outro até doer a barriga não for amor, eu sinceramente não sei o que é!A espera diária sempre infinita, mas certa, me faziam feliz a cada dia. E o que alimentava aquela sensação ímpar era saber que o sorvete de bola não derreteria nunca antes dela chegar. Hoje é preciso tudo explicar a pessoa amada. Homem e mulher se casam, procuram dinheiro, sexo, porquês e vivem numa conjugal solidão. E se amar antes era simples, hoje amar é por quê. Tenho saudades! Por quê?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/24917985-114356812075226207?l=encontrodaspalavras.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/feeds/114356812075226207/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=24917985&amp;postID=114356812075226207' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/114356812075226207'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/24917985/posts/default/114356812075226207'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://encontrodaspalavras.blogspot.com/2006/03/amor-deveria-ser-sempre-amor-ora-bolas.html' title='Amor deveria ser sempre amor, ora bolas!'/><author><name>Maria do Mundo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00933796390214619567</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
